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Téla Non

Conceição Lima | Editoria Opinião | 01/05/2015

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Corria o ano 2000 e a internet em São Tomé e Príncipe era uma autêntica raridade. Foi, sobretudo, a pensar nos filhos do arquipélago espalhados pelo mundo que Abel Veiga, então jovem jornalista da televisão santomense, TVS, se lançou na aventura de iniciar um jornal digital, o primeiro. Para Veiga, hoje também jornalista na delegação da RTP África em São Tomé, tratou-se de um enorme desafio. 

Ao longo da sua existência, o Téla Non foi conquistando espaço e destacando-se como alternativa à dominante imprensa oficial, afirmando-se como uma publicação resistente a influências e pressões dos poderes estabelecidos e com uma saudável tendência para se posicionar como contrapoder. Em maior ou menor grau, não houve governo que não tivesse sentido na pele as consequências da frontalidade e a acutilância do Téla Non e do seu diretor. O jornal abre as suas páginas a artigos assinados por nomes dos mais diversos quadrantes, permitindo o livre exercício da opinião e do contraditório. Ora, a importância do Téla Non só pode ser avaliada por quem, conhecendo a realidade da comunicação social em São Tomé e Príncipe, está ciente da omnipresença da imprensa estatal, a Rádio Nacional e, sobretudo, a TVS.  

Importa dizer que desde a introdução do multipartidarismo em 2001, não há registo de uma só detenção por delito de opinião. Os cidadãos emitem em lugares públicos os seus pontos de vista com robusta liberdade, fustigando, sem exceção, os detentores dos cargos públicos. Também a isso se deve o bom posicionamento de São Tomé e Príncipe nos índices de avaliação do grau de liberdade de expressão e de liberdade de imprensa em África. Posicionamento merecido, tendo em conta os padrões africanos. 

Contudo, um conhecimento bem mais próximo da realidade não poderá deixar de revelar um quadro muito oscilante ao nível da liberdade de imprensa, em que a maior abertura ou fechamento dos poderosos órgãos estatais dependem das credenciais mais ou menos liberais deste ou daquele governo. 

Sendo a apetência pelo controlo e governamentalização uma tendência de todos os governos, a questão não é tanto de natureza mas sim de grau. E aí, os governos do ADI, partido atualmente no poder, notabilizaram-se pela negativa. Tal como aquando da ascensão do Partido Ação Democrática Independente ao poder em 2010, assiste-se, neste momento, a uma exacerbada governamentalização e partidarização dos órgãos estatais de comunicação social e à sua transformação em veículos de construção de culto de personalidade.  

O exercício do contraditório foi abolido. As vozes independentes ou críticas foram silenciadas e, em seu lugar, foram instalados «comentadores» que não passam de meras correias de transmissão das posições do governo. Ora, face à atual repressão da agenda noticiosa e informativa da rádio e televisão estatais, o diário digital Téla Non tem vindo a prestar um serviço inestimável ao país e à democracia. A sua ampla cobertura da realidade política, social e cultural do país e a frontalidade na publicação de factos non grata para as instâncias do poder, singularizam-no. Por outro lado, o jornalismo de investigação que o Téla Non exercita tem permitido trazer ao conhecimento do grande público informações que, de outro modo, permaneceriam ocultas. Não foram poucos os casos em que a reação da opinião pública a denúncias do Téla Non logrou inverter, modificar ou anular decisões legalmente discutíveis, eticamente reprováveis ou simplesmente iníquas. 

Não admira que o jornal e o seu diretor tenham conquistado inimigos de estimação. Na seção de comentários, Veiga é frequentemente ameaçado. É alvo de tentativas de intimidação. Um exemplo foi a sua recente convocação pelo titular da pasta da Justiça para ser interpelado na sequência de uma notícia cujo rigor não estava em causa mas cujo teor não terá agradado ao ministro.  

Abel Veiga fez duas coisas: sendo um jornalista e não um funcionário do ministério em questão, ignorou pura e simplesmente a convocatória e denunciou-a no jornal que simboliza, neste momento, a liberdade de imprensa em São Tomé e Príncipe.

Conceição Lima

[Texto publicado na edição N.º 96 da revista África21]

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