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Entrevistas

«Angola procura solução pacífica para conflitos que afetam a região», diz político espanhol

| Editoria Entrevistas | 18/06/2015

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O político espanhol José Bono Martínez concedeu uma entrevista à Angop, na qual realça o sistema de democracia multipartidária em Angola, país em crescimento «muito acelerado» e que privilegia a estabilidade institucional e a paz. 

O antigo ministro espanhol da Defesa exalta o «destacável» trabalho do Presidente José Eduardo dos Santos para o alcance da paz
(DR)

Na entrevista (via e-mail), enquadrada nos 40 anos de independência de Angola, o antigo ministro espanhol da Defesa exalta o «destacável» trabalho do Presidente José Eduardo dos Santos para o alcance da paz e a sua liderança num «ambicioso plano de reconstrução nacional», sem esquecer a autoridade que representa em África, nomeadamente na pacificação de conflitos.

Angop - Quando Angola ascendeu à independência, em 11 de Novembro de 1975, o senhor era um jovem de 25 anos de idade. Tinha, nessa altura, alguma informação sobre as antigas colónias de Portugal em África?

José Bono Martínez (JBM): Tinha um conhecimento muito geral. Sabia que Angola era colónia de Portugal e que ascendeu à independência, precisamente em 1975. Era conhecedor do movimento “Vamos descobrir Angola”, com o qual colaborou o poeta Agostinho Neto e que, na década de 60, os angolanos começaram a organizar-se politicamente sob a direção do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), e que, em 1964, membros dissidentes da FNLA fundaram a UNITA. Tinha conhecimentos dos movimentos independentistas. Em 1974, a Revolução dos Cravos, em Portugal, acabou com o regime de Salazar e a descolonização de Angola entrou na sua fase final.

Angop – Recorda-se de alguma notícia ligada aos líderes da independência?

JBM: Sim, recordo-me especialmente de Agostinho Neto e as relações militares e económicas estreitas que estabeleceu com a então URSS e Cuba. Recordo que o seu funeral, em 1979, reuniu representantes muito proeminentes do Mundo inteiro. Também soube que Savimbi, presidente da UNITA e candidato à Presidência, negou-se a aceitar os resultados eleitorais, mas a sua morte, em 2002, levou à assinatura de um novo Acordo de Paz.
 
Angop - Entre 2004 e 2006, foi ministro da Defesa de Espanha. Qual era a sua visão sobre Angola?
JBM: A de um país extenso, mais do dobro de Espanha, na altura com 16 milhões de habitantes (12,5 habitantes por quilómetro quadrado), dos quais 1/3 vive na capital, Luanda. Politicamente, é um sistema de democracia multipartidista e de pendor presidencialista. A estrutura da sua riqueza depende muito da indústria extrativa (56%) e o seu desenvolvimento é muito acelerado. Como ministro da Defesa, tive notícias das suas Forças Armadas: dos de maior contingente do continente africano, sendo obrigatório o serviço militar a partir dos 18 anos e com um orçamento que superava 8% do PIB. 

Angop - Ao longo da sua vida como político e governante espanhol, tomou contacto com algum político ou governante angolano?

JBM: Em 2011, viajei para Angola como presidente do Congresso dos Deputados e, nos distintos encontros com as autoridades angolanas, registei um particular apreço por Espanha, fundamentalmente por ter sido o segundo país a reconhecer a independência de Angola, assim como pelas semelhanças culturais e a facilidade de entendimento linguístico. Quase todos os interlocutores mostraram o seu interesse em fortalecer as relações e surpreendeu-me a insistência de muitos empresários para que a cooperação entre Espanha e Angola não se realizasse através de Portugual, mas diretamente.
 
Conheci o Presidente da República, que se interessou vivamente no estabelecimento de uma ligação aérea direta entre Luanda e Madrid, que a companhia Ibéria concretizou. Igualmente, referiu-se a um «quadro preferencial» na agilização de vistos com Espanha. Este é um assunto que levantam com insistência os empresários espanhóis. Reuni-me com mais de 100 empresários espanhóis presentes no país.
 
Angop - Que avaliação faz da situação em Angola num momento em que a paz é uma realidade irreversível no país? 

JBM: Angola é um país em ebulição, uma nação que faz preceder a estabilidade institucional e a paz a qualquer outra consideração. Um país, como tantos, aos que lhes faltam muitas coisas por fazer, mas que se tem posto em movimento de forma decidida.
 
Angop - O que tem a dizer sobre a liderança do Presidente José Eduardo dos Santos e do seu papel interventivo na resolução dos conflitos em África?

JBM: O Presidente José Eduardo dos Santos iniciou a sua atividade política militante em grupos anticoloniais. Os seus estudos na URSS foram determinantes na sua formação. Com a proclamação da independência da República de Angola, em 11 de novembro de 1975, foi nomeado ministro das Relações Exteriores e, posteriormente, do Planeamento Económico. A sua vitória, em 1992, sobre o líder da UNITA, Jonas Savimbi,  conferiu-lhe um poder carregado de autoridade pessoal.
 
O seu trabalho para conseguir a paz e o desenvolvimento de Angola são muito destacáveis. Não se pode ignorar o enorme trabalho desenvolvido para superar a gravíssima crise humanitária, resultante da prolongada guerra civil e internacional que sofreu Angola, a abundância de campos de minas pelo mesmo motivo e as ações dos grupos guerrilheiros.
 
Na atualidade, o Presidente Dos Santos lidera um ambicioso plano de reconstrução nacional, que inclui a construção de infraestruturas, de dezenas de fábricas e o impulso à edificação de centenas de milhares de habitações no país. Empresas de todo o Mundo investem em Angola e Dos Santos é uma referência de autoridade em todo o continente africano e, nomeadamente, na procura de uma solução pacífica para os conflitos que hoje afetam a região.
 
Angop - O que acha que deve ser feito para aproximar, ainda mais, Angola de Espanha?
 

JBM: As relações bilaterais são saudáveis. O Governo espanhol foi o segundo em reconhecer o triunfo eleitoral do MPLA e do Presidente Dos Santos, em 1992. A Espanha é um país reconhecido e pelo qual as autoridades angolanas têm um singular apreço: deveríamos impulsionar mais a nossa atividade política a respeito de Angola.

A Espanha vem mantendo, desde há décadas, uma estreita relação de cooperação ao desenvolvimento, sendo destacáveis os acordos entre os seus respetivos Ministérios do Interior para a preparação de efetivos angolanos. É muito significativo o crescente número de empresários espanhóis que procuram oportunidades de negócio na economia angolana e que precisariam melhores políticas de apoio.

Angola tem um défice claro de visitas espanholas de alto nível político e institucional, embora tenha recebido a visita dos Chefes de Estado e do Governo dos países mais importantes do planeta. Estou ciente do enorme interesse e bem fazer da embaixatriz espanhola Dª Julia Olmo y Romero, em Luanda, e do seu colega angolano em Madrid, Sr.Victor Lima, para melhorar as condições de cooperação política, cultural e comercial entre ambos os países.

Redação

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