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Entrevistas

Patrice Trovoada: «Angola está preparada para dar saltos ainda mais altos»

| Editoria Entrevistas | 24/06/2015

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O primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, Patrice Emery Trovoada, considera que Angola é experiente, conhece o resultado de um conflito armado e, com a sabedoria política e a qualidade humana do Presidente José Eduardo dos Santos, se tornou num país fazedor de paz.

«Angola é estratégica, por aquilo que pensamos que podemos fazer juntos hoje, amanhã e depois de amanhã»
(DR)

Em entrevista à agência Angop, na capital santomente, em alusão aos 40 anos de independência de Angola, Patrice Trovoada disse que o país tem também uma grande experiência militar no continente, pois há poucos exércitos como as Forças Armadas Angolanas (FAA), quer na defesa e segurança quer na manutenção da paz.

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Angop: Senhor primeiro-ministro, que avaliação faz da luta anticolonial da República de Angola e de outros dos PALOP?

Patrice Trovoada - Considero sempre que um homem só depois de se pôr de pé é que é um verdadeiro homem. Por isso, o facto de um povo se levantar contra a opressão e o colonialismo, para tomar, nas suas próprias mãos, os seus destinos, é um motivo de orgulho e de afirmação. Quero dizer que, para nós, Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), foi determinante esta tomada de posição de arrancar a nossa independência. A independência da maioria dos países africanos foi dada e, no caso dos PALOP, foi arrancada a fogo. Daí que nós devemos orgulhar-nos por termos conseguido libertar as nossas terras. É evidente que foi com muito sacrifício, a perda de muitas vidas humanas e o desaparecimento de muitos quadros e muitos talentos, o que se poderia ter evitado, mas a liberdade não tem preço.

Angop: Ao dizer que a independência não foi dada, mas arrancada, significa que foi necessária a luta?

PT - Sim, foi necessária a luta. Mas essa luta também ajudou a construir o pós-independência, porque o sentimento nacionalista, patriótico e de camaradagem entre os homens é sempre necessário, mesmo depois da guerra. Por exemplo, comparativamente, em São Tomé e Príncipe, onde não houve luta armada, a solidariedade entre os homens e o espírito de sacrifício não é tão forte como em Angola. É verdade que a luta, ou estar na mesma trincheira de combate, cria também condições para que, em tempo de paz, as pessoas possam continuar com a solidariedade de construir um país forte, que é o caso de Angola.

Angop: Gostaria que fizesse uma avaliação do percurso de Angola ao longo dos 40 anos de independência.

PT - Houve um momento em que Angola, provavelmente, tinha que se libertar uma segunda vez. Houve a libertação do colonialismo português e depois Angola tinha que se libertar de outras influências externas, de uma guerra que já não era sua, que era a guerra entre as grandes potências pela cobiça, para a conquista das riquezas de Angola. No meu entender, na primeira fase, da luta contra o colonialismo, os angolanos estavam a lutar com um inimigo bem identificado. Mas, na segunda, o inimigo já era mais complexo. Considero que a primeira fase dos 40 anos contribuiu para a afirmação política de Angola como Estado, e permitiu também criar uma das instituições fundamentais para um Estado, que é o sistema de defesa e segurança. Conseguida a paz, esta questão permitiu a Angola começar a afirmar-se no domínio económico, fundamentalmente, mas não só, porque tem tido um grande avanço nos domínios cultural e da identidade. Hoje, Angola não é só conhecida pelo seu petróleo e os seus diamantes, mas também pela sua música. Já estamos a conhecer Angola pelo seu cinema. Quer dizer que Angola aparece como um país muito jovem, muito dinâmico.

Angop: Terminada a guerra, Angola vive, há 13 anos, num clima de paz. Que futuro prevê para este país?

PT - Eu penso que Angola está no bom caminho. Toda esta caminhada, até a conquista da paz, fortaleceu Angola em vários aspetos, fazendo com que o país tenha pela frente um grande futuro. Nós começamos a assistir à diversificação da economia angolana, pois hoje fala-se muito da agricultura e, se olharmos para o caminho que Angola está a seguir, eu diria que está a recuperar do ponto de vista económico. Angola já foi tida como agrícola, mas tudo está de volta de novo. É um país de futuro e os angolanos devem abraçar a estabilidade.

Angop: Disse que Angola é um país de futuro, será promissor esse futuro?

PT - Acredito que sim. Penso que é um país jovem, e está a formar muitos quadros, a diversificar a sua economia e a consolidar as instituições democráticas. Tem uma população que está a crescer e um território grande, ainda por povoar, daí que acredito num bom futuro para Angola.

Angop: Como classifica o papel da diplomacia angolana na pacificação de conflitos no continente?

PT - O papel de Angola é fundamental, porque tem experiência de conflitos. Sabe quanto custa um conflito, daí que seja um fazedor de paz. Angola sabe muito bem gerir e podemos reconhecer que o Presidente José Eduardo dos Santos soube gerir bem a vitória, conseguindo, de facto, fazer com que o fogo cessasse e não deixando que pequenas bases pudessem reacender. Acho que isso é um marco de alguma sabedoria política e de qualidade humana que, traduzido na diplomacia, leva a que Angola possa aconselhar outros países a procurarem a paz. Angola também tem uma grande experiência militar. No continente, há poucos exércitos que tenham a experiência do exército angolano, e eu diria que, quer na manutenção da paz, quer no seio das forças de defesa e segurança angolanas, há competências que servem de facto a diplomacia angolana.

Angop: Que avaliação faz das relações de cooperação Angola/São Tomé e Príncipe?

PT - As relações políticas são boas. Não podemos questionar,  são mesmo excelentes. As relações económicas poderão ser melhoradas, porque temos uma relação com a Sonangol. Existem ainda várias áreas que podemos desenvolver, como a do turismo ou a imobiliária. Há mercado para desenvolver a imobiliária em São Tomé e Príncipe. Há oportunidades de investimentos cruzados entre os dois países. Queria referir-me à agricultura, que é também aqui um potencial. Não em termos de quantidade, mas em termos de qualidade, nomeadamente no caso do cacau. O nosso cacau tem sido bastante apreciado no mercado internacional, daí que Angola e os angolanos possam provavelmente investir em São Tomé e Príncipe em condições bastante razoáveis de rentabilidade.

Angop: Quais são os principais investimentos de Angola em São Tomé e Príncipe e vice-versa?

PT - Em Angola nós não temos investimentos, temos sim santomenses residentes e que desenvolvem lá as suas atividades, uns com algum sucesso. Aqui, Angola tem o maior investimento através da Sonangol, que é na distribuição de combustível. Temos angolanos que investiram no domínio imobiliário, na agricultura e na indústria. As coisas estão a crescer.

Angop: Então os investimentos angolanos tendem a aumentar?

PT - Sim, tendem a aumentar. Queremos mais investidores angolanos, daí que tenhamos de trabalhar para melhorar a nossa oferta. Temos consciência de que, do nosso lado, temos que ser bastante atrativos, porque o angolano, para vir investir em São Tomé e Príncipe, embora seja um país perto, quer pela cultura, quer pela geografia, tem de encontrar condições mais atraentes.

Angop: A Lei de Investimento Estrangeiro facilita?

PT - Nós estamos a rever o código de investimento. Mas já fizemos revisões também a nível bilateral. Há algumas vantagens, ainda particulares, porque o angolano, para investir em São Tomé e Príncipe, tem que se sentir como se estivesse a investir no seu país.

Angop: Como estão as trocas comerciais entre os dois países?

PT - Há poucas. Temos problemas nas ligações marítimas. Mas creio que, nos próximos meses, teremos algumas embarcações que irão facilitar essas trocas entre São Tomé e Luanda.

Angop: De onde são provenientes as embarcações?

PT - Da Europa, e chegam ainda antes do fim do ano.

Angop: Qual é o volume de negócios entre os dois países?

PT - Temos o do combustível, que é significativo. É preciso ver que a energia no país é produzida a partir do gasóleo. E os carros andam aqui com gasóleo e gasolina angolana. Por isso, estamos a falar de vários milhões de dólares.

Angop: Considera Angola um país estratégico para São Tomé e Príncipe?

PT - Todos os países são estratégicos. Por isso, Angola é estratégica, por aquilo que pensamos que podemos fazer juntos hoje, amanhã e depois de amanhã. Com outros, faremos outras coisas.

Angop: Depois de chegar ao cargo de primeiro-ministro, a sua primeira viagem ao exterior foi a Angola. Porquê essa escolha?

PT - Escolhi Angola por duas razões: pessoal e política. Como já disse, há uma grande sabedoria política e diplomática do Presidente José Eduardo dos Santos, que, com a sua maneira de pensar e de agir, permitiu que as eleições aqui se realizassem da melhor forma e que toda a gente participasse nelas. E por isso eu tinha um dever moral de, primeiro, agradecer ao Presidente, e de, segundo, reforçar as relações.

Angop: E uma mensagem para o povo angolano, que no dia 11 de novembro vai comemorar o 40.º aniversário da proclamação da independência?

PT - Os 40 anos de independência são interessantes, embora sejam celebrados num momento de crise económica, em que o preço do petróleo está muito baixo. Do meu ponto de vista, quero dizer que o futuro de Angola está nas mãos dos jovens. O futuro será aquilo que eles pretenderem, e, se pretenderem um país a crescer, um país em paz, um país alegre e um país moderno, assim será Angola. Não há razões para que seja o contrário. É preciso acreditar e, digo, sem sombra de dúvidas, que Angola está preparada para dar saltos ainda mais altos.

Redação com Agência

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