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Celebrar refletindo

Conceição Lima | Editoria Opinião | 01/07/2015

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A 12 de julho, São Tomé e Príncipe vai comemorar o quadragésimo aniversário da proclamação da sua independência. Naquela memorável data, disse a poetisa*: «Na grande praça do povo, clarins em regozijo ressoam, soltando amarras. Ó povo do meu país, o hino da independência, cala fundo, cala fundo…».  

Com o ímpeto de um rio caudaloso que demolira as margens, o povo da mais pequena das então colónias portuguesas saíra à rua dia após dia, incessantemente, reivindicando nada mais, nada menos do que «a independência total e imediata». A muito minoritária corrente federalista não chegou, sequer, a conquistar um espaço para os seus argumentos. Foi rapidamente abafada pela eufórica, tumultuosa e inquebrantável coesão da esmagadora maioria. A ascensão da bandeira nacional, pela primeira vez, na praça desde então chamada da Independência, é gravada para a posteridade pela voz do saudoso José Aragão e o seu conjunto Os Úntués, na icónica canção ‘Ola bandela subli' (Quando se hasteou a bandeira). 

A comissão nacional das celebrações esmera-se para conferir à efeméride a especial e acrescida solenidade exigida pela redonda soma de quatro décadas. Haverá conferências, sessões de artes plásticas, mobilização dos grupos culturais. Em plena semana dos festejos, acontecerá a I Gala do STP Music Awards, reunindo os mais celebrados nomes da música são-tomense. 

Como que soltando asas aos sonhos ainda adiados, crianças de diversas escolas serão protagonistas de uma largada de papagaios na Praça da Independência. Haverá o tradicional banquete oficial. Na manhã do dia 12, na histórica praça onde o almirante Rosa Coutinho transferiu os poderes para a Assembleia Constituinte na pessoa do seu presidente, Nuno Xavier Daniel Dias, juntar-se-ão os mais altos dignitários da nação, encabeçados, mais uma vez, pelo Presidente Manuel Pinto da Costa, para o solene ato central das comemorações.  

Contrariamente aos últimos anos, as comemorações dos 40 anos deverão ter uma condigna assistência popular. Virão de todos os distritos para convergir na mesma praça-berço, o local onde o país nasceu há quarenta anos. A 12 de Julho de 1975 celebrou-se, com júbilo e coesão, a conquista de um objetivo comum. A 12 de julho de 2015, o mais otimista dos balanços dificilmente poderá ignorar as fraturas e clivagens que crispam e eriçam a sociedade são-tomense a um nível não justificável com as divergências, diferenças e disputas inerentes à natureza do jogo democrático. A maioria dos que irão à Praça da Independência no dia 12 de Julho não tinha nascido em 1975. Jovens, muitos dos quais fustigados pelo desemprego e pela incerteza quanto ao futuro, familiarizaram-se com as táticas eleitorais oportunistas ao serviço da mera alternância do poder, com o individualismo exacerbado que substituiu os ideais coletivistas, com a lógica clientelista da gestão do poder pelas diferentes forças políticas, com uma cultura que não responsabiliza os governantes eleitos e os decisores públicos, uma sociedade civil que dá ainda os primeiros passos. Esses jovens não conheceram o modelo Partido-Estado; são filhos de uma liberdade que se traduziu, progressivamente, na desintegração da autoridade de um Estado ao qual não reconhecem grande idoneidade nem integridade. 

E contudo deve-lhes ser dito que, em 1975, havia no arquipélago apenas uma médica são-tomense. Agrónomos, dois. Nenhum economista, nenhum gestor de empresas, três ou quatro juristas, todos no estrangeiro. Nestes anos, formaram-se contingentes de quadros oriundos de todos os estratos sociais. O paludismo, a principal causa de mortalidade e de morbilidade em 1975, está hoje em fase de pré-erradicação. No setor da Educação, São Tomé e Príncipe destaca-se na sub-região, com o Ensino Básico a cumprir as metas dos Objetivos do Milénio e a taxa de alfabetização acima dos 80%. O país adquiriu a capacidade de formar quadros universitários. Se estes exemplos ajudam a conter um pouco os balanços catastrofistas, alertam, simultaneamente, os são-tomenses para o longo caminho a percorrer. Porque cerca de 95% do orçamento geral do Estado continua a depender de ajudas externas, apesar da enorme potencialidade de setores como o turismo e o mar. Porque os são-tomenses, sem porem em causa a conquista da independência política, permanecem de olhos postos no futuro que lhes cabe, hoje, amanhã e depois de amanhã, construir.

*Alda Espírito Santo

Conceição Lima

[Texto publicado na edição N.º 98 da revista África21]

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