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Alberto Mendes: «Juntos, podemos caminhar pelos nossos próprios pés»

| Editoria Entrevistas | 31/08/2015

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Alberto Mendes é o Coordenador Nacional da iniciativa Fórum Angolano dos Jovens Empreendedores – FAJE. Esta associação juvenil, apartidária e sem fins lucrativos, foi criada em 2010, com o propósito de despertar a juventude para o empreendedorismo, e começa agora a colher os frutos do seu trabalho no terreno, ganhando maior visibilidade junto das instituições públicas e privadas e principalmente junto da camada jovem do nosso país.

«Existe, por exemplo, um enorme potencial na estratificação clara das redes grossistas e retalhistas»
(DR)

Nesta entrevista, Alberto Mendes, engenheiro de profissão, traça um curto percurso da associação e dos seus desafios e anuncia o lançamento para breve de uma cooperativa de crédito, de modo a auxiliar os jovens associados do FAJE que pretendam iniciar o seu negócio e/ou desenvolver a sua atividade.

Africa21 - Quais são os principais objetivos do FAJE?

Alberto Mendes: O FAJE foi criado tendo como principal objetivo sensibilizar e consciencializar os jovens angolanos para o conceito e as práticas de autoemprego. Deste modo, consideramos que podemos jogar um papel importante na mudança de mentalidades, usando o empreendedorismo como forma de criação de emprego, permitindo desenvolver o tecido empresarial nacional e como meio de alcançar a diversificação económica. O Estado angolano não pode continuar a ser o maior empregador – daí o Executivo ter lançado o Programa de Desenvolvimento para a Juventude, no qual se inserem medidas de apoio ao empreendedorismo. O FAJE também acredita que esse é o caminho; daí sermos interlocutores entre os jovens empreendedores e instituições e empresas, tanto públicas como privadas.

A21 - Desde a criação, há cinco anos, quais têm sido os projetos e prioridades?

Por considerarmos que não existe empreendedorismo sem formação, começámos primeiro com algumas ações de formação e capacitação dos jovens empreendedores. Quisemos mostrar-lhes como está estruturado o mercado angolano, e quais as suas potencialidades. Fizemos diversos seminários, conferências e formações profissionais. Temos como parceiros institucionais o MAPTSS (Ministério da Administração Pública, do Trabalho e da Segurança Social), o INEFOP (Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional), o INAPEM (Instituto Nacional de apoio às Micro, Pequenas e Médias Empresas) ou o BUE (Balcão Único Empreendedor), entre outros. Agora decidimos dar o passo que nos faltava: possibilitar financiamento aos projetos dos nossos associados. Daí a criação da nossa Cooperativa de Crédito.

A21 - O FAJE acabou de organizar a terceira feira regional. É uma etapa mais avançada do Fórum dos Jovens Empreendedores?

Sem dúvida. Organizamos as feiras regionais criando um espaço de expositores, um Fórum/Ciclo e palestras, precisamente para possibilitarmos a interação entre os jovens empresários e empreendedores e as grandes empresas, que são também convidadas a expor. Achamos que o mercado pode ser mais fluido do que aquilo que é hoje. Existe, por exemplo, um enorme potencial na estratificação clara das redes grossistas e retalhistas. Não há uma separação clara. As feiras servem precisamente para clarificar estas e outras questões. Aproveitamo-las sempre para tentarmos explicar junto das grandes empresas a mais-valia de algumas das suas atividades serem praticadas não por elas mas por micro ou pequenas empresas de jovens. Esta é uma forma de autoemprego que começa a ser implementada cada vez mais.

A21 - E não se considera que as grandes empresas possam temer pela concorrência?

Não. Essas micro ou pequenas empresas de jovens nunca seriam concorrentes. Pelo contrário: a prática inclusive tem demonstrado que os clientes das grandes empresas ficam satisfeitos com os serviços prestados, pois são mais céleres e eficientes. As grandes empresas passam desse modo a ocupar o seu devido espaço e as micro e pequenas empresas acabam por ocupar um lugar próprio; há como uma complementaridade. Por isso mesmo, consideramos necessário estruturar-se melhor o mercado.

A21 - Constituir empresas em Angola sempre foi complicado. A nova lei de simplificação e de redução dos encargos na constituição de empresas pode acabar com esse «mito»?

Com certeza. O Estado percebeu isso e legislou no sentido de criar mecanismos para facilitar a constituição de novas empresas. Até porque não podia implementar medidas conducentes à prática do empreendedorismo sem resolver essa questão. Agora os processos estão muito mais facilitados, até porque, sendo o objetivo principal e fundamental o de fomentar mais emprego, o Estado tem perfeita noção de que não é possível levar avante esta missão sozinho – daí tudo ter sido simplificado.

A21 - Depois das feiras, quais serão as outras etapas do FAJE?

Estamos agora virados para soluções práticas. Vamos iniciar a organização da Feira Regional de Benguela, que irá ter lugar nos dias 23 e 24 de outubro, e pretendemos avançar com algumas ações de formação. Ao mesmo tempo iremos lançar a Cooperativa de Crédito do FAJE.

A21 - Como é que vai funcionar essa cooperativa? É uma espécie de banco virado para concessão de créditos?

É um processo complexo, que estamos agora a finalizar. Em linhas gerais, a cooperativa funciona como um veículo de poupança dos associados. Será com essas poupanças que nos poderemos então autofinanciar. A cooperativa será alimentada pela joia dos associados, por contribuições e por outras participações. A seu tempo iremos desenvolver e esclarecer melhor como vai funcionar a Cooperativa de Crédito. Para já, fica assente que é uma instituição financeira sustentada pelos associados, como já referi.

A21 - Será então uma Caixa de Poupança?

Trata-se de um produto financeiro ajustado a nós, jovens sem património, para iniciarmos um negócio.

A21 - Será na cooperativa que vão investir todas as atenções de agora em diante?

Todas, não direi, mas dada a complexidade de uma instituição deste nível com certeza que muita da nossa atenção terá de estar canalizada para o arranque, em breve, deste projeto. Até porque não podemos descurar as outras atividades que concorrem para materializarmos os objetivos do FAJE. Depois de lançarmos a Cooperativa de Crédito, vamos, inclusive, trabalhar em formações na área do coaching.

A21 - Coaching pressupõe acompanhamento dos empreendedores que beneficiem do crédito?

Sim. Dos empreendedores nossos associados e daqueles que se pretendam associar a nós e que apresentem um projeto de negócio para financiamento da nossa cooperativa. Queremos dotar os nossos empresários e empreendedores de todas as ferramentas, de modo a evitarmos o desaparecimento e o insucesso das suas empresas e dos seus projetos de negócio. Se entendermos bem, estamos a trabalhar em três ideias: preparação para o negócio, financiamento (que, se tudo correr como prevemos, será a partir de dezembro) e, no fim, o acompanhamento dos financiados e dos seus respetivos projetos.

A21 - Qual tem sido o apoio do Estado e/ou dos governos provinciais?

R: Nós queremos apenas o apoio institucional. Queremos que, sempre que tivermos de realizar uma feira, possa existir a colaboração dos governos provinciais. Por exemplo, através da cedência do espaço, de iluminação pública e de segurança. Esses são os apoios de que necessitamos, e temos tido, felizmente, boa resposta por parte da maioria dos governadores das províncias envolvidas na organização das nossas feiras.

A21 - Como podem os jovens juntar-se à vossa iniciativa?

Basta associarem-se. Não há burocracia. O principal requisito é ser empreendedor. Existimos desde 2010, e já contamos com mais de 2 mil associados. Saliento que muitos desses jovens têm sido os voluntários que trabalham na organização das feiras e de todos os eventos do FAJE. Estamos no bom caminho e abertos a todos os jovens que se reveem nos nossos propósitos. Para todos eles o FAJE tem a sua porta aberta.

Redação

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