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A Centésima Edição

Conceição Lima | Editoria Opinião | 02/09/2015

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Era Londres ainda a minha transitória morada, longa transitória morada, quando o Carlos Pinto Santos me telefonou, um dia, estendendo-me um convite: ser cronista residente da então nascente revista África21. João Melo, amigo dos bons e maus momentos, companheiro das lides literárias e colega de profissão, havia já suscitado a minha adesão a um projeto jornalístico que nascia, no dealbar do novo século, inspirado por uma visão lúcida, dinâmica e moderna, apoiado, nos PALOP e não só, por uma equipa que me merecia todo o respeito e confiança. No painel de cronistas sobressaíam referências literárias como Mia Couto, Pepetela e Germano Almeida. Tornei-me apreciadora dos textos de Luiz Ruffato, Luís Cardoso e José Carlos de Vasconcelos. 

Maria Odete da Costa Semedo pertence a essa família. Às vezes, nas suas crónicas, ouço o trinado do tchinchor suavizando as dores de uma certa angina de peito há muito diagnosticada por Nazim Hikmet. Certo dia, aqui, escrevi-lhe uma carta na qual comparava as enormes e luminosas mangas da sua Guiné-Bissau com as também luminosas mas pequenas mangas do meu país, que fazem lembrar corações de pomba. Disse-lhe então e volto a dizer-lhe agora, que ela e todos os seus irmãos e irmãs serão muito bem-vindos às ilhas que são a minha casa. Mas disse-lhe mais: disse-lhe que será na sua amada Bissau que nós, um dia, comeremos o bagre com as mãos nuas e beberemos o fresco vinho da palma, sentados em roda. A Carta a Maria Odete da Costa Semedo, escrita a partir de Londres aquando de uma das cíclicas crises que têm abalado o seu país desde a independência, foi apenas um de vários registos assinados ao longo destes anos. Entretanto, deixei para trás o ordenado bulício, os esplendorosos museus e os severos invernos londrinos e regressei ao meu atlântico lugar, onde o amor do sol é tão intenso que chega a ameaçar, por vezes, a pele das plantas.

Mas onde a chuva é sempre uma dádiva, quantas vezes uma repentina e imparável cascata.

O tempo foi passando e a África21 permanecendo. Aqui deixei fragmentos, modos de olhar e de sentir momentos e eventos, etapas do meu país, coisas da vida. As crónicas sobre o lôgôzo, célebre personagem do folclore são-tomense que passa de guardião a usurpador, foram, simultaneamente, elogiadas e detestadas. A carapuça parece ter servido a uns quantos.

Aqui também celebrei. Por exemplo, os oitenta anos de Alda Espírito Santo, a sempre lembrada matriarca das letras e da nação, mestre querida, rara referência congregadora de um país prenhe de recursos, porém adiado devido à constante instrumentalização de quezílias e questiúnculas. Um país em busca ainda da justa e certa direção do seu remo, quarenta anos passados sobre a independência. 

Registado ficou ainda, em 2014, a bem organizada mobilização da sociedade civil contra a selvática desflorestação do extremo sul da ilha de São Tomé pelo projeto Agripalma. De permeio, a dádiva de certas vidas, em despedidas que gostaria de nunca ter escrito: a Teta Lando, cujas canções ressoam nos pátios da nossa adolescência; a Alda Espírito Santo; a Francisco da Silva, Presidente do parlamento nacional, cujo exemplo de retidão reclama seguidores. A José Aragão. E a Nelson Mandela, o libertador, estrela de África, torre de resistência e humanismo, planetária luz.

Ao longo desta trajetória, a revista África21 tem vindo a acompanhar e a refletir momentos marcantes e as dinâmicas em curso em África, especialmente nos países africanos de língua oficial portuguesa. Contra o afro-pessimismo, é certo, sem deixar porém de expor entraves e obstáculos, desafios a enfrentar e vencer. Pelo desenvolvimento e pela voz livre, pelo presente e pelo futuro. A centésima edição é um marco. Que venham as próximas 100.

Conceição Lima

[Texto publicado na edição N.º 100 da revista África21]

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