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Novas oportunidades para o café africano

| Editoria Suplementos | 09/12/2015

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África produz 12% do café mundial. As suas espécies, muito apreciadas, são cultivadas essencialmente para exportação. Mas o mercado internacional vê-se hoje ameaçado pela queda dos preços e pelos efeitos das alterações climáticas – o que faz deste é o momento-chave para o continente «dar o salto».

Para África enfrentar as flutuações dos preços e tirar o máximo partido do futuro, os mercados internos precisam de se desenvolver e de apostar nas espécies de maior qualidade
(DR)

Em 2014, o preço do petróleo entrou em queda. O maior exportador do mundo, a Arábia Saudita, aumentou a produção. Manteve assim a sua quota de mercado, em vez de seguir o rumo habitual – baixar a produção e aumentar os preços. Agora que passou sensivelmente um ano, a história é idêntica, só que desta vez com o café. Os preços caíram; a Colômbia (o terceiro maior produtor do mundo, depois do Brasil e do Vietname) anunciou que iria aumentar as exportações para fazer face a essa queda; e os preços caíram ainda mais. Só que o El Niño também entrou nas contas, baixando a qualidade do café colombiano. Ao mesmo tempo, o Arábica (de origem etíope) ficou, no Bloomberg Commodity Index, entre as 22 matérias-primas que mais desvalorizaram, perdendo 24% do seu valor em 2015, e o Robusta caiu 16%.

Para África, a curto prazo as notícias podem não ser boas. Os produtores do continente – como a Etiópia, o Uganda, a Costa do Marfim ou o Quénia – vão sofrer os efeitos da queda dos preços, e isto numa altura em que a crise do petróleo já dificulta as contas e em que o El Niño causa nestes países prejuízos ainda maiores do que os sentidos na Colômbia. Espera-se, por exemplo, que as chuvas intensas no Quénia e no Uganda afetem gravemente os cultivos, não só pela água em excesso mas também por fungos que atacam o café quando a precipitação é muito forte. E há ainda que ter em conta que a produção africana é reduzida, representando apenas 12% do total mundial – ainda que os apreciadores de café nunca dispensem os seus grãos, premiados com frequência.

Mas a longo prazo a «vida» do café africano pode ser diferente. A nível global, é esperado um aumento da procura, sendo que em 2030 o consumo de café no mundo terá aumentado num terço, para 200 milhões de grãos; mas, para África enfrentar as flutuações dos preços e tirar o máximo partido do futuro, os mercados internos precisam de se desenvolver e de apostar nas espécies de maior qualidade.

O Ecobank diz que há duas chaves para o crescimento e a revitalização do setor em África: o aumento do consumo doméstico e o desenvolvimento das redes de venda. Mas, a respeito do consumo em solo africano, a «má notícia» é que só na Etiópia é que este é relevante. O hábito não está instalado em mais nenhum país do continente. Quem cultiva café cultiva-o para exportação. E mesmo no caso da Etiópia, onde cada pessoa usa em média 2,27 quilos de café por ano, o consumo doméstico fica bem atrás do dos principais produtores. No Brasil, por exemplo, são 6 quilos per capita. E na Europa, que é apenas consumidora, são em média 9 quilos.

Ainda assim, até este fator está a mudar, o que é mais uma esperança para o café africano. A classe média do continente está a habituar-se a consumir a bebida, em parte devido ao aparecimento de redes de lojas quenianas, nigerianas ou etíopes apenas a ela dedicadas. E a gigante mundial Starbucks também já anunciou que vai apostar no continente – inicialmente com lojas na África do Sul, e, mais importante, fazendo os seus cafés com grãos africanos.

Também Afonso Pedro Canga, o ministro da Agricultura, está em sintonia com aqueles que dizem que o futuro do café africano é um mundo de oportunidades. Em novembro, na abertura da 55.ª Assembleia Geral da Organização Inter-africana do Café (OIAC), o governante recordou que o Fórum Global de Café mostrou recentemente que «em 2030 a procura mundial de café chegará a cerca de 200 milhões de sacas, contra os atuais 149 milhões», e frisou que «África deve e pode aproveitar essa oportunidade, fornecendo a maior parte». Para tal, disse, é preciso apostar na competitividade, aumentando os investimentos na pesquisa, na modernização das infraestruturas ou na ampliação das plantações.

Afonso Pedro Canga referiu ainda que atualmente as principais preocupações do setor em África se prendem com a mão-de-obra, e também que as mulheres têm desempenhado um papel fundamental na atividade produtiva – ao passo que a juventude, da qual, segundo o ministro, depende «o futuro da cafeicultura africana», tende a abandonar o cultivo do café.

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O futuro do café angolano

O governo quer relançar o cultivo do café. Esta política passará, explicou Afonso Pedro Canga na 55.ª Assembleia Geral da OIAC, por apostar no setor junto das famílias rurais e também por renovar as plantações já existentes, com o objetivo de aumentar a produção. Paralelamente, pretende-se apoiar a investigação na área e dar assistência técnica aos produtores, tendo como última meta a exportação.

Para estas medidas poderem avançar, a cadeia produtiva nacional do café precisa de financiamento. O ministro da Agricultura diz que o Executivo espera contar para tal com o apoio da OIAC, do setor privado, de instituições de cooperação ou de bancos regionais, por exemplo. 

«Os problemas que a guerra provocou no país não deixaram de fora o setor agrícola, em geral, e o cafeícola, em particular, sendo este mesmo dos mais afetados», frisou o governante.

Já Josefa Sacko salientou em julho que, além do cultivo, a transformação do café deve também ser uma prioridade nacional. A ex-secretária geral da OIAC disse que Angola só tem de assegurar uma transformação de qualidade do café solúvel, porque há mercado para exportar a sua produção – nomeadamente para os países da SADC, com 160 milhões de potenciais consumidores.

Ana Trindade

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