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Crónica de São Paulo do Brasil

Pepetela | Editoria Opinião | 10/12/2015

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Estou numa esplanadinha de canto, entre duas ruas calmas de Vila Mariana. Calmas, ponto e vírgula. Foram há momentos, quando escolhi este bar. Entretanto, chegou o camião com as bebidas e seu barulho de manuseamento. Realmente também acho que precisavam da logística, pois pedi café e não tinham, cervejas das marcas que conhecia também não, arrisquei aceitar uma que me propuseram e até foi conselho avisado, é excelente. Não vou dizer a marca, não por questões parvas de evitar publicidade gratuita, toda a minha vida fiz publicidade que aproveitou a outros e nunca cobrei. Já me conformei: quando tiver idade suficiente para entrar nessa escola, vou fazer curso de empreendedorismo. Ainda não tenho seis anos nem estou na primária, onde agora é moda ensinar essas matérias. Por isso, sou fraco empreendedor, não sei vender imagem de escritor sofrido e olhar de pensador das volutas do tempo em fotografias com punho em baixo do queixo.

De facto, estar a escrever em São Paulo num bar de esquina, em passeio ocupado por esplanada, com chuva caindo ao lado e algum frio, bebendo cerveja de família alemã do Rio Grande do Sul, tem algo de estranho, como se fosse jornalista, esses seres de eleição que até escrevem na escada que dá acesso ao avião. Tenho inveja deles, porque conseguem alinhar ideias em qualquer situação, pelo menos a acreditar nas séries de televisão e no que dizem meus amigos cronistas. Como eu não sou cronista, esta experiência de tentar alinhar ideias num bar mais ou menos calmo, entre duas ruas em que o interesse está nos esguichos de água que os carros atiram para a minha mesa, sempre apressados, mesmo se chove, mesmo se há passagem de peões que ninguém respeita… ah!, agora sim, me lembrei de Luanda, não sei porquê, pois na nossa Nguimbi todos respeitam os peões, aliás, todos respeitam tudo, a começar pelo nosso governo que respeita os direitos dos cidadãos, todas as leis e convenções, um exemplo único no mundo civilizado (porque do outro nem vale a pena falar), e nunca vi peão atropelado numa passagem por um kupapata mais acelerado, deve ser mesmo o único país do mundo em que os kupapatas saem das motos para ajudar velhinhos a atravessar estradas e os carros evitam as poças de água só para não molharem transeuntes… Miragens!

Tentava dizer quanto é interessante escrever numa mesa de bar na balbúrdia de São Paulo, bebendo cerveja porque café não há, chovendo de forma moderada, numa tarde sombria, podendo escolher o lugar porque as mesas estão vazias. Vão ser disputadas mais tarde porque haverá futebol. Neste momento, o barulho da televisão ainda é abafado pelo dos carros e motos. Medida interessante foi essa de diminuírem a velocidade máxima para 50 km por hora (antes era 60) nas ruas da urbe, medida que, dizem os apresentados como entendidos (um dia serão contraditos por outros mais entendidos, mas são todos sábios e «expertos» agora) vai diminuir o número de acidentes e melhorar o tráfego, parecendo isto aberrante, como é que andando mais devagar o trânsito flui mais facilmente, mas os «expertos» sabem mesmo, podemos acreditar…

Este Brasil é tropical, pelo menos tem também essa parte, além de equatorial e temperado, só lhe falta o glaciar, quer dizer, quase todo o hemisfério sul e uma pernada do norte entra neste país. Enquanto no norte e nordeste se torra ao sol, aqui no sul começa a refrescar, o que significa que o muangolê, ou passa para bebidas mais quentes que cerveja, ou dá o fora para casa. E acaba com essa brincadeira de escrever na rua. 

Vou só derrotar o resto do copo.

Pepetela

[Texto publicado na edição N.º 103 da revista África21]

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