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Paris resiste...

José Carlos de Vasconcelos | Editoria Opinião | 10/12/2015

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 A importância da poesia, da literatura e da arte na nossa vida mede-se, creio eu, pela forma como nos acompanha ao longo dela, no dia-a-dia, nas boas e más horas. Como diz ou nos diz o que não somos capazes de dizer. Sentimentos e pensamentos que nos vêm à flor da memória, versos de um poema, sons de uma música, imagens de um filme, formas e cores de uma pintura. É assim em relação a tudo. Incluindo às cidades. Casablanca: ouvimos estas quatro sílabas claras e o que de imediato nos ocorre não é a maior cidade de Marrocos mas o filme com Bogart e Bergman, cuja ação aí se passa em 1942, sob o domínio nazi; e a cena em que se canta a «Marselhesa» (no Portugal do fascismo chegou a acontecer a plateia emocionadamente se levantar também a cantá-la!)  

Ao chegar a Xangai eu pensava... na Dama de Xangai, de Orson Wells, que a única coisa que tem a ver com a gigantesca urbe chinesa é ter ido dela para Nova Iorque (NY) o casal «central» da fita. E, mudando para a música, em NY em mais do que uma ocasião não me largava o ouvido a famosa New York, New York, sempre na versão de Liza Minnelli, seguramente por causa do filme de Martin Scorsese em que a interpretou, e nunca na de Frank Sinatra. E ainda hoje me sucede, na cidade que adoro e onde já fui dezenas de vezes, ao descer no seu aeroporto começarem a soar-me por dentro as cantigas do génio que hoje lhe dá o nome, Tom Jobim, e muitas outras, do Chico ao Gil daquele «Abraço»: «O Rio de Janeiro continua lindo». 

No Brasil, aliás, a música acompanha-nos em todos os sítios. E em muitos deles versos e prosas também. No Rio, de Drumond ou Vinicius a Bandeira e Rubem Braga. Em Salvador da Baía, a presença dominante e sempre viva para mim é a do meu querido Jorge Amado. No Recife, lá estão Bandeira e João Cabral: na primeira visita andei à procura das Ruas da União, do Sol, da Saudade, da Aurora, a cuja evocação sempre volto, bem como à do Capiberibe e do Biberibe da geografia cabraliana. 

Tudo isto para chegar à terra que tem sido das mais, ou a mais, tema e musa de escritores e artistas: Paris. Além de ser, para os da minha geração e de um país quase meio século sob o jugo da ditadura, um símbolo de liberdade, que de par com a igualdade e a fraternidade constituiu a emblemática trilogia de valores e aspirações da sua Revolução. Estive em Paris em janeiro, logo a seguir ao ataque à redação do Charlie Hebdo, e voltei a estar logo a seguir à negra sexta-feira, 13 de novembro, em que novos atentados terroristas fizeram 129 mortos e mais de 350 feridos. Das duas vezes, da segunda ainda mais do que da primeira, com a cidade em estado de luto e choque, me acompanharam – e me «fizeram bem» – os poetas, os escritores, os cantores, os artistas de Paris.  

Levaram-me a recordar os períodos áureos da sua história, mas também os mais negros, como o da ocupação nazi. E, neste, sobretudo as vozes dos poetas da resistência, em particular Aragon e o Éluard, de que tantos versos de luta e esperança soube de cor. A recordar um escritor parisiense por excelência, Jacques Prévert, e o seu La Seine a rencontré Paris na bela curta-metragem Joris Ivens. E a ouvir, por dentro, entre outros, inesquecíveis cantores/trovadores como Yves Montand, Léo Ferré, George Brassens, Charles Aznavour, Serge Reggiani ou Jacques Brel, cuja canção Quando só temos o amor foi a interpretada na homenagem às vítimas dos atentados.   

A recordar até Paris é uma festa, de Ernest Hemingway, memórias dos tempos alegres que o grande romancista norte-americano aí passou em 1920. E que, só o soube depois, teve exemplares colocados entre as flores e as velas que encheram os passeios em frente dos lugares dos atentados, com cidadãos a exibirem-no nas mãos durante o minuto de silêncio nacional em homenagem às vítimas, passando a ser o livro mais vendido do seu género no site Amazon. Lembrando o título de um dos muitos filmes de que a capital francesa é personagem central, Paris é (e será) sempre Paris.

José Carlos de Vasconcelos

[Texto publicado na edição N.º 103 da revista África21]

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