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Atenção aos números!

Odete Costa Semedo | Editoria Opinião | 10/12/2015

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O mundo e as várias culturas habituaram-nos a olhar sempre com bons olhos o ano novo, sobretudo quando estamos diante de aberrações e de violências que nos afrontam. O fim do ano chega a confundir-se com o fim da desgraça que a muitos assola.

Aqui, pelas nossas bandas, e porque a chuva já lavou as cruzes de todos os santos, pintam-se e lavam-se as casas. Tudo deve parecer novo, para afugentar o ano vadio! Convida-se o vizinho que vive longe da família a partilhar a mesa e o acepipe da festa, ainda que não saibamos se o manjar composto com algum carinho será apreciado. Na mente de quem dá, aquele simples gesto deixa-o em paz consigo. Tudo porque há um momento a ser vivido e há um ano que se vai. Um número que se soma na vida de uns e que se reduz na existência de muitos.

E vem a pressa da contagem das horas, dos minutos e segundos, e lá se vai o velho ano. Uma questão de números!

E sobre números, permitam-me uma longa caminhada, apenas para lembrar-me de um homem grande dos tempos muito antigos que deixou um legado à humanidade. Disse que o mundo é regido por números, porque, segundo a sua teoria, o princípio fundamental das coisas é o número, aliás, o princípio de todas as coisas. Pitágoras andou pelo mundo durante trinta anos, tendo percorrido as terras do Egito, da Síria, da Babilónia. E há quem afirme que terá pisado o chão da Fenícia, quiçá da Índia e da Pérsia. E, se fosse substituir as terras por números, seriam simplesmente 1+1+1+1+2, iguais a 3+3 terras por onde o sábio teria andado. E digo que dentre os números, o 3, o terceiro, é o mágico, é o que apela ao nosso sexto e mais sentidos e estará sempre vestido de incógnitas, o que me faz lembrar um dos conflitos vividos na Guiné-Bissau.

Após alguns disparos que se ouviram na madrugada do dia 7 de junho de 1997, as rádios anunciaram uma rebelião militar que seria controlada em 3 dias. E sabem quanto tempo durou? 333 dias. Contei cada dia! E foi apenas uma questão de números.

Recuando no tempo à procura desse número, encontro nos escombros da história, mas ainda a fumegar no meio de um enorme ferro-velho, o terceiro reich do regime nazista da Alemanha. Inventado para mostrar a força da ditadura de Hitler, era o terceiro de um regime que se pretendia milenar, mas que viria a cair aos 13 anos.

Lembro-me que o 3.º milénio teve o seu início a 1 de janeiro de 2001 e vai até 31 de dezembro do ano 3000. Desde o começo do seu reinado que se vivem acontecimentos extraordinários, evoluções tecnológicas, mas a população mundial viveu primaveras, setembro, guerras do Afeganistão, do Iraque e demais conflitos no Médio Oriente, crise e descontrole económicos na Europa e nas Américas, ataques terroristas por quase toda a aldeia global; golpes de Estado nos países africanos e demais teias implacavelmente urdidas para desestabilizar, minar e dominar!

E eu me questiono, mais uma vez! Questiono os números e as suas coincidências (10+3 de novembro em Paris). Questiono a pressa e a falta de paciência das horas que engravidam o ano, não para dar à luz, mas para morrer aos 12 meses de vida.

E mesmo assim, ainda há quem pergunte se haverá uma terceira guerra mundial, sem ter dado conta de que, sendo terceira, ela é subtil, porque não declarada como faziam os bons cavalheiros antes de um duelo. É aterradora porque parece espoletar em qualquer lugar e onde menos se espera. Trata-se de números, minha gente! Ou ninguém se apercebeu ainda? E, nesta matemática, soma o mais astuto, o mais manhoso, valendo-se da fragilidade e do medo do outro para o atacar.

Que mundo é esse, onde se é forçado a temer as coisas boas da vida, como estar na escola, na rua, num bar, num concerto, porque o homem virou caçador do próprio homem?

Que fazer? Desejar, nessa hora, uma boa kambansa e um olhar o novo ano com bons olhos!

Odete Costa Semedo

[Texto publicado na edição N.º 103 da revista África21]

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