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Veneranda

Luís Cardoso | Editoria Opinião | 01/02/2016

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Sempre me curvei perante uma pessoa quando me diziam que era veneranda. Nunca me cruzei com alguém que tivesse como nome Veneranda. Independentemente de ser ou não ser veneranda qualquer pessoa merece sempre o nosso respeito até prova em contrário.

Os pais deram-lhe o nome de Veneranda. No momento exato em que escrevo esta crónica é a atual secretária de Estado para o Apoio e Promoção Socioeconómica da mulher. Um grupo de cidadãos acusa-a de ter colaborado, durante o tempo da ocupação, com os serviços secretos indonésios, a INTEL. Uma organização responsável por torturas, maus tratos e mortes de homens e de mulheres. Muitas são as dores e traumas que ainda hoje perduram. Aconteceu também na Europa. Em França, finda a ocupação nazi, muitos foram acusados de terem colaborado com o ocupante e a algumas mulheres raparam-lhes os cabelos. 

O país já passou por um caso idêntico durante a Segunda Guerra Mundial, quando aquela distante colónia portuguesa foi ocupada por japoneses. Muitos timorenses que colaboraram com os ocupantes, alguns protagonistas de casos de extrema violência como aconteceu com as milícias Colunas Negras, finda a ocupação, foram mandados para o desterro na ilha de Ataúro. Em sua própria defesa, houve quem tivesse testemunhado que foi acusado injustamente por causa de ajustes de contas pessoais para solucionar diferendos que tinham a ver com disputas de terras, de títulos e de propriedades.   

Xanana Gusmão promoveu uma campanha de reconciliação entre timorenses, tendo para isso realizado várias deslocações ao Timor indonésio para convidar os refugiados que lá se encontravam a regressarem. Alguns decidiram regressar, aceitando o resultado do referendo, tendo optado pela nacionalidade timorense e estando dispostos a colaborar com o novo país. Sabiam perfeitamente que nem todas as pessoas estariam dispostas a conviver com integracionistas. O passado, apesar de ser passado, ainda era muito recente.  

Xanana convidou alguns a fazerem parte do Governo. Concessionou algumas das estratégicas atividades, como a energia, a outros, e integrou alegados membros das milícias na sua guarda pessoal. Uma das polémicas acusações que lhe foram feitas mas sem confirmação.   

Acontece que muitas das promessas governativas feitas pelo antigo líder da Resistência Timorense que da Presidência da República passou para primeiro-ministro e se esconde agora numa pasta de menor visibilidade, mas que é de vital importância por ser aquela que decide onde gastar o dinheiro, ficaram por cumprir. O próprio Presidente da República Taur Matan Ruak mostrou o desagrado, vetando o Orçamento de Estado.  

Na ausência de oposição parlamentar, que se contentou com a sua fatia de bolo através da alocução de uma elevada soma de dinheiro para as grandes obras levadas a efeito no enclave de Oecússi, sob a direção de Mari Alkatiri, líder da Fretilin, é a sociedade civil que decide por sua própria conta e risco levantar certas questões, muitas vezes fora do âmbito partidário. Uma das críticas feitas a Xanana Gusmão foi ter chamado para o Governo muitas pessoas ligadas aos ocupantes no âmbito da reconciliação e que estariam viciadas pela forma como se exercia o poder. Em que a tripla KKN, korupsi, kolusi e nepotis, era a norma.  

É neste contexto que se percebe a questão Veneranda. Sendo recentemente nomeada para um cargo de Estado, relacionado com a valorização das mulheres, muitos colocam a questão de ter sido uma das colaboradoras da INTEL, os serviços secretos indonésios, responsável pela forma violenta como muitas mulheres foram tratadas durante a ocupação. Por isso, pedem a sua substituição. Acontece que as provas até agora não foram mostradas. Neste caso, e para o bem da governação, que se faça uma séria averiguação para saber da veracidade das acusações e para que a pessoa em causa possa defender também o seu bom nome.   

Xanana numa das suas famosas frases disse que muitos dos heróis de ontem poderão ser os traidores de hoje. Como a independência é um dado adquirido, irreversível, talvez os traidores de hoje sejam aqueles que lesam os interesses do Estado. Aqueles que durante a governação promovem a tripla KKN, corrupção, conluio e nepotismo. 

Luís Cardoso

[Texto publicado na edição N.º 104 da revista África21]

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