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O Memorial, de novo

Conceição Lima | Editoria Opinião | 01/02/2016

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O anúncio, pelo ministro da Cultura, de que vai ser erguido um novo memorial às vítimas do massacre de 1953, na localidade de Fernão Dias, no norte da ilha de São Tomé, merece aplausos. Foi em 2009 que o então Governo, perspetivando a construção de um porto de águas profundas que nunca chegaria a ver a luz do dia, decidiu demolir o monumento erigido em homenagem aos que, durante a repressão e o massacre de 1953, sofreram e perderam a vida. 

Sete anos transcorreram, entretanto. Ao longo dos quais, o 3 de Fevereiro, Dia dos Mártires da Liberdade e quiçá a mais grave data do calendário nacional, suplantada em solenidade apenas pelo 12 de Julho, o dia da proclamação da independência, passou a ser comemorado com uma réplica, em madeira, do demolido memorial. De pouco valeram as reclamações, as queixas e os protestos da comunidade de Fernão Dias. De pouco valeram o mal-estar e os protestos de amplos setores da opinião pública: a comemoração com uma réplica em madeira ameaçava eternizar-se. Eis senão quando se anuncia um novo memorial, a ser construído no mesmo local. Há quem associe este anúncio e a decisão abrangida, aos enérgicos protestos populares de há um ano, quando o Executivo decidiu, sem qualquer justificação, transferir as celebrações anuais, da histórica praia de Fernão Dias para o Museu Nacional, local muito menos vinculado ao cerne dos acontecimentos de 1953. 

Seja como for, é gratificante saber que vamos voltar a ter um memorial digno e permanente, honrando devidamente os que morreram ou sofreram às mãos dos sequazes do governador Carlos de Sousa Gorgulho, por uma intentona comunista que a própria PIDE admitiria nunca ter existido. Inventona inventada para encobrir os planos de fomento acelerado das obras públicas e de suprimento da mão-de-obra nas roças à custa de trabalhos forçados e uma série de horrores devidamente documentados. Ora, aí chegados, importa dizer que a importância da existência de um memorial não é, para qualquer santomense, questionável, e que a iniciativa do Governo é, repito, digna de louvor. Questionável é a continuação do esquecimento e do apagamento da história, o desconhecimento dos seus protagonistas, uma transmissão avulsa e aleatória do conhecimento nas escolas que em muito pouco contribui para fazer entender por que razão o memorial encerra o significado que lhe é atribuído, o que aconteceu em 1953, por que razão aconteceu e suas repercussões na história da então colónia, hoje nação. 

Há cerca de um ano, entrevistei uma série de alunos e estudantes entre os ensinos básico e universitário sobre as razões das comemorações anuais do 3 de Fevereiro. O grau de desconhecimento era assustador. Vários estudantes universitários nunca haviam antes ouvido falar do engenheiro Salustino Graça do Espírito Santo, o líder nacionalista e maior adversário do governador Carlos de Sousa Gorgulho. Nunca tinham ouvido falar em Carlos de Sousa Gorgulho, nem sabiam relacionar os seus mandatos com o que é hoje a cidade de São Tomé. Desconheciam, por completo, as causas da repressão que culminaria no massacre. 

Ora, o memorial, por si só, não contará a história. E a nossa história deve ser transmitida aos mais jovens, munindo-os de ferramentas que lhes permitam retirar os correspondentes ensinamentos e lições, compreendendo o presente, perspetivando melhor o futuro e estando prevenidos para evitar a repetição dos erros e crimes do passado. 

Uma nação tão jovem e tão frágil não pode incorrer na armadilha de se esquecer da sua história, de permitir que a sua história se desvaneça em poucas gerações. É um imperativo de existência e de sobrevivência. E um desígnio que deve mobilizar, com urgência, os setores competentes do Estado e da nação.

Conceição Lima

[Texto publicado na edição N.º 104 da revista África21]

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