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O “diferente” Presidente Marcelo

José Carlos de Vasconcelos | Editoria Opinião | 01/04/2016

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Para a solene cerimónia da sua posse como Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa chegou ao Parlamento… a pé. Há décadas que ele vive – e vai continuar a viver – em Cascais, na parte antiga da vila, perto do Teatro Gil Vicente, numa casa alugada. Uma casa a três ou quatro minutos da praia dos pescadores, descendo as escadinhas que vão dar ao largo da Câmara, praia onde manhã cedo, mesmo no inverno, costuma ir nadar. Mas Marcelo decidiu que na véspera da posse dormiria as suas cinco horas habituais, se tanto, no andar que era dos pais, muito próximo do Palácio de S. Bento. Assim, não haveria aquele formal cortejo automóvel com batedores, essas coisas: ia a pé. O que sendo simpático e original, tinha um positivo efeito surpresa, permitia um primeiro contacto direto com as pessoas e desde o início marcava as suas diferenças. 

Um bem conseguido «número», na sequência de outros durante a campanha eleitoral. Como esperado, pois entre as características de Marcelo contam-se a fértil imaginação, o ritmo acelerado, por vezes frenético, o gosto de aparecer e manter uma relação próxima com os outros. Assim, por exemplo, logo nos primeiros dias de mandato – 1) abriu o Palácio de Belém e ficou por lá falando com milhares de pessoas; 2) em menos de 24 horas esteve em Roma com o Papa Francisco, e em Madrid com o Rei de Espanha, com quem jantou; 3) mais difícil e singular, convidou o presidente do Banco Central Europeu, Mário Draghi, para participar numa reunião do Conselho de Estado – e ele aceitou!

Marcelo ganhou as eleições quase sem falar de política e sem fazer (uma tradicional) campanha. Quase só a passear-se e mostrar-se pelo país, entrar em cafés, em lojas – até numa funerária! – dizer palavras de circunstância: com uma enorme e simpatizante cobertura dos media, que ele sabe usar como ninguém sem dar ideia de que o está a fazer. Aproveitando a sua grande notoriedade de «vedeta» de televisão, com um programa de comentário político que sob todos os aspetos o serviu: para a generalidade dos cidadãos ele era o «professor», simpático e comunicativo, que até falava dos netos, e não o político, fundador e ex-líder de um partido, o PSD, cujo líder atual, o anterior primeiro-ministro, o considerou um «cata-vento»... O que até acabou por lhe ser favorável, reforçando a imagem de independência, tónica dominante do seu «discurso», nos antípodas do PSD mormente sobre o governo socialista, de António Costa, com o qual, então e agora, tem procurado manter, e vice-versa, a melhor relação e colaboração.

Todos reconhecem a Marcelo as muitas qualidades, de par com alguns defeitos e/ou traços de personalidades pouco recomendáveis para um Presidente. Se conseguir potenciar as primeiras e apagar ou corrigir os segundos, será um muito bom Presidente. Até agora, tem feito tudo bem. E no tal ritmo muito acelerado, porventura difícil de manter. Ser popular, como felizmente é, sem ser «popularucho», e não ter «pose» de Estado, como felizmente não tem, mas, sempre, sentido de Estado, são dois dos seus grandes desafios. 

Para já, a sua eleição e ação contribuíram muito para distender e melhorar o clima político, altamente crispado sobretudo por força do PSD de Passos Coelho, que chegou ao extremo de considerar «fraudulento e golpista» o atual Governo, com maioria no Parlamento e nomeado nos termos constitucionais. E essa era, na minha ótica de «comentador» – o único mais antigo do que Marcelo, disse ele, duas vezes, no seu programa –, a primeira prioridade. Outra prioridade, além da já assinalada de colaboração com o Governo, que Marcelo já indiciou querer concretizar, é a de Portugal afirmar uma voz própria na cena internacional, em particular na Europa, e não ser um simples eco dos poderes dominantes. 

E, já agora, estou certo que valorizará também muito as relações com os países da nossa língua comum e a CPLP. Mas também com voz própria, sem transigir no essencial dos seus valores e objetivos. O que é já outra conversa.

José Carlos de Vasconcelos

[Texto publicado na edição N.º 106 da revista África21]

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