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Turismo: Deserto mais antigo do mundo é em Angola

| Editoria Turismo | 11/04/2016

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Junto à faixa litoral sul, o deserto do Namibe, o mais antigo do mundo, tem um dos maiores potenciais turísticos do país, pela fauna e pela flora da sua envolvência ou pelas seculares tradições dos povos que dele ainda dependem. No entanto, há ainda muito trabalho a fazer.

Na área envolvente, que ocupa um terço de toda a província do Namibe, apesar da secura e da aridez é possível alguma agricultura e pastorícia
(DR)

Álvaro Baptista, operador turístico do Namibe e um dos fundadores do Centro de Estudos do Deserto, explica que todos os anos leva «algumas centenas» de turistas, estudantes ou investigadores a conhecer a área. Muitos mais podiam ser, se tal fosse possível até do ponto de vista legal da atividade, tal como acontece do outro lado da fronteira, onde há milhares de turistas no mesmo deserto.

O deserto do Namibe divide-se em zona de dunas e areias móveis, com cerca de 200 mil hectares, sem água e qualquer tipo de condições para criação de gado ou agricultura. É também por aqui que são facilmente encontrados cemitérios por entre as dunas ou os edifícios do tempo colonial, abandonados e cobertos por areia.

Na área envolvente, que ocupa um terço de toda a província do Namibe, apesar da secura e da aridez é possível alguma agricultura e pastorícia, atividades levadas a cabo pelas ancestrais tribos locais. Pelo meio ficam o parque nacional – que está a ser reabilitado com alojamento, estradas, abastecimento de água e outras estruturas de apoio básico ao abrigo de programas internacionais –, espécies únicas e o sonho de potenciar o deserto para o turismo.

«Tem apenas condições para o turismo [zona das dunas] quando for possível. Porque essas dunas estão no interior do Parque Nacional do Iona e segundo a regulamentação não é possível desenvolver atividades privadas», explica Álvaro Baptista, de 65 anos e com uma vida passada no Namibe, onde construiu um empreendimento turístico e de lazer, na envolvência do deserto.

O responsável defende que as visitas guiadas ao centro do deserto podem ser um dos grandes cartazes turísticos de Angola e sobretudo autossustentado. «Mas para isso é necessário rever a legislação, no sentido de se abrirem algumas áreas, de se reservar uma área para se desenvolverem atividades turísticas, e com essas receitas ajudar à preservação do parque», aponta o estudioso do deserto.

«Isto é um cantinho muito especial e muito diferente de tudo o que há em Angola. Temos uma fauna muito específica no deserto e também há animais que só se encontram aqui, como o suricata, a zebra do deserto ou o órix», sublinha Álvaro Baptista.

A cultura das tribos do deserto do Namibe, com hábitos e formas de viver ou vestir ainda praticamente ancestrais, e totalmente dependentes da pastorícia, é outro dos motivos que explicam o potencial turístico. «A tribo mais representativa do Namibe são os Mucubai, que têm hábitos muito curiosos. São pastores, mas agora já estão a abraçar a agricultura, porque foram quatro anos de seca. A agricultura está a fixá-los e deixam de estar tão dependentes do nomadismo», admite Álvaro Baptista, que, enquanto elemento do Centro de Estudos do Deserto (fundado pelo já falecido Samuel Aço, porventura o maior estudioso local), conhece de perto estes povos.

Redação com Agência

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