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Luís Cardoso | Editoria Opinião | 02/06/2016

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É COM APREENSÃO que vejo a passagem de testemunho da Presidência da CPLP de Timor-Leste para o Brasil, num momento em que aquele grande país se encontra em profunda crise. Quando o embaixador Aparecido de Oliveira e outras personalidades se envolveram na fundação da CPLP, decidiram formar uma comunidade de língua portuguesa e de culturas, tendo por objetivo construir pontes entre os Estados e, com respeito pelas respetivas soberanias, solucionar os problemas conjunturais de cada um. 

O tempo acabou por desviar o espírito purista da coisa, quando os tecnocratas, tentando acertar o passo com a «Era dos Mercados», mudaram de rumo. Os países membros viram a oportunidade da organização servir também de plataforma para grandes negócios. É neste contexto que Timor-Leste assume a presidência da CPLP. Sendo um Estado com recursos petrolíferos assume a economia como o pilar da organização durante o seu mandato. E dá o pontapé de saída com a Cimeira de Díli, patrocinando a entrada da Guiné Equatorial na organização. A comunicação social mostrou Xanana de mão dada com o ditador da Guiné Equatorial. A cimeira parecia inaugurar uma grande era para a CPLP.

Mas o que falhou então? 

Portugal, por causa da sua crise económica e na falta desse recurso natural no seu subsolo que noutros Estados Membros da comunidade é a almofada onde adormecem as cabeças dos estadistas e governantes, parece alheado da CPLP. A única nota relevante que a comunicação social deu foi quando o eleito Presidente Marcelo Rebelo de Sousa visitou a sede da comunidade em Lisboa e, por ser em Lisboa, constitui um entrave para que Portugal seja escolhido para ocupar o lugar de Secretário-Geral. A rotatividade entre Portugal e São Tomé e Príncipe foi a solução.   

Brasil, apesar dos esforços de Dilma e de Lula, está em profunda crise económica e política. As nuvens negras que pairam sobre o futuro do país de Chico Buarque não desaparecerão tão cedo. É caso para temer o que Temer vai fazer da CPLP. Angola tão dependente do petróleo sobe e desce com a cotação do ouro preto. Diversificar é a palavra de ordem. Que seja também na política. Moçambique enfrenta uma grave crise económica e política. Na Guiné-Bissau a crise é endémica desde os tempos da morte de Cabral na luta pela independência. Em São Tomé e Príncipe o bom senso trouxe acalmia política. Timor-Leste, tão dependente de Xanana bem como do petróleo, ainda não encontrou a solução política para se libertar do líder histórico, nem uma alternativa económica para se libertar da dependência do petróleo.  

É em Cabo Verde que mora toda a esperança da CPLP. Sendo um país tão pequeno e tão parco de recursos naturais, soube de uma forma auspiciosa dar um ar da sua graça. Os primeiros-ministros sucedem-se sem nenhum sobressalto. Independentemente de terem sido ou não veteranos de guerra. Até tem um Presidente da República que, entre outras coisas, é um grande um poeta. Com letra grande. Mas qual é o segredo de Cabo Verde? Se os cabo-verdianos me permitem, direi que o segredo está na sua aposta cultural. A sua riqueza cultural que faz dos cidadãos pessoas responsáveis. Quando Xanana Gusmão apostou apenas na economia, declinando a vertente cultural como fator determinante do sucesso da CPLP, que estava dado o mote para fazer o enterro do princípio fundamental que norteou a génese da organização. Acredito que não morrerá. Encontrará formas e fórmulas para resistir. Mas para isso acontecer deverá sair dos gabinetes para o meio da rua. Deixar de lado gravatas, arranjos, benesses e mordomias. Estar onde deve estar. Onde o povo está. O povo que chora, que dança, que canta, que escreve e que lê em língua portuguesa, com distintas cores e tonalidades. Façamos então uma comunidade de povos de língua portuguesa. 

Luís Cardoso

[Texto publicado na edição N.º 108 da revista África21]

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