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Týrannos e turannos

Odete Costa Semedo | Editoria Opinião | 04/07/2016

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Alguém saberá dizer-me porque é que, quando estamos na praia, depois de colocarmos o fato de banho, o nosso primeiro gesto é o de abrir os braços e correr. Correr em direção ao mar com um largo sorriso no rosto, sobretudo quando na companhia de crianças? Acredito que seja a sensação de liberdade, de respirar ar puro, uma atmosfera diferente daquele ar que respiramos e ingerimos todos os dias.

Inalamos gases comandados pelos agentes de contaminação, os poluentes vindos de lixos mal tratados, embora, revestidos de papel vegetal; poluentes saídos de gasóleo e gasolina, em forma de fumos, expelidos pelos diversos tubos de escape; fumos que se vão clareando à medida que espalham os seus malefícios no ambiente comum. Os pulmões sentem-se asfixiados, oprimidos e lesados pela falta de liberdade e de direito de respirarem num ambiente salubre.

Uma pessoa desprevenida, sem noção da capacidade de destruição desses agentes, anda descontraída pela rua e só é capaz de reagir quando o odor é intenso e incomodativo. Nesse caso, há reação: uns comprimem as narinas com o polegar e o indicador, outros, sobretudo as mulheres, tapam o nariz e a boca com as pontas do lenço, para se protegerem desse malefício silencioso que nos ataca com asas de lã.

Os passivos engolem o ar, aspiram-no, fazem caretas, embrulham-se nos fumos e, serenos, continuam a caminhada. Assim, diante deste fenómeno nefasto, eu me calo, tu não falas, ele ou ela permanece quedo, nós mergulhamo-nos no silêncio absoluto, vós olhais pávidos, elas e eles plácidos, porque o fumo ainda não entrou casa adentro.

Assim sendo, quem questionará o dono daquele carro, ali, ou o condutor da viatura estacionada na zona verde com o motor ligado, se eles mostram ser os donos do poder?

Quem ousará questionar os agentes da poluição e os gases que nos fazem inalar? Quem terá coragem de lutar contra a asfixia dos fumos? E eu digo, se não houver quem o faça, a poluição perdurará e os pulmões estarão cada vez mais lesados.

Diante disto, quando se tem o privilégio de estar numa praia e de estar no estado quase original, praticamente como viemos ao mundo, respirando ar puro, dando pequenos e grandes mergulhos, vive-se um dos grandes prazeres da vida, aliás, celebra-se um dos maiores bens da humanidade: a liberdade! Pois ela permite-nos sair do nosso canto, criar, desenvolver, competir.

E experimentar a liberdade faz repudiar o gosto amargo da opressão do tirano, o ardor das suas lesões e negar, com veemência, o abuso daqueles que se julgam donos do poder. Isso a muitos faz lembrar os ensinamentos da História, os tempos idos a. C., as antigas civilizações e os exemplos mais recentes da nossa era. Lembrar-se-ão da antiga Grécia, da luta de classes, da luta dos novos ricos pela assunção do poder.

Reconhece-se que é duro para a sociedade que experimenta as restrições à liberdade, em que a censura e os seus tentáculos abraçam os canais de comunicação; a livre expressão diminui, a circulação da moeda aumenta, aceleradamente, o mercado da consciência é bem abastecido e a sua compra acresce, sobremaneira.

Neste ambiente, acreditem, tudo o que é ilegal ganha força, uma força oca e tosca, sustentada pela flagrante violação das regras que, na mente do tirano, tratar-se-á apenas de uma ligeira revogação de leis, pequenos ajustes, coisa e tal, em nome da perpetuação do tirano no poder. Os que lutam sentem-se amordaçados pela política de «udju pudi te odja, ma pa boka kala; os olhos até podem ver, mas que as bocas se calem», mas, acreditando na nobreza da causa, não desistem.

E o povo? A comunidade? 

– Isto não é connosco! Eles é que são os indivíduos do ecossistema, que se entendam!

E no dia do choro coletivo, pela morte dos jovens (ninguém se arriscou a falar de números) e após os funerais, as ruas encheram-se de gente, de indivíduos. O povo saiu à rua, mas os que partiram não ressuscitarão!

Os lixos foram reciclados; os agentes nocivos aos pulmões, banidos do ambiente!

O tirano e a tirania foram vencidos!

* Týrannos é um vocábulo grego que significa líder ilegítimo; turannos é um vocábulo grego que designava governo ilegítimo, na Grécia clássica.

Odete Costa Semedo

[Texto publicado na edição N.º 109 da revista África21]

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