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Opinião

Nacionalismos

Pepetela | Editoria Opinião | 04/07/2016

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Ventos antigos sopram de novo na Europa, ameaçando fortes tempestades. São fenómenos que regular e ciclicamente ensanguentaram essa península ocidental do continente europeu. Hoje todos gritam, «cuidado com o homem do saco», embora ele sempre lá tenha estado. Para os europeus, o novo perigo tem o nome de nacionalismo. As evidências apareciam há muito tempo, no entanto. Para evitar as catástrofes que os nacionalismos foram causando, se inventou por exemplo uma Jugoslávia, uma Checoslováquia, uma Grã-Bretanha e outras entidades semelhantes.  

Mais próxima de nós, a União Europeia. A qual agora se sente ameaçada porque no Reino Unido votaram contra a manutenção no seu seio. A culpa, pelos vistos, é dos nacionalismos que promovem o «pensar só em nós», com a consequente desconfiança em relação aos outros, trazendo a xenofobia, o racismo, a exclusão religiosa, etc. A atual vaga de imigrantes, de África e do Médio Oriente, pouco representando em proporção demográfica mas portadora de símbolos negativos para alguns europeus, desencadeou sentimentos de medo que reforçam o nacionalismo como arma de defesa. Parece-me que essa vaga serve mais de desculpa para fatores existentes anteriormente que outra coisa, pois a Europa precisa de gente para compensar a cultura de pouca natalidade que envelhece a população. 

Os nacionalismos, ao se apresentarem como a defesa da entidade menor e mais homogénea, sempre prejudicada pelo outro, dominador e insensível, geram sentimentos dificilmente controláveis e usados com facilidade por todos os populismos e demagogias. Não tornam o mundo mais tranquilo e próspero.

Por falar de mundo, ele está cada vez mais perigoso, em toda a sua geografia. Multiplicam-se os focos de conflito, a intolerância religiosa se converte em arma mortífera e cega, o domínio mundial tende a mudar de mãos com novas potências ultrapassando as anteriores que apresentam estado avançado de decadência, o capital financeiro cada vez mais especulativo se concentra e elimina outros eixos de poder, tudo isso resultando num clima de desconfiança e medo, pouco compatível com cooperação e relações de fraternidade. Nunca como hoje a humanidade se aproximou tanto da tão usada e contestada frase popularizada por Hobbes, «o homem é o lobo do homem». Bem gostaríamos que Hobbes fosse um lunático que errou totalmente, mas… o que vemos não nos convence inteiramente da ideia generosa da solidariedade humana universal. Nem mesmo no seio das diferentes igrejas, onde lutas intestinas se processam com demasiada frequência.

No entanto, as generalizações são sempre perniciosas. E devemos deixar uma pequena ressalva na condenação do nacionalismo. Quanto mais não seja, para justificarmos as lutas que tivemos para criar nações, partindo de agrupamentos menores, e reforçar estados viáveis. Numa primeira fase, na da oposição a ocupações injustas e bárbaras, como as que os povos colonizados sofreram, o nacionalismo era a única ideologia possível para juntar as pessoas na ideia da liberdade. Talvez um pouco messiânico, como o futuro vem provando, prometendo sucessos impossíveis de alcançar, para alguns simples utopias perigosas. Mas só procurando o impossível se podia conquistar o possível. A utopia indica um caminho, mesmo se este depois revela precipícios e montanhas intransponíveis. 

O problema é que em alguns cantos do mundo se está numa fase em que os nacionalismos são positivos, ajudam o progresso, enquanto em outros o nacionalismo se tornou demasiado estreito e portanto negativo. Enfoque que me parece o único para preservamos um pouco da nossa Humanidade, mantendo a empatia com o outro.

Pepetela

[Texto publicado na edição N.º 109 da revista África21]

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