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Que las hay, las hay!

Luís Cardoso | Editoria Opinião | 01/08/2016

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Quando ouvi o treinador da seleção portuguesa de futebol dizer que só voltaria a casa no dia 11 de julho, isto é, depois da final marcada para o dia 10, sorri com uma certa ironia ao pensar que tinha decidido tirar férias em Paris para assistir à final. Nunca pensei que fosse mesmo sua convicção que Portugal seria uma das equipas finalistas depois de ter feito uma má partida contra uma equipa que teoricamente apresentava menor valor futebolístico, a Islândia. 

Fernando Santos continuou a manter a sua afirmação mesmo depois do terceiro empate, na fase de qualificação contra a Hungria. Um golo da Islândia no derradeiro minuto salvou-o do grupo da morte onde estavam equipas como Espanha, Alemanha, Inglaterra, França, Itália. Calhou-lhe na rifa a Croácia que tão bem se tinha portado na qualificação e havia sido apontada por muitos como uma das candidatas ao título, depois de ter vencido a Espanha.  

Fernando Santos continuou a afirmar com fé que só voltaria a casa no dia 11 de julho. Mas perante a sua convicção, quando muitos jornalistas da praça lisboeta apontavam dúvidas e riam-se da sua afirmação, quis conhecer melhor quem era a pessoa que me fazia lembrar o ministro de Sadam que dizia que estava tudo bem quando Bagdade já estava a arder. 

Vi no seu perfil que para além de treinador era catequista. Portanto, um homem de fé, que acredita num Deus que o protege e o ajuda. Creio que foi essa mensagem de fé que conseguiu transmitir aos jogadores. Fé nas suas potencialidades e fé nas suas palavras. Que só regressariam a Portugal depois da final marcada para o dia 10 de julho. 

Não podia ter corrido melhor aos portugueses esse jogo. Uma falha de atenção da equipa croata fez com que Portugal marcasse o golo da eliminatória nos minutos finais do prolongamento, golo apontado por Quaresma, um dos mais talentosos jogadores e de origem cigana. Lembro que a equipa portuguesa é multicolor. Muitos são filhos de emigrantes das antigas colónias. Em Timor-Leste, perante a surpresa dos próprios portugueses, muitos cidadãos saíram à rua, empunhando bandeiras do antigo colonizador. Se esta manifestação tivesse tido lugar em 1975 os promotores seriam considerados reacionários e saudosistas. 

Na eliminatória seguinte calhou a Polónia. Um golo de Renato, o menino-prodígio da Musgueira, filho de emigrantes cabo-verdianos, mais a lotaria das grandes penalidades qualificaram Portugal. Os timorenses saíram novamente à rua, com bandeiras de Portugal.  

O país de Gales não foi tão forte como fazia crer a panóplia dos seus dragões. Na terra de Saint-Exupéry, o piloto francês que escreveu O Principezinho, Cristiano Ronaldo voou mais alto que os defensores galeses e marcou um dos golos mais bonitos da competição. Portugal qualificou-se para a final. Os timorenses rejubilaram e voltaram a sair à rua. Fernando Santos reiterou a sua convicção de voltar com a taça. Desta vez tinham pela frente os gauleses.  

Na final, quando tudo fazia prever que estava tudo perdido com a lesão de Cristiano Ronaldo, Fernando Santos decidiu lançar um inesperado trunfo. Éder, o jogador que nunca seria a opção de jornalista da bola, adepto ou treinador de bancada para ganhar uma partida. Fernando Santos apostou nele. Um verdadeiro ato de fé. Foi assim que um menino fugido da guerra na Guiné-Bissau se tornou no salvador da pátria do antigo país colonizador. O futebol segue uma lógica que escapa à compreensão e entendimento da História, das ideologias e dos Estados. 

No momento em que escrevo a crónica, Quaresma, o talentoso jogador de origem cigana, recebe o batismo católico numa igreja em Sintra. O que faz ter um catequista como treinador… 

Pela primeira vez, a equipa portuguesa de futebol sagrou-se campeã europeia de futebol. Um feito inédito. Se acredito em milagres? 

QUE LAS HAY, LAS HAY!

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