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Das eleições

Germano de Almeida | Editoria Opinião | 15/09/2016

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Este é um ano em que vivemos todas as eleições. Começou com as legislativas que o MpD venceu no passado dia 20 de março… Bem, não terá sido exatamente assim, na realidade foi o PAICV quem as perdeu desde o já distante ano de 2011 quando, na euforia de uma terceira e folgada vitória eleitoral, se deixou infantilmente enredar numa inútil, porém fratricida luta interna para a escolha de um candidato presidencial, preterindo, por razões que só alguns no partido conhecem, aquele que se apresentava e era tido como o candidato natural e consensual e ganhador. 

Foi uma decisão desastrosa, cujos efeitos persistiram no tempo como veio a ficar notório no facto caricato e de todo insólito de o PAICV, um partido que governou o país durante 15 anos seguidos em regime pluripartidário, na sequência de três maiorias absolutas, não ter tido condições de apresentar uma única pessoa para disputar as presidenciais. Não é compreensível, sobretudo porque, depois das confusões de 2011 em que, com ou sem razão, as culpas da imposição ou pelo menos da má escolha do candidato recaíram exclusivamente sobre o primeiro-ministro José Maria Neves, ele era este ano o candidato obrigatório do partido. Facto que, aliás, durante muito tempo deixou que as pessoas pensassem e comentassem, sendo que ele mesmo alimentou essa ideia, se não por palavras, pelo menos por sinais evidentes. Porém, logo após a derrota das últimas legislativas, começou a recuar, a recuar, até assumir a fuga definitiva. Usando uma imagem das casernas para caracterizar essa fugida, já que o ambiente militar e a disciplina partidária são irmãos, pode-se dizer dele que borregou. 

É certo que teria poucas, para não dizer nulas, hipóteses de vitória. Mas na mesma! O dever impunha esse sacrifício, primeiro em nome do PAICV, depois como forma de reparar a responsabilidade que lhe é assacada na imposição há cinco anos de um candidato presidencial à partida destinado a perder. E foi confrangedor ver como o PAICV entrou nessa última disputa eleitoral sem sangue na guelra. Fez muito lembrar os velhos tempos das frentes de alta intensidade de mão d’obra quando muitas pessoas diziam abertamente que iam à estrada levar o corpo, não propriamente trabalhar. Como o PAICV em geral: esteve nas frentes de campanha, porém, sem firmeza, sem garra, derrotados à partida, os dirigentes ansiosos por que chegasse o dia das eleições e pudessem de novo regressar ao conforto do lar. Exceção, honra lhe seja feita, à presidente do partido que lutou com denodo e convicção, sem se render até ao último momento. Foi, pois, sem surpresa que se viu o MpD ganhar as eleições de 2016. Surpresa verdadeira foi verificar que continua igual ao que tinha sido em 1991 quando enxotou de todos os serviços todas as pessoas tidas como próximas do PAICV, despedindo-as ou transferindo, num ataque tão brutal e despudorado que pessoas insuspeitas de simpatia para com o PAICV se mostram escandalizadas. 

«Não podemos pôr a linguiça no pescoço do gato», justificou-se algures o novel primeiro-ministro, numa reedição de evidente mau gosto do que tinha acontecido em 1991, de tal modo que JMN se sentiu no dever de tomar posição no Facebook: «Os sinais que me chegam não são nada bons, há um ambiente de intimidação na Administração Pública. Diplomatas que estão a ser transferidos discricionariamente, à revelia das leis…, dirigentes, chefias intermédias, gestores de polos educativos estão a ser substituídos por destacados ativistas do MpD… Sinto que já há um clima de medo, de autocensura, afinal, de tensão e de alguma angústia», concluindo que «lutar é necessário. Não podemos desistir da liberdade!» 

Mas infelizmente ele deixou-se ficar por isso mesmo, pelas palavras, não obstante ser o melhor posicionado para reafirmar esses valores. E não deu nenhum outro exemplo nessa soberana oportunidade que seria uma campanha presidencial apoiada pelo seu partido. Dizem que ele prefere esperar e aparecer daqui a cinco anos. Pode ser! Mas como diz o Louis Althusser, esse futuro é muito tempo. 

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