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O fracasso da esquerda - 1

João Melo | Editoria Opinião | 12/10/2016

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O mundo de hoje está perigosamente parecido com o da década de 1930. Uma das causas é a incapacidade das forças de esquerda de oferecerem alternativas. Ora, quando os partidos tradicionais convergem todos para o centro, tornando-se demasiado «iguais», os partidos extremistas crescem e ganham importância. Há quase cem anos, na Alemanha, isso conduziu ao nazismo e à Segunda Guerra Mundial. 

As mudanças que empurraram o mundo para o presente impasse começaram por ocorrer no plano económico e tecnológico. Desde o princípio dos anos 80, nos tempos de Reagan e Thatcher, assim como do programa televisivo Liberdade para Escolher, do economista Milton Friedman, o neoliberalismo foi impondo o seu caminho mediante um discurso que levou milhões e milhões de pessoas, pobres e ricas, a olharem para o Estado como um simples usurpador dos seus rendimentos, como bem notou o jornalista português Pedro Tadeu. A chamada «Revolução da Comunicação» permitiria que essa visão se tornasse, como hoje se diz, «viral». 

Assim, quase quarenta anos depois, respeitáveis e brilhantes doutores, jornalistas influentes e populares, banqueiros e empresários admiráveis, governantes de todo o mundo ocidental, continuam a ter, apoiados por uma formidável panóplia de meios de comunicação, um inegável sucesso no seu objetivo de inocular nas massas o vírus do ódio ao Estado, pesem embora os escândalos na alta finança e na banca em todo o mundo. Formou-se, à escala planetária, uma «classe-mídia» (expressão do sociólogo brasileiro Muniz Sodré), que engole e reproduz a narrativa neoliberal, não só económica, mas também política, de modo perfeitamente – recupero a palavra exata – alienado.

Como reagiram as forças situadas historicamente à «esquerda» (da social-democracia à extrema esquerda) a tais transformações? O foco do presente texto será a atuação das forças de esquerda, incluindo, portanto, os social-democratas, que estão ou que estiveram no poder em países onde existe ao mesmo tempo um sistema económico capitalista e uma democracia política representativa. A questão é: a esquerda nesses países, uma vez no poder, foi capaz de apresentar uma alternativa efetiva ao modelo neoliberal hegemónico, nos planos económico, político e geopolítico? 

A resposta é não. Nos anos 90, depois da retirada de Reagan e Thatcher, os partidos de centro-esquerda bem-sucedidos decidiram por vontade própria limitar-se a redistribuir os despojos, ao invés de apresentarem uma alternativa ao capitalismo global. Como observou o alemão Wolfgang Munchau, editor do Financial Times, os líderes da chamada «3.ª Via» –

Bill Clinton nos EUA, Tony Blair no Reino Unido, Gerhard Schröder na Alemanha, entre outros – foram basicamente centristas.  

Alguns deles não hesitaram, inclusive, em apoiar e envolver-se na segunda fase da estratégia neoliberal de dominação global: a introdução de drásticas mudanças geopolíticas no panorama mundial, no embalo da queda do Muro de Berlim. A intervenção americana no Iraque, apoiada por Blair e outros, foi o sinal de arranque dessa estratégia. 

Já neste século, e embora seja possível encontrar diferenças entre as forças de esquerda que estão ou estiveram no poder, por exemplo, na Europa, na América Latina ou na África, pode também antecipar-se que, no plano económico, a maior parte delas tem apoiado as políticas de austeridade aplicadas desde a crise financeira de 2008/2009. No plano politico, a maioria das forças de esquerda, quando chegou ao poder, reproduziu a velha crença das forças direitistas e conservadoras de que a sociedade pode ser moldada e transformada de cima para baixo, graças à ação do Estado. Por outro lado, deixou-se contaminar pelo erro mais elementar que as esquerdas vêm cometendo desde o século XX: a corrupção. 

Finalmente, no plano geopolítico, a confusão das esquerdas que têm alcançado o poder nas democracias de tipo ocidental é quase total. A esquerda europeia, sobretudo, parece não perceber nada, por exemplo, das «revoluções coloridas» no leste europeu, das «primaveras árabes» ou dos acontecimentos em África. A sua convicção de que é preciso contribuir para a democratização desses espaços tem-na levado, ingenuamente, a apoiar a «lúmpen-democracia» e a andar de braço dado com os próprios «cavaleiros» do neoliberalismo, como o megaespeculador George Soros. 

Na próxima edição voltarei ao tema desta crónica. 

João Melo

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