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ANC para Angola

Corsino Tolentino | Editoria Opinião | 12/10/2016

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De 12 A 18 de Setembro, visitei Luanda para participar no congresso da Universidade Católica sobre Educação, Língua Portuguesa e Qualidade do Ensino. Além disso, eu queria, por incumbência da Academia Cabo-verdiana de Letras e em nome dos cabo-verdianos interessados nestas matérias, agradecer aos escritores angolanos, que proclamaram a Academia Angolana de Letras, pelo contributo que dão à construção do espírito da comunidade linguística e cultural e tentar perceber como sairá o país desta encruzilhada, que se prolongará, através da crise económica, social e política, até 2018, o ano escolhido pelo Chefe do Estado para deixar a liderança e a política.

O congresso transformou-se num curso com cerca de quatro centenas de professores e alunos convertidos em aprendentes sobre as formas de medir a qualidade da educação e as características de uma língua nacional ou de inserção num grupo maior. No meio de muita discordância, três consensos terão ficado claros: sem a melhor educação possível não se vai a parte nenhuma, a padronização do português, como dos outros membros da Comunidade dos Povos de Língua Portuguesa, é imprescindível e, fale-se de excelência ou simplesmente de melhorar o ensino, a questão é de escolher entre o caos e a responsabilidade. Isso já se sabia? A novidade pode estar na argumentação.

Houve a transformação voluntária de mais uma justaposição de conferências banais num curso intenso, descobriram-se desde o início do encontro, coisas novas, e deixem-me dizer, algumas maravilhas: a orquestra sinfónica Kaposoka abriu o congresso com um concerto de música clássica e coreografia angolana de tirar o chapéu. Este ficou na mão quando, momentos mais tarde, Tio Fançony explicou a origem, a ambição e as finanças do projeto. A terceira mudança foi, sem ninguém de nada saber, a proclamação da Academia Angolana de Letras nesse mesmo dia 15 de setembro, quando universidades, segmentos representativos da sociedade civil, o instituto internacional da língua portuguesa e o governo discutiam estatutos, tendências e normas.

A Agenda Nacional de Consenso (ANC) terá sido aprovada em 2007, mas dela pouco se ouviu falar, até ao recente congresso do MPLA, durante o qual o presidente recordou as origens populares do Movimento. Na desconfiada e insegura Luanda, pergunta-se se não é tarde demais (Para onde vai Angola?, ver África 21, setembro de 2016). Deveras, existe o risco de com a real crise económica, financeira e social, que se traduz em pobreza com todas as letras e indignidades, os angolanos não perdoarem a política e arrastarem o esforço de construção simbólica e material de Angola para a rampa da destruição. Suponho ter visto na postura de intelectuais da Universidade Católica e suas convidadas, nas associações de escritores e de jornalistas, de empresários, jovens e mulheres, a preocupação de conciliar mais segurança, estabilidade e liberdade.

Não sei se ainda será tempo de recuperar a ANC e com ela a confiança dos angolanos na capacidade nacional, na liberdade individual e no regime democrático. Mas não duvido de que Angola pode proteger as grandes transformações e defender-se das vagas de ressentimento que se acumulam. Entre as medidas políticas verdadeiramente universais, a natureza e a dimensão da lei da amnistia constituirão a prova dos 9? 

Corsino Tolentino

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