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República Centro-Africana: esperanças e medos

| Editoria Especial Brasil Eleições | 17/11/2016

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As autoridades da República Centro-Africana esperam conseguir 3 mil milhões de euros durante a conferência de doadores que tem lugar em Bruxelas esta quinta e sexta-feira, respetivamente 17 e 18 de novembro. Os principais doadores (União Europeia, Banco Mundial, Estados Unidos, França) participam na conferência e um deles, inclusive, já prometeu recentemente mil milhões de euros. Trata-se do Banco Mundial. Tudo isso anima os centroafricanos.


Não é fácil, entretanto, manter a esperança de que, desta vez, a RCA vai realmente entrar numa nova era. Os antecedentes apontam, desde logo, em sentido contrário. Esta é a quinta conferência do género na última década, tendo as anteriores fracassado rotundamente. Todas elas terminaram com promessas de verbas avultadas para a RCA, mas as mesmas não entraram nos cofres do país, por várias razões. A corrupção dos sucessivos dirigentes centroafricanos – a acusação mais fácil, em especial por parte do público ocidental – não é a única razão.

Apesar desse histórico, o governo do presidente Faustin-Archange Touadéra está esperançado no sucesso da atual conferência. Tentar mobilizar 3 mil milhõesde euros a disponibilizar em cinco anos parece, inclusive, modesto. Metade daqueles 3 milhões, note-se, poderá ser entregue nos primeiros três anos. Só para dar um exemplo comparativo, os doadores internacionais prometeram ao Afeganistão, em outubro passado, 13,6 mil milhões de euros para três anos (2017-2020).

Dos 3 mil milhões de euros esperados pela RCA, 430 milhões deverão ser afetados em programas de desarmamento e reinserção dos combatentes, bem como de reforma das forças armadas e das instituições judiciais; 1,24 mil milhões deverão ser utilizados para a extensão da administração pública e para a implantação de serviços básicos, tais como fornecimento de água, educação e saúde, assim como para o reforço da boa governação; finalmente, 1,14 mil milhões serão destinados ao relançamento económico.

Os responsáveis centroafricanos que estão a participar na conferência de doadores de Bruxelas estão otimistas. Porém, um diplomata que acompanha a situação na RCA, alertou, sob anonimato: “O risco é depois. Considerando quer a incapacidade do governo em absorver os fundos quer os prazos de desembolso, as expetativas criadas arriscam-se a fragilizar o chefe de Estado, pois os projetos levarão meses a produzir resultados e a vida dos centroafricanos não vai mudar da noite para o dia”, disse ele. Para concluir: - “O perigo de novas contestações é real”.

Confirmando esses temores, no passado dia 24 de outubro, as milícias anti-Balaka, com o concurso de organizações da sociedade civil e o apoio de uma parte da população, fizeram uma demonstração de força na capital, Bangui, organizando uma jornada chamada “cidade morta”. Como declarou um ministro centroafricano preocupado com os reflexos imediatos da conferência de Bruxelas, “os jovens desempregados e sem instrução representam a maioria da população. Eles são facilmente manipuláveis pelos atores políticos ou político-militares, que vão convencê-los de que um maná de bençãos cairá sobre o país” depois da reunião na capital belga.

Isso se as verbas prometidas forem de facto desembolsadas. Várias ONGs internacionais que atuam na RCA denunciaram, na véspera da conferência de Bruxelas, que, dos 496 milhões de euros solicitados para assistência humanitária este ano, menos de um terço foi realmente disponibilizado. Uma delas, a organização “Médicos Sem Fronteiras”, considerou “inquietante” o discurso de certos atores, após as eleições de março deste ano, segundo o qual a RCA terá entrado, supostamente, num período de “normalização”, após anos e anos de violência. Para a referida organização, esse discurso visa justificar a redução da assistência humanitária ao país. Segundo a “Médicos Sem Fronteiras”, a espiral de violência em que a RCA esteve mergulhada ainda não desapareceu completamente.

Com efeito, a saída das forças estrangeiras, africanas e francesas, que ajudavam a manter a estabilidade no país, está a ser aproveitda por vários grupos armados, sobretudo anti-Balaka e ex-Séléka, para se desdobrarem pelo território centroafricano. Uma parte dos ex-Séléka de Bambari dirigiu-se para sul, junto à fronteira com o Congo. Os grupos anti-Balaka localizados perto de Bouca e Bossangoa foram reativados. Ou seja: novos combates podem eclodir novamente.

Para o jornalista Cyril Bensimon, do jornal Le Monde, o presidente Touadéra parece desarmado e apático diante de tais factos. Em artigo publicado esta quarta-feira, 16, naquele jornal, Bensimon escreve que o chefe de Estado da RCA não tomou nenhuma iniciativa de impacto, seja definindo uma política clara em relação aos grupos armados, seja tomando medidas para reformar as forças de segurança e da justiça, seja, finalmente, adotando ações concretas para lutar contra a corrupção.

Repetir-se-á o velho drama da RCA, a saber, merecer a atenção da comunidade internacional quando eventualmente alguma crise interna puser em risco a segurança regional, como sucedeu nos últimos quatro anos, para logo desaparecer do radar e cair no esquecimento ao mínimo sinal de “normalização”, mesmo frágil e ténue?

Se for esse o caso, todas e quaisquer promessas de ajuda financeira aprovadas pelos doadores em Bruxelas dificilmente serão concretizadas, a pretexto da crónica corrupção dos sucessivos dirigentes do país, que, mais uma vez, se verão impotentes para melhorar as condições de vida da sua população, em especial os 850 mil deslocados ou refugiados, as 10 mil crianças forçadas a abandonar as escolas, ocupadas pelos ex-combatentes à espera de serem desmobilizados e reintegrados socialmente, os 65% de pessoas sem acesso à água potável ou as 200 mulheres agredidas sexualmente todos os dias.

 

Charles Shorungbe, Revista África 21

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