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Fidel e o desporto

| Editoria Desporto | 01/12/2016

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Cuba sempre deu muita atenção ao desporto que foi utilizado pelo regime para alimentar o orgulho nacional.


 Na última edição dos Jogos Olímpicos, Cuba conquistou um total de 11 medalhas, ficando colocada no 18.º lugar entre as nações, à frente de países bem mais ricos como o Canadá, Suíça, Dinamarca ou Suécia, ou muito maiores como a Argentina, África do Sul e Turquia. Com a passagem do tempo e as recomposições sucessivas do mundo, nomeadamente a implosão da URSS e a multiplicação das bandeiras depois de 1990, a pequena ilha caribenha conserva o seu lugar entre a elite desportiva internacional.

Perdeu um pouco do brilho de outrora quando comparamos os resultados dos JO de 2016 com as 31 medalhas amealhadas em Barcelona em 1992 (5.º lugar entre as nações), as 25 colhidas em Atlanta em 1996 (8.ª posição) ou os 29 pódios de Sydney em 2000 (9.ª posição), para não falar dos JO de Moscovo de 1980 quando Cuba, com 20 medalhas, foi o quarto país mais galardoado (à frente da França e Itália) devido em parte ao boicote de vários países ocidentais encabeçados pelos EUA.

Mas apesar do seu isolamento e das suas dificuldades financeiras, Cuba recusou sempre sacrificar o desporto que tem sido uma forma usada pelo regime castrista para exaltar o orgulho nacional da sua população e mostrar a excelência dos seus saberes.

Foi também uma forma de afirmar as suas diferenças e a sua independência no cenário político internacional, como ficou demonstrado pelos boicotes sucessivos de Cuba aos JO de Los Angeles em 1984, em solidariedade com os Soviéticos, e de Seul em 1988, onde Cuba foi o único país a tomar partido contra a exclusão da Coreia do Norte.

O desporto como alavanca

Na sua resistência face ao gigante americano, Cuba tinha escolhido utilizar a alavanca do desporto desde os primeiros anos da revolução, segundo a famosa fórmula de Fidel segundo a qual «o desporto é um direito do povo», com a criação em 1961 do INDER, Instituto Nacional do Desporto, educação física e lazeres. Tratava-se numa primeira fase de abrir a prática do desporto, até então reservada às classes superiores, aos trabalhadores, às mulheres e aos deficientes. O desporto permitia unir a população através de atividades coletivas que eram benéficas para a sua saúde física e, por conseguinte, para a produção nacional. Era também uma maneira de dar a conhecer a excelência técnica cubana a nível internacional, sobretudo depois de Fidel Castro ter assinado o decreto 83 A que proibia o profissionalismo desportivo que, na sua opinião, «servia para enriquecer uma minoria em detrimento da maioria».

Ausente dos pódios olímpicos de 1952, 1956 e 1960, a Cuba revolucionária registou a sua primeira distinção no ano de 1964 em Tóquio graças ao velocista Enrique Figuerola, medalha de prata nos 100 metros para melhorar os seus resultados de quatro em quatro anos devido sobretudo a um atleta da categoria de Alberto Juantorena, campeão olímpico dos 400 e 800 metros em Montreal em 1976, dupla vitória sem antecedentes até então.

O atletismo, desporto-rei das olimpíadas, permitiu a Cuba brilhar no firmamento dos campeões com estrelas da envergadura de Javier Sotomayor, campeão olímpico de 1992 e recordista mundial do salto em altura com a fasquia nos 2,45 metros, ou de Ana Fidelia Quirot, medalha de prata dos 800 metros nos JO de 1996 depois do bronze conquistado quatro anos antes, feita um símbolo da força de vontade e da resiliência cubana. Vítima de um grave acidente doméstico, Quirot que estava grávida teve a dor de perder o filho e ficou com terríveis queimaduras. Apesar das feridas físicas, a atleta cubana conseguiu recuperar a sua melhor forma e arrebatar dois títulos mundiais dos 800 metros em 1995 e 1997. Acusado de dopagem, Sotomayor foi defendido com unhas e dentes por Fidel que conseguiu lavar a honra do seu campeão e de Cuba.

Boxe e basebol

Mas se Cuba se tornou ilustre nas pistas de atletismo e em numerosas modalidades (esgrima, judo, luta, voleibol), o boxe que não é o desporto favorito dos cubanos, privilégio reservado ao basebol, foi para a nação castrista o desporto-bandeira do país, aliando técnica com um certo romantismo. Ainda hoje os melhores pugilistas internacionais vão treinar a Cuba junto de especialistas considerados como os melhores mestres, apesar da precariedade das suas instalações. «O boxe foi e continua a ser o símbolo do amadorismo face aos profissionalismos e o seu porta-bandeira nos Jogos Olímpicos», escreveu a jornalista Françoise Escarpit. Entre a sua primeira participação nos JO do México em 1968 e a mais recente no Rio em 2016, os pugilistas cubanos conquistaram 73 medalhas, com marcas estonteantes como as 11 medalhas de Sidney em 2000 e figuras destacadas como Teófilo Stevenson, campeão olímpico dos pesos pesados em 1972, 1976 e 1980, ou Félix Savon, invencível na categoria-rainha em 1992,1996 e 2000. «O boxe descomplexou a população negra cubana, que tinha estado excluída das verdadeiras provas desportivas até à revolução e que foi o motor de arranque do desenvolvimento do movimento desportivo em Cuba», escreveu Françoise Escarpit.

O basebol é a maior paixão desportiva em Cuba. E os Estados Unidos, que contam entre os profissionais da MLB com um grande número de jogadores de origem cubana, são o inimigo que há que vencer a todo o custo para se vingar do embargo que asfixia economicamente a ilha há tantos anos. A diplomacia do basebol em ação há vários meses pretende contribuir para a normalização das relações entre Cuba e os Estados Unidos. O basebol que voltará a ser uma disciplina olímpica em Tóquio em 2020, depois de ter sido excluído em 2012 e 2016, continuará a acirrar a rivalidade entre os dois países. Os amadores cubanos são, de facto, grandes jogadores: nas cinco olimpíadas realizadas entre 1992 e 2008, os Cubanos conquistaram o ouro em três ocasiões e a prata nas duas restantes. Fidel Castro, com o seu 1,90 m de altura preferia o basquetebol para treinar os revolucionários, mas nesta modalidade sabia que Cuba não tinha a menor hipótese de derrotar os Estados Unidos.

Por Yannick Cochennec, jornalista desportivo, colaborador de L’Equipe Magazine

Publicado por Slate Fr. a 26/11/2016 

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