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"Fidel", por João Melo

| Editoria Especiais | 01/12/2016

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Quando Nelson Mandela – o “herói global” do fim do século XX, início do século XXI, hipocritamente transformado em “ídolo” por alguns daqueles que antes o chamavam “terrorista” e que ajudaram o odioso regime do apartheid sul-africano a encarcerá-lo – foi eleito primeiro presidente negro da África do Sul, não hesitou: foi a Cuba agradecer ao líder cubano, Fidel Castro, pelo papel desempenhado pela pequena ilha caribenha na luta contra o regime racista de Pretória.


As palavras de Nelson Mandela na ocasião têm de ser repetidas quantas vezes forem necessárias, para desmistificar supostas “verdades” acerca de quem, efetivamente, contribuiu para a libertação do histórico líder sul-africano e para o fim do apartheid. Disse Mandela, sem meias palavras, que, sem a participação de Cuba na luta contra as forças armadas sul-africanas, em especial na célebre batalha de Cuito Cuanavale, em Angola, ele teria «morrido na cadeia».

É preciso, pois, dizê-lo: a luta anti-apartheid e pela libertação do líder do ANC não foi sempre global, pois, durante muito tempo, foi uma causa exclusiva das forças progressistas, socialistas e social-democratas (do norte da Europa) do mundo; só se tornou generalizada, com direito a megashows mediáticos, depois que angolanos e cubanos derrotaram o exército sul-africano nas províncias do Cuando Cubango e Cunene (sudeste e sul de Angola) e forçaram Pretória a conceder a independência à Namíbia.

Fidel morreu numa altura em que o populismo de direita, reacionário por definição, e o neofascismo estão em ascensão em todo o planeta. Compreende-se, pois, por que razão aqueles para quem Cuba deveria continuar a ser, para todo o sempre, um mero prostíbulo dos Estados Unidos estejam, ao mesmo tempo, mal disfarçadamente exultantes com o facto e, sobretudo, agastados, para usar um adjetivo ameno, com as manifestações de reconhecimento do papel histórico do líder da Revolução Cubana que têm sido expressas em várias partes do mundo, por diferentes cidadãos e personalidades.

Não é de estranhar, igualmente, que esse pernóstico sentimento seja predominante nos círculos dominantes da Europa, cujas elites parece terem perdido a visão histórica e estão em vias de entregar as rédeas do destino dos seus povos a forças tenebrosas, tal como fizeram nos anos 30 do século passado.

Para tais cabeças bem pensantes, a morte de Fidel é apenas o desaparecimento de um “ditador” ou do último “comunista”. Nos primeiros dias após o referido acontecimento, isso foi repetido monocordicamente até cansar. Não preciso de evocar o passado católico de Fidel, a sua simpatia juvenil pelos Estados Unidos ou a política internacionalista de Cuba, tantas vezes decidida à revelia da União Soviética, para afirmar a incompetência desses “breines” em analisar a complexa personalidade do líder e da própria Revolução Cubana. Também não preciso de mencionar a existência de presos politicos, as torturas encobertas, a pena de morte e a espionagem eletrónica dos cidadãos praticada por países democráticos insuspeitos, para lembrar como a discussão sobre a liberdade e os direitos humanos pode ser altamente cínica.

A verdade é que, mais do que a ideologia “comunista” que, a partir de dada altura, Fidel passou a perfilhar, o nacionalismo cubano e o internacionalismo terceiro-mundista são os dois traços que, talvez, melhor caracterizem o falecido líder revolucionário. Pode-se chamar a isso, se se quiser, “castrismo”. Por isso, o sentimento predominante na América Latina, por exemplo, é de que Fidel foi um homem que “acreditou na construção de uma sociedade fraternal e justa, sem fome nem exploração, numa América Latina unida e forte”, como disse a ex-presidente brasileira Dilma Roussef. “Ele ensinou-nos a nunca nos rendermos e a levantar a voz aos que têm políticas de dominação por meio da invasão aos povos do mundo”, afirmou, por seu turno, o presidente da Bolívia, Evo Morales.

Nós, africanos, também não esqueceremos as várias manifestações do internacionalismo cubano, inspirado por Fidel. Não foram apenas os Migs: foram, por exemplo, os milhões de estudantes africanos enviados para Cuba, bem como os médicos e professores enviados para trabalharem em remotas aldeias africanas. Quem se pode esquecer que, recentemente, Cuba mandou mais pessoal médico para combater o ébola do que o resto do mundo junto?

Hasta siempre, Comandante!

Publicado na edição impressa da ÁFRICA21 (dezembro 2016-janeiro 2017)

 

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