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Herança negro-africana persiste na Argentina

| Editoria Cultura | 08/01/2017

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Apesar de isso não ser visível, entre 4% e 6% da população argentina ainda tem genes negros, revelam vários estudos sociológicos, citados pelo espanhol El Pais. Os negros foram muito relevantes na Argentina até ao século XIX, tal como continua a suceder nos seus vizinhos, como o Brasil, Colômbia e até o Uruguai, mas as epidemias e as guerras, sobretudo, fizeram essa relevância declinar.


 

O historiador Felipe Pigna especificou que a utilização da população masculina de origem africana como “carne de canhão”, quer nas guerras independentistas quer nas várias guerras civis e, finalmente, na Guerra do Paraguai, foi a principal causa do virtual extermínio dos negros na Argentina. A isso somaram-se as epidemias de cólera (1861) e de febre amarela (1871), que provocaram uma grande mortandade entre os mais pobres, inclusive os afroargentinos.

Além disso, a natalidade era muito baixa. Pigna explicou que os  senhores de escravos evitavam a todo o custo os casamentos dos escravos, assim como a gravidez das escravas, argumentando que isso as impediria de prestar todos os serviços para os quais haviam sido compradas.

Como consequência, verificou-se no território argentino um grande processo de mestiçagem, que branqueou uma parte significativa da população. Vários sociólogos acrescentam que o complexo de inferioridade também contribuiu para esse processo de embranquecimento. “Todo o mundo se enche de orgulho quando descende de alemães ou franceses, mas ninguém quer confessar que é originário de escravos negros, pois isso não dá status. É por isso que a negritude é muito escondida”, afirmou um deles.

Mais precisamente, pode dizer-se que a negritude na Argentina é uma espécie de “gato escondido com o rabo de fora”. Em termos de biotipo, desde logo, e embora a pele seja um dos elementos que pode branquear-se mais depressa, há outros traços – como o cabelo encaracolado ou os lóbulos das orelhas – que dificilmente são capazes de ocultar a ascendência negro-africana.

Mas é no plano cultural que essa herança é mais resiliente. A mesma é particularmente forte em localidades como Corrientes, a mil quilómetros a norte de Buenos Aires, e Emparedado, ambas no litoral. A região, que foi, até ao início do século XX, o mais importante reduto dos afroamericanos na Argentina, continua a albergar até hoje uma série de festas cujos ritmos são originários de África.

Ali predomina o chamamé, o ritmo típico do litoral do país, há muito africanizado pelo uso dos tambores e que mistura toda a alma festiva dos argentinos. Norberto Pablo Círio, antropógo, sublinha, em declarações ao El Pais, que os argentinos reconhecem atualmente o caráter distintivo do chamamé, mas, até há alguns anos, as classes altas da região não queriam nada com esse ritmo.

Cirio recusa veementemente a afirmação comum de que o chamamé é “uma festa de negros sem negros”. Afirma ele:- Os negros da Argentina mudaram de pele, mas existem em toda aquela alma que decide vencer preconceitos e barreiras, para soltar-se simplesmente e dançar ao ritmo dos tambores”.

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