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Polícia branco, polícia negro

| Editoria Política | 04/06/2017

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Cleon Brown, um sargento da polícia de Hastings (Michigan), nos EUA, sempre se identificou como branco, pois a sua pele é clara. Porém, aos 47 anos de idade, descobriu que 18% do sangue que lhe corre nas veias é herdado de antepassados negros, originários de África. O facto aconteceu quando a filha foi diagnosticada com uma doença que só afeta os afroamericanos, levando-o a submeter-se a um exame de DNA. O resultado não mentiu: Cleon Brown, apesar da sua tez clara, é negro (para os padrões norte-americanos).


Brown contou que o pai, que tem a pele um pouco mais escura e o cabelo mais encrespado, sempre lhe disse que descendia de nativos norte-americanos, ou seja, índios. Isso é comum nos Estados Unidos, onde muita gente esconde a sua origem africana, para não ser classificada como negro e, por isso, vítima de discriminação. Historicamente, nos EUA, quem definia a “raça” dos cidadãos era o Estado. Bastava uma percentagem mínima de genes africanos, para se ser classificado como negro e, logo, segregado. Era a regra da “gota de sangue” [negro].

Apenas para dar um exemplo, milhares de soldados afroamericanos, mas de pele clara, inscreveram-se no exército como brancos, na II Guerra Mundial, para, quando regressassem, o poderem fazer como cidadãos de “primeira classe”, evitando, portanto, que continuassem a ser vítimas de segregação racial.

Atualmente, os cidadãos é que declaram a sua “raça”. Por isso, a questão dos “mestiços”, também chamados, nos Estados Unidos, bi-raciais ou “browns” (castanhos), só começou a entrar no debate recentemente na principal democracia do mundo. O The Wall Street Journal, por exemplo, questionou em 2010 por que razão o então presidente, Barack Obama, se identificou como “negro”, apesar de descender de pai negro e mãe branca. “Ele renegou a sua mãe branca e os seus avós brancos”, escreveu o jornal, antes de acusar Obama de permanecer prisioneiro de classificações raciais herdadas de “tempos mais desagradáveis”.

Alguns observadores estimam que a crescente diversidade étnico-racial que está a ocorrer nos EUA, com o crescimento da imigração latina e asiática, pode, a médio e longo prazo, colocar a mestiçagem no centro do debate racial nacional. 

Quanto à história de Cleon Brown, tornou-se conhecida quando ele pediu ao Estado uma indemnização de meio milhão de dólares, devido ao tratamento racista que os seus colegas da polícia lhe começaram a dispensar, depois de ele ter revelado que possui 18% de sangue negro.

Segundo disse Brown, os seus colegas começaram a chamar-lhe “Kunta” – uma personagem da célebre série televisiva “Raízes” -, a colocar entre os seus pertences, no Natal do ano passado, figuras do Pai Natal pintadas de preto, com a inscrição 18% na barba, e a murmurar, sempre que ele passava, a frase “Black Lives Matter” (literalmente, “As vidas negras são importantes”), slogan das campanhas anti-racistas desencadeadas nos EUA após a morte de vários afroamericanos baleados pela polícia, em episódios gravados e retransmitidos nas redes sociais e nas televisões.

Após essa sua nova experiência, Cleon Brown afirmou, referindo-se ao racismo nos Estados Unidos: - “Sinto que [essa experiência] abriu-me os olhos”.

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