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Uganda deixa de perseguir Joseph Kony: e agora?

| Editoria Política | 04/06/2017

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A notícia apanhou (quase) todos de surpresa: no dia 19 de abril deste ano, o Uganda anunciou a retirada das suas tropas que estavam na República Centro-Africana (RCA), onde perseguiam o Exército de Resistência do Senhor (LRA, sigla em inglês), uma organização fanática e terrorista liderada por Joseph Kony. O LRA, que começou a atuar em 1987, começou por dominar o norte do Uganda, tendo imposto na região um autêntico regime de terror. Derrotado pelo exército ugandês, começou um périplo que o levou sucessivamente ao Sudão, Sudão do Sul, República Democrática do Congo (RDC) e, por fim, a RCA.

Joseph Kony

Os responsáveis militares ugandeses justificam a decisão de Kampala alegando que o LRA deixou de constituir uma ameaça para o país. “A missão para neutralizar o LRA foi um êxito”, afirmou o porta-voz do exército do Uganda, general de brigada Richard Karemire, em entrevista ao jornal britânico The Independent. De facto, e segundo algumas fontes, o grupo chefiado por Kony está reduzido a menos de 100 combatentes em estado “débil e inefetivo”. Em contrapartida, o Uganda mantinha na região 2.500 homens, apoiados por efetivos dos Estados Unidos destacados igualmente na RCA, para apoiar a Força Especial Regional da União Africana, que há cinco anos perseguia os rebeldes do LRA. O Sudão do Sul e a RDC também faziam parte, oficialmente, dessa força, mas, na prática, nunca chegaram a enviar as suas tropas.

A notícia da retirada das tropas ugandesas da RCA constitui uma alteração inesperada da política de Kampala em relação ao LRA. Com efeito, ainda este ano, na véspera da cimeira da União Africana realizada em Adis Abeba de 22 a 31 de janeiro, o presidente do Uganda, Yoweri Museveni, organizou uma reunião com vários líderes regionais para coordenar uma operação militar destinada a liquidar completamente com o que restava das forças de Joseph Kony. A decisão era uma resposta à retomada das ações do LRA em vários países da região desde o fim de 2015.

Embora se mova por vários países da África Central, a base principal do Exército de Resistência do Senhor situa-se na floresta de Garamba, na República Democrática do Congo, onde o grupo pode caçar elefantes para traficar o marfim ou assaltar os garimpeiros de ouro que ali trabalham. O LRA usa os recursos assim obtidos para financiar as suas ações. Ao mesmo tempo, mantém as comunidades locais em permanente instabilidade e sobressalto, impedindo-as de se dedicarem às suas atividades normais.

Na reunião de janeiro, em que participaram representantes das Nações Unidas, União Europeia e EUA, além de responsáveis dos países da região, o presidente do Uganda apelou aos presentes para que eliminassem completamente o LRS, pondo fim, assim, ao sofrimento das populações locais. Museveni recordou que o atual embargo de armas à RCA impede o exército do referido país de lutar de maneira efetiva contra os terroristas. Ele pediu, em particular, helicópteros, apoio logístico e infraestrutura. O interesse do presidente ugandês não encontrou, entretanto, um grande eco entre os restantes participantes da reunião. A confirma-lo, não se registaram, nos primeiros meses de 2017, quaisquer operações militares conjuntas contra o LRA.

O golpe final parece ter sido a decisão da nova administração norte-americana de deixar de considerar uma prioridade a perseguição do LRA e do seu líder, Joseph Kony. O facto foi revelado a 29 de março pelo general Thomas Waldhauser, líder do Comando para África do exército dos Estados Unidos. Na sequência disso, o governo de Kampala começou a retirar as suas tropas estacionadas na RCA. Igualmente, anunciou uma redução de 6,2% das suas despesas militares.

Vários atores estão altamente inquietos com a saída das tropas de Kampala da RCA. A organização Enough Project, que luta contra o genocídio e os crimes contra a humanidade (acusações que, recorde-se, impedem sobre Joseph Kony), garante que o LRA continua ativo e o que o seu líder está escondido na região de Kafia Kingi, na fronteira entre o Sudão e o Sudão do Sul, rica em minerais e que, apesar de pertencer ao Sudão do Sul, continua controlada por Kartum, a capital do Sudão. Este país, note-se, sempre apoiou o LRA. O Enough Project receia que, se as tropas ugandesas se retirarem, o grupo deixará de sentir-se pressionado, podendo reorganizar-se, mobilizar mais efetivos e expandir a sua área de atuação.

 

 

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