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A revolução dos arquitetos africanos

| Editoria Cultura | 10/09/2018

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O zimbabueano Mike Pearce compara as fachadas de vidro e aço, tão em voga atualmente em Africa com «igloos no Sahara». A sua obra emblemática, o Eastgate Shopping Center de Harare, consome dez vezes menos energia que os modelos clássicos porque o arquiteto se inspirou do sistema utilizado pelas térmitas para manter a temperatura constante nos montes de salalé sem precisar de refrigeração.

Ignorados na sua própria terra – 9 em cada 10 edifícios construídos em Africa foram projetados por gabinetes estrangeiros ou por engenheiros – os arquitetos africanos brilham à escala mundial. A figura de referência é «Sir David Adjaye», britânico nascido na Tanzânia de pais ganenses, escolhido por Barak Obama para conceber o Museu Nacional da Cultura Afro-Americana. A sua aposta consiste em reconciliar tradição e modernidade para uma arquitetura e um urbanismo adaptados as realidades, geográficas, climáticas e humanas, do continente. A receita? Utilizar materiais como os tijolos, crus ou cozidos, o barro, o banco, a madeira ou o bambu, e técnicas de construção locais que deram bons resultados, mas foram abandonados, como a construção sobre pilotis e os duplos tetos, para favorecer a ventilação e recolher a água das chuvas. Não se trata, obviamente, de encher as cidades de cubatas. Mas quem disse que os edifícios em terra não podem ser tão altos e são menos resistentes que os de betão? E são, comprovadamente, mais ecológicos, menos «energivoras» e …mais baratos, alem de requerer uma mão-de-obra abundante e pouco especializada e poucas máquinas. Exemplo: a grande mesquita de Djenné, no Mali, o maior edifício do mundo em adobe, construída em …1280 e classificada pela UNESCO como Património da Humanidade.

 

(Leia o artigo na integra na edição nº 131 da Revista África 21, mês de Agosto)

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