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“A Literatura não se faz de língua mais limpa ou menos limpa, faz-se de emoções”

| Editoria + Angola | 02/10/2018

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Por Pedro Vila Nova

 

Ondajiki é o mais jovem talento da literatura angolana. Ele fala-nos dos seus personagens e das ruas da sua geração dos anos 80; a infância como ponto de partida da sua obra.

Autor de contos e novelas atinge no seu livro Os Transparentes, a maturidade de uma escrita singular. Escreve sempre a mão, e espera que o tempo decante as palavras.

 

África 21. A infância como território revisitado de quase todos escritores angolanos é a matriz emocional que se transforma numa espécie de mito fundador da literatura de várias gerações. O que te deu vontade de escrever, e os autores que te influenciaram?

 

 Ondjaki: Eu acho que quando falamos de infância é difícil não me lembrar das leituras do Luís Bernardo Honwana de Moçambique, e por exemplo do “Quem me Dera Ser Onda” do Manuel Rui. Estes dois autores influenciaram-me de várias maneiras. Honwana com um só livro O Cão Tinhoso. E depois, mais tarde, outros livros também do Manuel Rui. A influência sobre a infância, são desses dois autores, porque justamente escreviam sobre este mundo infantil, mas o Manuel Rui no “Quem Me Dera Ser Onda” escrevia sobre umas crianças que erámos nós, nos anos 80. As crianças que ele descreve no Quem me Dera Ser Onda, poderiam ser eu e os meus colegas.

 

Afria21. Na vida de criança, não há diferenças étnicas e de classe social. A brincadeira é um mundo partilhado, que depois cresce para o sonho de uma sociedade melhor. Qual era a visão das crianças sobre os anos 80 ou o que é que eram os anos oitenta?

 

Ondjaki. Nos anos 80, eu vivi enquanto criança, não vivi enquanto adulto e é isso que procuro retratar em alguns livros sobre a infância.

Era uma realidade eminentemente política social com pano de fundo da guerra, não estávamos na Lunda, não estávamos no Huambo nem no Cuando Cubango, mas de facto a guerra faz-se presente, de outras maneiras mais silenciosas e menos implícitas. Sim era uma outra sociedade, era uma outra Luanda, não só do ponto de vista dos números, (hoje Luanda tem quase 8 milhões de habitantes e há uma outra realidade social do pós-guerra) e ali era durante a guerra. Sim havia uma tentativa por parte dos adultos, por parte das crianças, estávamos só a viver; por parte dos adultos havia uma tentativa de se fazer uma sociedade mais justa, mais equilibrada.

 

 

África 21. Existe na sua escrita uma manipulação da língua que encontra ecos de Luandino Viera, de outros tempos. Essa manipulação da linguagem que lhe dá prazer passa constantemente nos seus textos. Será inevitável?

 

Ondjaki. Sim. No nosso caso é mais uma descoberta, da infância dos anos 80 e 90. Luanda como outras cidades, possuí a Língua Portuguesa oficial, que é erudita, a língua dos jornais e da rádio. Quando a rádio entrevista um camponês do Cunene ele é capaz de falar dos níveis pluviométrico, com palavras que escutou na rádio, mas que não conhece totalmente o seu significado. Porque a rádio é o maior difusor da língua no território.

 

Outra coisa é a língua falada numa rua do Cazenga, do Alvalade ou da Baixa.  

 

 

 

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