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ÁFRICA DO SUL OS FUTUROS DESAFIOS DE CYRIL RAMAPHOSA

| Editoria Artigo | 19/11/2018

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Por João Seles

A debater-se com uma economia morosa, o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, tentou acalmar e encorajar os ânimos de mais de mil investidores nacionais e estrangeiros na grande Cimeira de Investidores, em Sandeton, arredores de Johannesburg, em finais de Outubro, no significativo Dia da Reconciliação Nacional.

“Esta conferência constitui a afirmação sem equívocos da nossa determinação de deixar para trás as incertezas e a discórdia”, afirmou Ramaphosa, referindo-se ao legado de corrupção do ex-presidente Jacob Zuma e à incerteza das futuras políticas económicas do país.

Se a eleição de Ramaphosa fez suspirar de alívio o mundo empresarial, será necessário implementar medidas firmes para restaurar a economia, que a curto prazo parece comprometida, mesmo depois da recente nomeação do novo ministro das Finanças, Tito Mboweri. Com a recessão que retrocedeu para um crescimento económico de 0,7% contra 1,6% em 2016/17, que fez perder 1,86 mil milhões de euros em receitas do Estado e, apesar das recentes subidas do imposto de consumo e outras taxas no princípio deste ano, a dívida pública aumentou.

A previsão de criar um fundo especial no valor de 23 mil milhões de euros destinados à modernização da economia, visando melhorá-la na competição internacional; favorecendo a criação de emprego de cerca de 275 mil postos de trabalho e propondo a facilitação de vistos para estrangeiros com perfis profissionais altamente qualificados, Ramaphosa tenta, responder aos grandes desafios da economia sul-africana presa numa encruzilhada.

Segundo dados da possível evolução económica do Institute Of Strategic Studies (ISI), a economia sul-africana poderá continuar, num primeiro cenário que eles apelidam “Bafana-Bafana”, imobilizada com o fraco crescimento em torno da armadilha de rendimentos médios, com vacilações de gestão e medíocre execução do OGE, ao mesmo tempo que aumenta o sector público com um pletórico recrutamento para funções sem competências.

O segundo cenário – idealista e luminoso – é que a magia de Mandela, de um milagre económico que ponha no leme da economia sul-africana os grandes reformadores capazes de alavancar as reformas necessárias para o futuro do país, mas esse esforço passa pelos resultados das eleições presidenciais de 2019; tudo vai jogar nos votos dos partidos da oposição, a EEF de Julius Malema e a Aliança Democrática, principalmente na província de Gauteng, onde possíveis alianças partidárias estão a ser negociadas. O peso da AD nas últimas eleições municipais, onde arrancou as principais cidades ao ANC, não deixam dúvidas sobre o futuro, para mais com a votação da nova geração de Malema a crescer nas grandes “town-ships” de Johannesburg e Pretória.

Um terceiro cenário, mais pessimista, é de uma África do Sul dividida, empobrecida e desigual à volta do casco fantasma da arquitectura social do apartheid, com a sua divisão étnica eriçada em muros intransponíveis e fatais. Por isso, o país “arco-íris” está com os olhos postos na liderança de Ramaphosa. A herança de má-governação e corrupção do tempo de Zuma, que o levou à sua demissão antes do termo do mandato, deixou o ANC profundamente dividido e cheio de rancores que poderão emergir em lutas internas capazes de levar à cisão do partido, onde a esposa de Zuma, Dlimini, perdeu com uma margem pequena de votos. Além da província de Natal (Durban) onde Zuma tem o apoio da etnia Zulu, a ala conservadora possui forte implantação rural, onde goza de grande popularidade e apoios de uma “clientela partidária”.

A espiral de violêcia e a “indústria do medo”

O investimento na educação é neste momento um dos principais problemas. Um sector que já foi considerado um exemplo para África está neste momento em rápida degradação. Com uma população em rápido crescimento, a falta de investimento no sector de infra-estruturas, nomeadamente nas zonas rurais e periféricas, começa a dar sinais evidentes de uma desqualificação, que se notam na superlotação das escolas, falta de qualidades dos professores e corrupção na gestão do orçamento escolar.

A ONG Corruption Watch recebeu milhares de relatórios alertando para os constantes “desvios” de dinheiro das escolas para proveito próprio. O sinal mais que evidente da degradação académica é o crescimento de escolas privadas, que se reproduzem como cogumelos à volta das grandes cidades, o que revela que a classe média não confia na escola pública e envia os seus filhos para a privada.

A imigração dos países vizinhos (e outros países mais afastados) aumentam as tensões nas comunidades, ao mesmo tempo que acelera as pressões e conflitos laborais, cresce a pobreza e a criminalidade que é das mais altas no mundo, com o sector de empresas de segurança a expandirem-se vertiginosamente nos bairros de classe média e de renda alta. A indústria de segurança emprega 400.000 pessoas e conta com 9000 empresas registadas, o que supera os efectivos policiais da Áfica do Sul. A “indústria do medo” cresce com o cortejo diário de assassinatos, roubos e violações.

No campo de infra-estruturas, que se mede com a Nigéria, mas com melhor qualidade, possuidora de uma indústria energética que vende electricidade para os países vizinhos, a África do Sul começa a dar sinais de uma certa exaustão e declínio que poderá afectar o tecido económico e social. Estes sãos os desafios de Cyril Ramaphosa para a década de 2020, a fusão das muitas cores do arco- íris, a fusão de uma nação – mosaico, no futuro da África Austral.

 

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