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Do assassinato de Khashoggi à guerra do Iémen

| Editoria Artigo | 19/11/2018

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Por Nathalie Ahmed

AS PROXIMAS SEMANAS prometem trazer grandes novidades para a região onde se assiste a um reajuste político-diplomático de proporções ainda desconhecidas desde o assassinato, a 2 de outubro, de Jamal Khashoggi no consulado da Arábia Saudita em Istambul.

Confirmado e reconhecido por Riad, o assassinato do influente jornalista saudita – qualificado por uns de “execução extrajudiciária” e por outros de “crime de Estado”  – colocou a Arábia Saudita e o seu atual homem forte Mohamed bin Salman (MBS) no centro das atenções no preciso momento em que os Estados Unidos se preparavam para lançar a sua «bomba atómica» contra o Irão.

Com a entrada em vigor, a 5 de novembro, do novo pacote de sanções destinadas a secar as exportações de petróleo, Donald Trump julgava deter a arma capaz de obrigar Teerão à capitulação sem condições e à aceitação da nova ordem regional liderada por Washington e os aliados saudita e israelita. Segundo Barbara Clavin, investigadora do grupo de reflexão Atlantic Council, presidido por Jon Hutsman embaixador nomeado por Trump em Moscovo, o projeto de aliança estratégica envolvendo o Egito e a Jordânia para isolar o Irão xiita e os seus aliados “morreu ao mesmo tempo que Jamal Khashoggi”.

Sinais de mudança

O primeiro destes factos diz respeito às sanções contra o Irão. O Departamento de Estado  tinha anunciado que o embargo sobre o petróleo e os bancos iranianos seria total e exporia os infratores, sem exceção, às represálias americanas. A 2 de novembro, o secretário de Estado, Mike Pompeo, explicou que oito países poderiam “temporariamente” continuar a importar crude iraniano e que o Irão ficaria ligado aos circuitos financeiros (mediante o sistema Swift). Entre os países beneficiários da derrogação sobre as importações de petróleo iraniano figuram a Coreia do Sul e o Japão, que a tinham pedido, mas também a Índia, o Iraque e a Turquia, que tinham abertamente desafiado a decisão unilateral da Casa Branca.

O outro facto é o ultimato lançado a 30 de novembro pelo general Mattis, chefe do Pentágono, e Mike Pompeo aos beligerantes do Iémen para um cessar-fogo ”no prazo de 30 dias” seguido da abertura de negociações de paz. É certo que Mattis exige dos chamados Houtis que façam o primeiro passo, retirando as suas tropas da zona fronteiriça com a Arábia Saudita, mas a verdadeira novidade em relação às anteriores tentativas de negociação é a que afirma que “a Arabia Saudita e os Emirados Árabes Unidos (EUA) estão prontos a suspender os bombardeamentos” iniciados em 2015 (é bom recorda-lo) por MBS, então ministro saudita da Defesa e ainda não príncipe herdeiro. 

O sultão Qaboos, de Omã, tem sido um discreto, mas eficiente mediador entre o Ocidente, o Irão e os países árabes em todas as negociações preliminares que deram lugar a acordos de paz, incluído o tratado sobre o programa nuclear iraniano, denunciado por Trump. E os EAU, a ponta da ofensiva militar da coligação árabe no Iémen e os verdadeiros donos do jogo no sul do país e em Áden têm manifestado divergências crescentes com a Arábia Saudita acerca da continuação da guerra.

Escrever direito por linhas tortas

Que a morte de um único individuo – Khashoggi – suscite mais emoção na opinião publicada – que as 60 a 80 mil vitimas da guerra do Iémen, descrita como “guerra a portas fechadas”, as centenas de milhares de crianças iemenitas a morrerem à fome ou o “genocídio a lume brando” em curso na Faixa de Gaza pode ofender a moral e a mais elementar justiça, mas é uma realidade quotidiana no mundo das “novas tecnologias da comunicação”. As vítimas anónimas agradecem todo o auxílio que lhes pode ser proporcionado, sejam quais forem as razões e as segundas intenções.

Longe de ser um caso isolado, o assassinato de Khashoggi levantou uma ponta do véu pudicamente lançado sobre a barbárie ordinária do regime saudita e o alegado progressismo do seu futuro rei MBS. Aconteceu porque ele não era um jornalista qualquer, mas um cronista do Washington Post. Não era também um saudita qualquer, nem sequer um «dissidente» mas um membro de uma família importante, ligado pessoalmente através da sua colaboração com o principe Turqui al-Faisal, ex-chefe dos serviços secretos e ex-embaixador saudita em Londres e em Washington, a uma facção dos inúmeros herdeiros do rei Ibn Saud.

Do seu «exílio» em Washington, Khashoggi pode reativar as redes de influência junto da classe política e mediática americana herdadas do tempo em que era responsável da comunicação do principe Turqui (até 2007). Mas a sua decisão recente de se mudar para Istambul, casando-se com uma cidadã turca, agravou a situação, do ponto de vista do homem forte de Riade. Com efeito, a Turquia de Erdogan e a Arábia de MBS estão em trincheiras opostas em quase todos os dossiês do Próximo Oriente, da Palestina, Síria , Líbano e Irão.

Inebriado pelo poder e os elogios internacionais, o jovem e inexperiente principe não soube antecipar os dividendos que o astuto e ambicioso Erdogan e o não menos ambicioso e vingativo emir do Qatar procurariam tirar do bárbaro e escandaloso assassinato de Khashoggi. No entanto, há um único ponto sobre o qual todos os atores da cena medioriental (incluídos Israel e Rússia) estão de acordo: na Arábia Saudita não se toca, porque é “o banco central do mercado petrolífero” e a sua desestabilização seria uma catástrofe de consequências planetárias. 

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