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BREXIT E O JOGO DO “EU SAIO MAS QUERO FICAR”

| Editoria Opinião | 20/11/2018

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Por Pedro Vila Nova

As recentes declarações da primeira-ministra britânica, Theresa May, sobre a ideia de prolongar o período de transição após o Brexit, foram interpretadas de forma diferente em Bruxelas e Londres. Para os europeus, ficou claro, que embora não rejeite essa hipótese, a líder conservadora não se mostrou abertamente interessada em avançar nesse sentido.

MAS PARA OS BRITÂNICOS A ideia que ficou, foi que ela estaria disposta a manter o país alinhado com a União Europeia, muito para além da data do Brexit, com custos políticos e financeiros acrescidos, o que não agrada aos eurocépticos.

Como confirmou a própria Theresa May no fim do Conselho da Europeu, as últimas conversações para desbloquear o impasse do Brexit emergiu a ideia de alargar o período de transição como uma possível solução para o problema do “back-stop” da Irlanda, a claúsula que a União Europeia inscreveu no acordo de saída para manter a “invisibilidade” da fronteira entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte. Para o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Junker, é “uma boa ideia” porque daria às duas equipas o tempo de manobra para negociar a futura parceria política indispensável entre os dois blocos económicos e assegurar mecanismos políticos.

O presidente do Conselho Europeu afirmou que os 27 países que compõem a União responderam politicamente pela positiva, que estariam dispostos a aceitar a proposta britânica de um alargamento do prazo fixado anteriormente. Theresa May, sob o fogo das críticas dos eurocépticos liderados por Jacob Rees-Mogg, procura furtar-se à questão assumindo uma posição ambígua: “Para já existe apenas uma ideia, uma opção para alargar o prazo por mais alguns meses. Mas eu não estou aqui para propor uma extensão, até porque ficou resolvido que não seria necessário, já que estamos a trabalhar da nossa relação futura para além de Dezembro de 2020”.

Mas apesar das conversações que se arrastam sobre as modalidades do Brexit, sem resultados práticos, os britânicos começam a se manifestar nas ruas, e particularmente em Londres. Em meados do mês de Outubro, os britânicos – convocados pelo Peoples Vote –forçaram, numa manifestação monstruosa, o governo de Theresa May a inflectir a sua posição sobre o Brexit.

“Os problemas mais importantes continuam por resolver, e muitas das suas consequências continuam escondidas da opinião pública”, afirmou Carmen Smith, do movimento militante For the Future, em comunicado de imprensa. “A elite do Brexit mostrou-se incapaz de resolver o problema, por isso reclamamos novo voto popular”, sublinhou Carmen Smith.

A ideia de um novo referendo ganhou popularidade nos últimos meses, com a adesão de muitas personalidades de tendências políticas diferentes, que se juntaram ao apelo do ex-primeiro-ministro Tony Blair.

Na última manifestação de Londres em meados de Outubro, apareceram personalidades de todo o tipo, tal como o mayor de Londres, Sadiq Khan, numerosos deputados conservadores, trabalhistas, liberais-democratas, Verdes e até do Partido independentista escocês (SNP). “Uma grande maioria da minha geração votou pelo Brexit, a vossa geração mais jovem foi traída pela minha”, afirmou Vince Cable à TVA News, comentando a ruptura geracional no movimento do Brexit.

Mas são sobretudo as grande empresas industriais, grandes cadeias de distribuição e logística, instituições financeiras, que temem o pior, sem terem certezas e perspectivas nos seus negócios a curto e médio prazos. Uma grande marca do pronto-a-vestir, um grande grupo mundial de multi-média, uma grande marca de bebidas, tomam posições públicas a favor da realização de um novo referendo sobre o Brexit. A Super Dry, no sector de refrigerantes, ofereceu 1 milhão de euros a favor dos movimentos que militam para um novo referendo.

A mesma posição é partilhada pelo empresário mais mediático do Reino Unido, Richard Brason, proprietário da marca Virgin, que afirmou que os “eleitores britânicos foram mal influenciados” no referendo do Brexit, opinião que é partilhada por muitos empresários do Reino Unido, e também muitos sindicatos que temem a subida do desemprego, apesar dos bons resultados económicos dos últimos anos.

E, como foi comentado pela correspondente francesa Leyle Melkorian da RFI, a Grã-Bretanha não possui constituição e, em consequência, qualquer referendo e mesmo o Brexit não possui qualquer valor jurídico rigoroso, que não possa ser alterado. Cerca de 42 % dos britânicos estimam que nas condições actuais é necessário realizar um novo referendo sobre a União Europeia, com 40% dos inquiridos contra, que sem contar os eleitores sem opinião poderia passar a fasquia dos 51%, afirma uma recente sondagem realizada pela YouGov para o quotidiano The Times.

Enquanto não se vislumbram novos contornos, o Plano Chequers (nome da residência de Theresa May, onde se passou a reunião do governo para assentar um caminho do “meio”) continua a ser considerado uma plataforma de trabalho e de orientação nas negociações com Bruxelas, embora já tenha sido repudiado publicamente pela União Europeia, principalmente no que toca a arrecadação de receitas aduaneiras pela Grâ- Bretanha.

As negociações parecem estar num beco sem saída e o mais provável que aconteça é a prorrogação do prazo do Brexit, para além de 2020. E concluindo com uma nota bem- humorada, a posição da primeira-ministra britânica resume-se no “eu quero sair, mas quero ficar”…

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