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São Tomé O Fim da Hegemonia de Patrício Trovoada

Conceição Lima | Editoria Opinião | 20/11/2018

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Por Conceição Lima

 

As eleições de 7 de Outubro, em São Tomé e Príncipe, puseram termo a quatro anos de hegemonia do Aliança Democrática Independente (ADI) e de uma supremacia personalista do seu líder, Patrice Trovoada, sem precedentes na IIª República.

Se na Região Autónoma do Príncipe, a União para a Mudança e o Progresso do Príncipe, UMPP, reconquistou a maioria absoluta, abrindo caminho ao quarto mandato consecutivo de José Cardoso Cassandra, no planos nacional e autárquico, a Acção Democrática Independente, ADI, procura, ainda, digerir o fim da maioria absoluta de 33 deputados (igualada apenas pelo PCD-GR aquando da mudança de regime, em 1991) e a perda de quatro das cinco câmaras arrebatadas no tsunami eleitoral de 2014. O veredicto popular impôs ao partido de Patrice Trovoada uma redução de oito deputados, enquanto o MLSTP-PSD logrou passar de 14 para 23 deputados, tendo a Coligação PCD-MDFM-UDD conquistado cinco e o Movimento dos Cidadãos Independentes, dois.

Confrontado com a perda da maioria, o primeiro-ministro Patrice Trovoada surpreendeu a nação, manifestando-se preparado para se coligar com o MLSTP ou com a coligação tripartida, numa abrupta interrupção de quatro anos de tratamento desdenhoso e, não raras vezes, insolente. A resposta das duas forças da oposição às tentativas de aproximação por parte do ADI, no país, e de Trovoada, a partir do estrangeiro, (para onde partiu antes da divulgação dos resultados definitivos) foi o anúncio de um acordo de incidência parlamentar, cujo primeiro grande teste acontecerá já no próximo dia 22, quando for eleito o presidente da Assembleia Nacional.

         A maioria do país, uma maioria aparentemente superior à aritmética eleitoral, rejubilou, embora não poucos tivessem vaticinado um castigo ainda mais severo. Respira-se melhor, já se pode respirar – ouvia-se, logo depois de conhecidos os resultados provisórios. Alusão directa a um modelo de liderança que desafiou as regras da coabitação entre órgãos de soberania, fracturou profundamente a sociedade, cerceou liberdades, nomeadamente a de imprensa, como nunca dantes no sistema multipartidário e mudou a hora, sem consultar ninguém. Comportamentos que levaram a oposição a argumentar, intensamente, durante a campanha, que o que estava em jogo era a própria sobrevivência do regime democrático.

O ADI manteve as críticas ‘’aos que pouco ou nada fizeram durante 43 anos’’, apelando a ‘’mais 4 anos de mudança’’ para melhorar as condições de vida dos mais necessitados, designados por Patrice Trovoada como ‘’povo pequeno’’, de quem se proclamou defensor e campeão do primeiro ao último dia da sua governação. A extensão de água e de energia eléctrica para algumas localidades remotas que nunca haviam conhecido tais serviços e a construção de infraestruturas desportivas para a juventude, foram duas das suas principais bandeiras de campanha.

Para a impopularidade do governo, obscurecida por um rígido controlo da imprensa, foram contribuindo o enfraquecimento do empresariado nacional, o aumento dos impostos sobre bens de primeira necessidade, a introdução de taxas moderadoras nos serviços de saúde, o aumento das propinas escolares e, já com eleições à vista, o agravamento dos preços dos combustíveis. Tais medidas acabaram por penalizar, de forma particular, justamente as franjas do eleitorado reivindicadas pelo ADI, beneficiário, em 2014, de largas faixas flutuantes e descontentes. Para este desfecho, há— que destacar, é certo, o rejuvenescimento das bases do MLSTP-PSD, partido histórico que conseguiu, a escassos meses das eleições, estancar uma prolongada crise intestina e lançar, como líder, o ex-ministro da Educação e Cultura, Jorge Bom Jesus. Conciliador, humilde no melhor sentido da expressão, eloquente, Bom Jesus afirmou-se, numa autêntica corrida contra o tempo, como o rosto da mudança de um partido renovado e apostado em reconquistar o poder.  

Contudo, entre os são-tomenses, incluindo, em surdina, o próprio ADI, é consensual que a pulverização da onda azul e amarela que inundou o país em 2014 se deveu, sobretudo, ao estilo autoritário e, para muitos, arrogante, de Patrice Trovoada, agravado por um aparente desafecto (alguns diriam mesmo, desdém), no seu relacionamento com o país, de onde se ausentava com excessiva frequência.

Em 2014, foi acolhido triunfalmente por milhares de são-tomenses que o escoltaram, a pé, do aeroporto até ao centro da cidade, entre manifestações de autêntica idolatria. A forma como decorreu a campanha e o desfecho das eleições indicam que, quatro anos depois, Patrice Trovoada, PT, como é chamado, passou a ser encarado como a maior fraqueza do ADI. Ao que tudo indica, o Presidente Evaristo Carvalho irá chamar a Acção Democrática Independente a formar um governo minoritário o qual, salvo circunstâncias imprevistas, cairá no parlamento.

O ciclo governativo que muitos projectavam para 12 anos, não irá ultrapassar, pelos vistos, os quatro. Tamanhas foram as sequelas cívicas que grupos de voluntários guardaram dia e noite as urnas, nasassembleias distritais, dormindo ao relento, enquanto, na capital, o contestado Tribunal Constitucional procedia à reverificação dos votos sob uma vigília permanente. Um cidadão do distrito de Lobata, de onde dois camiões carregados de populares escoltaram as urnas até ao Tribunal Constitucional, disse que tinham escoltado ‘’a sua liberdade.’’ A palavra ‘’liberdade’’ foi, talvez, a mais escutada, depois das eleições de 7 de Outubro.

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