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Trump abandona acordo nuclear com a Rússia

| Editoria Artigo | 20/11/2018

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 J. A. Rangel

Donald Trump anunciou que os Estados Unidos se retirariam do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermédio, assinado em 1987 por Ronald Reagan e Mikhail Gorbatchov. Especialistas alertam que a decisão pode levar ao colapso do START em 2021. Outros preferem pensar que é uma jogada estratégica trumpiana para trazer a China e o Irão à mesa de negociações de um futuro acordo nuclear.

"VAMOS PÔR FIM AO acordo e vamos sair", anunciou Trump, 31 anos depois de Washington e Moscovo terem assinado o tratado que iria destruir os seus mísseis de médio alcance. “Não vamos deixá-los violar o acordo nuclear e fabricar armas, enquanto nós não somos autorizados. Nós permanecemos no acordo e temos honrado o acordo. Mas a Rússia, infelizmente, não respeitou o acordo”, criticou.

Passadas três décadas, pareceu a Trump que o START tornara-se obsolecto pois apenas vincula os EUA e a Rússia, enquanto a China e o Irão estão a produzir armas de médio alcance e não têm de cumprir os limites do acordo. “Teremos de desenvolver essas armas, a não ser que a Rússia e a China venham ter connosco e digam que temos todos de deixar de desenvolver essas armas. Mas se a Rússia e a China estão a desenvolvê-las, e nós continuamos a cumprir o acordo, isso é inaceitável”, disse Trump.

Os EUA acusam a Rússia de violar o tratado ao fabricar o míssil Novator 9M729, que Washington diz ter um alcance superior aos limites estabelecidos e que a Rússia afirma estar abaixo dos 500 km. Trump não é o primeir a acusar Moscovo de violar o histórico tratado. Em 2014, Barack Obama fez o mesmo, mas terá sido convencido pelos parceiros europeus a não rasgar o acordo, coisa que o politicamente incorrecto Trump vai fazer. “Eles violam-no há muitos anos”, assegurou Trump. “Não sei porque é que o presidente Obama não o renegociou ou não se retirou [do tratado]”.

Este ano, os EUA lançaram um programa de pesquisa e desenvolvimento (permitido pelo tratado) de mísseis de médio alcance lançados a partir do solo. Os analistas dizem que Washington pode adaptar os Tomahawk, usados pela Marinha, para serem colocados em terra, no território de países aliados na Europa e na zona do Pacífico, se o tratado for rasgado. Seja qual for o motivo que mais pesa na vontade dos EUA de saírem do tratado – uma resposta à violações por parte da Rússia ou oreceio de perder o ascendente em relação à China –, a decisão da Casa Branca fez soar os alarmes nos grupos e instituições que analisam questões militares.

Reacções e sinais de alerta

Voltam a ouvir-se alertas sobre um possível regresso aos tempos da proliferação nuclear e uma onda de contestação, roçando a histeria anti-trumpiana, tomou conta do mundo. “Esta é a crise mais grave no controlo das armas nucleares desde os anos 1980”, disse ao Guardian  Malcolm Chalmers, director-adjunto do grupo independente Royal United Services Institute. Ele sublinha que o possível colapso do tratado pode levar ao fim de outro acordo histórico sobre desarmamento – o New START, assinado em 2010 por Obama e Medvedev (Rússia), com vista à redução de armas nucleares, e que expira dentro de três anos. Se isso acontecer, diz Chamber, “o mundo pode ficar sem quaisquer limites aos arsenais nucleares pela primeira vez desde 1972”.

“Um erro”, diz Gorbatchov, o líder da URSS que assinou o tratado naquele 8 de Dezembro de 1987 em Washington, ao lado de Reagan. “Não pode ser assim tão difícil de perceber que descartar acordos como este é uma decisão com vistas curtas”, disse Gorbatchov, agora com 87 anos, à agência Interfax. “E vai sabotar os esforços feitos pelos líderes da URSS, e dos próprios EUA, para alcançarmos o desarmamento nuclear.”

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Riabkov, disse que o tratado é “muito importante para a segurança internacional e para a manutenção da estabilidade estratégica no campo das armas nucleares”. Em declarações à agência russa TASS, Riabkov afirmou que o acordo assinado durante a Guerra Fria é “significativo para a segurança internacional e a segurança nuclear, para a manutenção da estabilidade estratégica”.

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Vladimir Putin fez saber se os EUA continuam a agir “de maneira maldosa e grosseira” e se retiram unilateralmente de tratados internacionais, a Rússia “não terá outra alternativa senão "tomar medidas de retaliação, inclusive em relação à tecnologia militar”.

O histórico

No essencial, o tratado levou os dois países a destruir 2692 mísseis de curto e médio alcance (entre 500 km e 5500 km), com capacidade para serem armados com ogivas nucleares e a comprometerem-se a não fabricar novas versões dessas armas – nem das plataformas móveis que permitem o seu lançamento. O acordo abrange apenas os mísseis disparados a partir do solo, por terem maior mobilidade e permitirem ataques com menos tempo de aviso.

O impulso para a assinatura deste tratado começou uma década antes, em meados da década de 70, numa época em que não se vislumbrava um mundo muito diferente daquele que tinha nascido após a II Guerra Mundial: para efeitos de superioridade militar, os EUA e a União Soviética só tinham de tirar as medidas entre si para estabelecerem os limites dos seus arsenais.

O tratado, ao abolir o uso de uma série de mísseis de alcance entre os 500 e os 5 mil km, pôs fim à crise desencadeada na década de 80 com a implantação dos SS-20 soviéticos visando capitais ocidentais.

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