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Última página O VERMELHO E O NEGRO, A VERDADE DENTRO DA MENTIRA

| Editoria Cultura | 20/11/2018

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Amável Fernandes

O romance em dois volumes o Vermelho e Negro, de Stendhal, é o grande romance do Amor e da Morte, do Poder e da Perdição. Adultérios, amores não correspondidos, incestos, cartas anónimas, viagens por museus e bibliotecas, adulação hipócrita, prisão, cargas de cavalaria, remorsos e beijos no rosto de uma cabeça decepada.

 A sua actualidade é mais que evidente nos dias de hoje. É a vasta crónica da contra-revolução francesa que começa com a decapitação de Luis XVI, até ao regresso dos Bourbons.

Em 1813, dezasseis anos antes de vir a lume O Vermelho e o Negro, romance que foi saudado por Balzac e pelo grande Tolstoi, que adopta na descrição da batalha de Borodino, o reconhecimento minucioso de terreno na sua descrição da sangrenta jornada de Waterloo; o pobre Henri Beyle, que não suspeitava ainda o seu fabuloso destino, acicatado por dívidas e na penúria húmida de uma mansarda de Paris, vende o que lhe restava do seu aparato social: o seu pobre cavalo para os matadouros de La Vilette.

Mas a vida do senhor H.B., aliás César Bombet, aliás Arrigo Beyle, aliás Stendhal, que em Paris se dedicava a plágios alimentares, da Vida de Haydin e Mozart, Rossini, que levou o verdadeiro autor Carpiani, a gritar por socorro, dá voltas e reviravoltas e, no ano de 1831, damos com ele a  entrar na Civita Vechia, engalanado com seu belo uniforme e dragonas de tenente de Cavalaria de Napoleão sob ovações da populaça –ele que nunca deu uma saibrada na vida e abominava todas as batalhas como coisa sem importância—munido com as credenciais de cônsul do grande corso na Cidade Eterna.

Graças à protecção de um primo afastado, Pierre Daru, militar do círculo íntimo de Bonaparte, ele acompanhou o imperador nas suas campanhas em Itália, Áustria e Rússia, como um turista privilegiado na boca da cena da Europa. Em Viena, no rescaldo da entrada das tropas franceses na cidade, ele largou tudo para estar presente (em privado) nos funerais de Haydin, onde se tocou Mozart, com as presenças muito prováveis do jovem Beethoven e de uma criança ensimesmada chamada Franz Schubert.

Mas comecemos pelo título da obra, O Vermelho e Negro, que é bastante insólito. Porquê? Stendhal que deixou caixotes com páginas e páginas escritas ao seu testamentário em Paris, nunca forneceu a mais breve pista, o que ainda derrete as meninges dos especialistas stendhalianos: o negro seria a uma alusão à sotaina negra do clero e o vermelho o sangue das batalhas da campanha napoleónica, ou da farda das tropas francesas, que com restauração da monarquia mudou para azul céu.

Outros suspeitam que Henry Beyle, antes de adoptar o pseudónimo de Stendhal (nome de uma pequena vila austríaca) pertencera a uma sociedade secreta franco-belga, de existência oblíqua e reservada a poucos iniciados. O negro e o vermelho eram cores de anarquistas-revolucionários parentes da carbonária italiana.

Mas este grande apaixonado pela Itália, com uma experiência amorosa frustrante longe das façanhas brejeiras do signore Casanova, escreveu um pequeno livro de meditações sobre a paixão amorosa, um pequeno tratado denominado Do Amor, que vende somente 17 exemplares, e que o seu editor, cinicamente dizia que era um “ livro sagrado, tão sagrado que ninguém lhe tocava”.

Vivo numa cidade que não tem quase livrarias, pelo que se torna muito difícil encontrar Julien Sorel, o personagem principal da obra, assim como madame Reynal e Mathilde la Môle, as contrapartidas femininas, deste amor de perdição, como diria Camilo.

Flutua na cidade a bandeira vermelha e negra, mas todos nós temos um bocadinho da falta de escrúpulos de Julien Sorel. Todos ou quase todos…

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