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QUO VADIS BRASIL? QUANDO A NOSTALGIA DO PASSADO É O FUTURO

| Editoria Artigo | 21/11/2018

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Por Amável Fernandes

Jaír Bolsonaro foi eleito presidente da República do Brasil num clima de ódio, de “fake news” e de rejeição, mostrando para o mundo um Brasil insuspeito em plena crise de identidade, longe das imagens tradicionais do “paraíso terrestre” como lhe chamou o escritor francês Blaise Cendrars, ou do “país do futuro” de Stefan Zweig, ou da capa do magazine liberal The Economist (2009), em que mostrava o Cristo Redendor, como um foguetão a levantar voo.

AGORA QUE AS MANIFESTAÇÕES estão a abrandar e o bom senso começa a assentar depois dos vitupérios da esquerda e da extrema-direita, indeléveis para a história da política brasileira, começa a imperar o raciocínio dos cálculos frios da chamada cozinha política do novo poder e da oposição. E a primeira pergunta é inevitável: Quem É Jair Bolsonaro, um liberal ou nacionalista autoritário e corporativista no estilo do “Estado Novo” e dos militares do golpe de 1964? Ou um liberal com uma agenda económica da escola de Chicago na esteira do venerado Milton Friedman que fez adeptos no Chile?

O Congresso a partir de princípios de Janeiro do próximo ano será palco de grandes batalhas decisivas e de medição de forças políticas que irão definir a sua pertença identitária. Bolsonaro estará perante o teste da reforma da Previdência, que tentará aprovar de rompante no primeiro trimestre do próximo ano: se não o conseguir, como afirma o politólogo Paulo Kramer, terá muitas dificuldades para aprová-lo posteriormente.

O novo presidente disporá de uma grande maioria conservadora entre os deputados. No Senado terá mais dificuldades, mas, se bem que maioria possa estar mais disponível para aprovar alguns textos de Bolsonaro mais “fracturantes”, é bem previsível que se levantem alguns obstáculos às reformas económicas de Paulo Guedes, o novo «czar» da economia. O antigo aluno de Milton Friedman, que tem na sua agenda o desmantelamento do sector público pletórico, mas decadente e deficitário, pode entrar em choque com a ala nacionalista de cariz militar. Por isso, não se sabe quanto tempo vai durar o romance de cordel entre a bolsa/mercados e a velha mentalidade corporativista e nostálgica do “milagre económico”.

Durante a campanha eleitoral, os ideólogos da “banda larga” que apoiavam Bolsonaro coscuvilhava comunistas até debaixo da cama, enquanto a esquerda recorria sem grande músculo cerebral aos velhos chavões do fascismo e dos riscos para democracia. “Riscos de quê?” – interrogava-se o cientista político Fernando Bizarro. “Se for a brusca da democracia – com um golpe que cancele eleições, feche o Congresso e suspenda direitos – o risco é provavelmente zero. Tanto a experiência internacional, quanto a história brasileira mostraram isso”.

Para os novos teóricos das Ciências Políticas que têm estudado a chegada da direita populista ao poder na América de Trump, Itália de Salviani, Hungria de Orban, Polónia de Norawiecki e Filipinas de Duterte o grande perigo vem da erosão lenta e gradual de algumas dimensões comuns da democracia e da sua degeneração. A violência no Brasil, com uma estatística assustadora, foi uma das grandes razões do voto no ex-capitão do Exército. As pessoas (e não só no Brasil) estão dispostas a abdicar da liberdades em troca de segurança.

Depois do bulício das manifestações

O grande triunfo de Bolsonaro reside na sua imensa popularidade e na sua capacidade de leitura dos sentimentos-fantasmas da grande maioria dos brasileiros, todas as classes confundidas, mas com uma predominância para a classe média (assustada) dos chamados remediados e mesmo da “pobre gente”, que vêm nele o homem providencial, o justiceiro capaz de meter o Brasil nos eixos, após a grande decepção da direita tradicional e da esquerda do PT mergulhada, aparentemente, nos mesmos esquemas de corrupção.

O futuro presidente começa a agora reacentrar o seu discurso abandonando algumas das suas intervenções homofóbicas e racistas que lhe ganharam o apoio nas redes sociais. Parecem hoje esquecidas as palavras de elogio ao coronel Carlos Brilhante Dutra, torcionário emblemático da ditadura. Todavia, um recente livro muito citado pelos jornalistas nas últimas semanas, assinado por um investigador da Harvard, Steve Lenitsky – Como as Democracias Morrem – afirma que as “personalidades míticas têm demasiado poder. E isso abre caminho a que os cidadãos aceitem que o presidente governe fora da legalidade, dando-lhes ainda mais poder”.

E o perigo espreita por essa janela, porque para pôr em prática um projecto liberal semelhante ao do Chile, de Pinochet, será preciso muita autoridade sem tombar na ditadura formal. Por isso mesmo, o modelo pode ser o meio caminho de uma autarcia eleitoral, como o de Recep Eredogan, na Turquia, e Duterte, nas Filipinas, curiosamente este último eleito sob a bandeira do combate ao banditismo.

Mas a prova de fogo de Bolsonaro, vai ser desencravar a economia para um crescimento rápido que favoreça o investimento e que faça baixar o desemprego. Hoje, a economia está amodorrada e necessita de reformas estruturais urgentes; um autêntico tratamento de  choque.

Existem três factores determinantes que podem emergir no horizonte próximo do Brasil: a crise republicana; o reforço da esquerda revigorada que utilizará o movimento grevista; e a quebra definitiva da direita tradicional, que continuará amorfa com um salvo-conduto para o movimento da direita populista, criando um perigoso vazio no centro. A sociedade brasileira foi dividida por um desfiladeiro político profundo, com a sua identidade perdida. Ela procura o milagre – como na telenovela da Globo – o seu Roque Santeiro.

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