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Ano termina com recorde de jornalistas presos no mundo, diz CPJ

| Editoria Sociedade | 14/12/2018

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O número de jornalistas presos no mundo aumentou, pelo terceiro ano consecutivo, cifrando-se até ao momento em 251, a maioria deles na Turquia, de acordo com um relatório publicado pelo Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ).

Os 251 presos representam um recorde desde que existe o acompanhamento do CPJ, que destacou que um mundo com centenas de jornalistas na prisão se transformou na "nova normalidade".

A Turquia, com 68 jornalistas presos, é o país que lidera este ranking, seguido pela China (47), Egipto (25) e Arábia Saudita (16).

A Eritreia completa os cinco primeiros lugares da lista, também com 16, mas a CPJ alertou que desconhece se esses jornalistas, na sua maioria presos desde 2001, continuam vivos.

Outros países com jornalistas na prisão são o Vietname (11), Azerbaijão e os Camarões (7).

Cerca de 70 porcento dos jornalistas presos no mundo foram detidos por crimes contra o Estado. Na Turquia, por exemplo, a maioria é acusada de laços com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), a guerrilha curda do país.

O relatório também destaca o aumento de jornalistas detidos pela divulgação de "notícias falsas", que em dois anos passaram de nove para 28. A maioria de presos actualmente por esse motivo, 19, está no Egipto.

O CPJ lembrou que esse aumento ocorreu em paralelo à intensificação da retórica global sobre as "notícias falsas" ("fake news"), que tem como maior expoente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Além disso, não há informações sobre as acusações que pesam sobre 18 porcento dos presos.

Quanto ao continente americano, figuram na lista a Venezuela, com três presos, e o Brasil, com um, enquanto nos EUA, "onde os jornalistas enfrentaram uma retórica hostil e violência física", não há profissionais na prisão, mas houve nove detenções ao longo do ano.

O relatório também revela que na Europa há um jornalista russo preso na Ucrânia e outro ucraniano na Rússia, enquanto na Etiópia não há profissionais presos (pela primeira vez desde 2004) e no Uzbequistão (pela primeira vez em 20 anos).
 

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