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“Barracoon, a História do Último Navio Negreiro”De Zora Neale Hurston, publicado 70 anos depois

| Editoria Cultura | 14/02/2019

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Por José Mendonça

 “- Quero lhe perguntar muitas coisas. Eu quero saber quem você é e como você se tornou um escravo; e a que parte da África você pertence, como você se saiu como escravo, e como você conseguiu ser um homem livre? - Quando ele ergueu o rosto molhado novamente, murmurou: 

- Obrigado, Jesus! Alguém vem saber do Cudjo! Eu quero contar para alguém quem sou eu, então talvez essa pessoa vá dizer a todos o que Cudjo falou, e como eu vim para a América desde 1859 e nunca mais vi o meu povo. “ 

 Este é um pequeno extracto do livro de Zora Neale Hurston sobre o último sobrevivente do comércio transatlântico de escravos, Cudjo Lewis, publicado a 8 de Maio de 2018, quase um século depois de ter sido escrito.

Hurston conta a história de Cudjo Lewis, que nasceu no que hoje é o Benin, na África Ocidental. Originalmente chamado Oluale Kossula, foi capturado por membros da vizinha tribo Dahomé e levado para a costa quando tinha apenas 19 anos. Lá, Kossula e cerca de 120 outros troféus de guerra africanos foram vendidos como escravos e enlatados no Clotilda , o último navio negreiro a chegar aos Estados Unidos.

A obra foi ignorada por mais de 70 anos, porque o mito de africanos pobres e explorados, capturando e vendendo seus compatriotas para os escravocratas, não convinha à América que desejava não ofender ainda mais os afro-americanos. 

Embora os Estados Unidos tenham aprovado a "Lei de 1807 sobre a Proibição da Importação de Escravos ", os navios continuaram a desalfandegar africanos raptados para a América por mais de 50 anos. Aproximadamente 60 anos após a abolição da escravatura, a antropóloga Zora Neale Hurston  localizou o último sobrevivente cativo do último navio negreiro a trazer africanos para os Estados Unidos.

Hurston conduziu entrevistas com o sobrevivente, mas lutou para publicá-las como um livro no início dos anos 1930. Na verdade, só agora sai a público sob o título de “Barracoon: a História do Último Navio Negreiro”.

O cargueiro Clotilde trouxe os seus prisioneiros para o Alabama em 1860, apenas um ano antes do início da Guerra Civil. Embora a escravidão fosse legal naquela época nos EUA, o comércio internacional de escravos não era. A odisseia de Cudjo Lewis é um exemplo de como os traficantes de escravos deram a volta à lei para continuar importando carga humana.

Para evitar a detecção, os captores de Lewis vestiram-no decentemente, assim como aos outros sobreviventes no Alabama durante a noite e os esconderam num pântano por vários dias. Para ocultar a evidência do crime, o veleiro de 86 pés foi incendiado nas margens do delta Mobile-Tensaw (a carcaça carcomida pode ter sido descoberta em Janeiro de 2018).

A narrativa de Cudjo Lewis fornece um relato em primeira mão do trauma desorientador da escravidão. Depois de ter sido sequestrado na sua terra, Lewis foi forçado a entrar num navio. Os capturados conviveram vários meses juntos durante a travessia para os Estados Unidos, mas foram separados no Alabama para irem a diferentes plantações.

"Lamentamos muito nos separar dos nossos irmãos", disse Lewis a Hurston. “Durante setenta dias atravessamos o oceano de África e agora nos separamos num outro lugar. Por isso, chorámos. A nossa tristeza era tão pesada. Acho que talvez eu morra no sono quando sonho com a minha mãe.”

Lewis também descreve como foi chegar a uma plantação onde ninguém falava a sua língua e como lhe explicaram onde ele estava ou o que estava acontecendo. 

Quanto à Guerra Civil, Lewis disse que não estava ciente disso quando começou. Mas a meio caminho, ele começou a ouvir que o Norte tinha começado uma guerra para libertar pessoas escravizadas como ele. Poucos dias depois de o general confederado Robert E. Lee ter-se rendido em Abril de 1865, Lewis diz que um grupo de soldados da União parou num barco no qual ele e outras pessoas escravizadas estavam e disse que estavam livres.

Lewis esperava receber uma indemnização por ter sido sequestrado e forçado à escravidão, e ficou furioso ao descobrir que a emancipação não veio com a promessa de “quarenta acres e uma mula”, ou qualquer outro tipo de reparação. Frustrado com a recusa do governo em fornecer-lhe terras para viver depois de roubá-lo da sua terra natal, ele e um grupo de 31 pessoas liberaram dinheiro para comprar terras perto da capital do estado, chamada de Africatown.

O uso do diálogo vernacular pela autora do livro, tanto nos seus romances quanto em suas entrevistas antropológicas, foi muitas vezes controverso: alguns pensadores negros americanos na época argumentavam que isso representava caricaturas negras nas mentes dos brancos. Hurston discordou e se recusou a mudar o dialecto de Lewis - que foi uma das razões pelas quais uma editora transformou o manuscrito nos anos 1930.

Muitas décadas depois, os leitores modernos têm a oportunidade de conhecer a história de Lewis da forma como ele contou.

(Leia o artigo na integra  na edicção nº136 da Revista África21, mês de Fevereiro)

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