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África quer tornar comércio intra-africano uma marca

| Editoria Economia | 19/02/2019

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Texto: Amélia Domingos

            Foto: Sílvio Nascimento   

A primeira Edição da Feira Intra-Africana (IAFT-2018), realizada na cidade do Cairo, Egipto, foi o pontapé de saída para a efectivação da Zona de Livre Comércio Continental (ZCLC). Em Março do ano passado foi assinado o acordo de nascimento ZLCC, por 44 Estados Membros. Os outros onze países com economias "fortes", como a Nigéria e África do Sul, ainda estão cépticas quanto a este projecto da União Africana. Continuam a não subscrever o acordo.

MAS O EX-PRESIDENTE da Nigéria, Olusengun Obassanjo, um dos mentores deste projecto, afirmou, num dos seus discursos na IAFT-2018, no Cairo, que basta pelo menos 22 países africanos ratificarem o acordo para logo ser implementado. A União Africana tem consciência que tem pela frente um enorme desafio, afirmou. Porquanto, o continente "não pode esperar por aqueles que ainda estão cépticos. Basta pelo menos 22 países ratificarem para que a ZLCC seja implementada".

Para Olusengun Obassanjo, a IAFT-2018 foi a maior amostra de negócios, cuja concretização, com sucesso, veio reforçar esseobjectivo. Os países africanos mostraram aquilo que se produz, principalmente em sectores como a agricultura, indústria têxtil, farmacêutica, alimentar, madeira, mineira, petrolífera, automobilista, tecnologia, energia renovável, etc.

Segundo os promotores, a União Africana (UA) e o Banco Africano de Importação e Exportação (Afreximbank), o evento ultrapassou as expectativas, a todos os níveis, tendo estabelecido 700 contactos de negócios, estimados em torno de 30 mil milhões de dólares, contra os 25 mil milhões previstos.

Foram 1100 expositores, num espaço de 16 mil metros quadros, 42 pavilhões mais de 70 mil visitantes, cerca de 80 países, entre africanos e não africanos. A organização quer fazer deste evento uma marca e já programa a próxima edição, a acontecer em Kigali, Rwanda, em 2020.

Olhando para estes indicadores, é perceptível depreender a vontade dos africanos em tornarem-se independentes económica e financeiramente, apesar ainda dos "pequenos" entraves existentes no caminho para a efectivação da implementação ZCLC. A ideia é estabelecer uma plataforma para compartilhar informações sobre comércio, o mercado e investimento e permitir que compradores e vendedores tanto como os investidores e países se encontrem, discutam e concluam negócios.

Os números fundamentam o optimismo: Estima-se que até 2021, o comércio intra-africano atinja os 270 mil milhões de dólares e passe de 18 para 22 por cento o volume de transacções comerciais anuais a estabelecer entre países do continente. Actualmente, as transacções comerciais africanas estão a volta dos 70 mil milhões de dólares/ano. Um indicador considerado "muito baixo".

Olusengun Obassanjo acredita que até 2021, com a implementação da Zona de Livre Comércio Continental Africana (ZLCCA), essa meta poderá ser alcançada, sobretudo pelos resultados obtidos na primeira Edição IAFT-2018. "Acreditamos, depois do sucesso desta primeira edição, que em 2020 todos os países que subscreveram o acordo ZLCC poderão manifestar o desejo de participar e os que não estão, até lá estarão integrados”, observou Obassanjo.

(Leia o artigo na integra  na edicção nº136 da Revista África21, mês de Fevereiro)

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