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Racistas ou nem por isso?

| Editoria Sociedade | 13/03/2019

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Por Germano de Almeida

Foi nos inícios dos anos 60 do século passado, certamente por pressão dos movimentos independentistas e urgente necessidade de provar ao Mundo que éramos todos, brancos, pretos, amarelos, mulatos e companhia, todos iguais perante a Nação, que Portugal começou a integrar os naturais das ex-colónias nas tropas da Marinha. E lembro-me de um navio de guerra português que fundeou no porto da vila de Sal-Rei donde desembarcaram uma quantidade de jovens negros, bem tratados e fardados de um branco impecável e imaculado, e que saíram a passear e conhecer as ruas da vila. Quando passaram pela nossa casa a minha mãe viu-os e chamou-nos, Venham ver uns pretinhos de guerra a passar! Fomos ver. Eram muitos e rigorosamente fardados e bonitos, passeando em fila quase militar, sorrindo para nós, cumprimentando alegres. Depois que ficámos só nós, disse para a minha mãe, Mas espera, tu também és preta! Não, respondeu sem hesitar, nós somos cabo-verdianos.

Os cabo-verdianos em geral sempre tiveram alguma dificuldade em aceitar a sua condição de negro. Há muitos exemplos históricos a comprovar essa asserção, alguns bem caricatos como o caso de um administrador da ilha do Maio no século 18, negro como um carvãozinho, mas que se apresentou como branco a estrangeiros que visitaram a ilha. Pode ter sido o conhecimento dessa fraqueza nacional que levou Baltazar Lopes, no prefácio a Aventura Crioula de Manuel Ferreira, a afastar a nossa eventual condição quer de africanos quer de europeus, para sem mais nos afirmar orgulhosamente cabo-verdianos. E dentro dessa linha de pensamento, costumo defender, sem qualquer fundamento científico, é verdade, a existência de mais uma raça, a juntar-se às já existentes, e que é a raça cabo-verdiana. Penso que se alguém com capacidade e conhecimento e vontade, pegasse a sério nesse postulado, bem perfeitamente que sem grande esforço poderia reencher o novo conceito de mais uma raça no mundo, a cabo-verdiana, caracterizando-a como tendo sido historicamente composta por todas as raças e culturas que aqui aportaram e se juntaram e se misturaram e se multiplicaram e acabaram criando raízes e se espalharam pelas ilhas todas, todos moldados por uma terra onde tiveram que quebrar pedras para inventar comida e que manenti manenti não se acanhava de os matar à fome.

(Leia o artigo na integra  na edicção nº137 da Revista África21, mês de Março)

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