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Basílica de YamoussoukroO “presente pessoal” de Boigny a Cristo!

| Editoria Política | 04/06/2019

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Algumas lembranças inusitadas, da nossa história recente, voltam à nossa memória colectiva, sobre como alguns líderes africanos se entregaram, nas últimas décadas, à delapidação de recursos financeiros dos respectivos países, apenas pelo prazer de criarem em torno de si uma certa aura de nobreza e de poder absoluto, ante o estado de indigência em que continuam a viver os seus povos!

                                                                                Por Mário Pedro

TRÊS CASOS paradigmáticos servem para ilustrar isso mesmo: O do ex-imperador Jean-Bédel Bokassa (do então Império Centro Africano) e dos ex-presidentes Mobutu Sesse Seko (ex-Zaire, actual RDC) e Félix Houphouët-Boigny (Côte d’Ivoire). O primeiro, pelos escândalos em que se envolveu com as remessas encobertas de lotes de diamantes às elites políticas francesas e o segundo pelos sumptuosos palacetes – o “Palais Gbadolite” – que mandou edificar numa inóspita região de florestas em Gbadolite, sua terra natal.

Mobutu fez de Gbadolite uma pequena e remota região fronteiriça com a República CentroAfricana – uma cidadezinha de sonhos e encantos, onde passou a receber chefes de Estado e outros dignitários mundiais. É disso exemplo a Cimeira africana que resultou no embuste do Acordo de Gbadolite para a pacificação de Angola, entre o governo e a Unita, sob mediação de 19 chefes de Estado, realizada a 22 de Junho de 1989. Até essa altura nenhuma outra Cimeira Africana havia reunido tamanho coro de presenças.

Gbadolite estava provida de estruturas que poucas cidades no mundo se podiam gabar de ter e um aeroporto capaz de receber o Concorde, com uma pista de 4 quilómetros de comprimento e uma aerogare moderna, toda envidraçada, com free-shops e tudo.

Foi aqui que, em meados de Maio de 1997, Mobutu celebrou a sua “última ceia” com os mais próximos colaboradores, dias antes da entrada de Joseph Kabila em Kinshasa. Os seus guerrilheiroscomandaram a pilhagem do complexo, após a fuga do “velho leopardo” para o exílio, em Marrocos, onde veio a falecer e enterrado sem honra nem glória. Para trás deixava uma memória que gradativamente vai desaparecendo com o tempo, até um dia desaparecer este símbolo da vaidade pessoal.

O octogenário presidente ivoiriense, Félix Houphouët-Boigny, não lhe fica atrás, em matéria de excentricidades. Também mandou edificar, na sua terra natal, Yamoussoukro, 240 quilómetros a norte de Abidjan (a capital política e administrativa do país), uma sumptuosa Basílica, catalogada como a maior igreja cristã do mundo. Foi baptizada de Basílica de Nossa Senhora da Paz de Yamoussoukro (Basilique de Notre Dame de la Paix de Yamoussoukro).

(Leia o artigo na integra  na edicção nº139 da Revista África21, mês de Maio)

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