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Política

Governo moçambicano ameaça suspender empresas mineradoras

| Editoria Política | 20/06/2019

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O governador da província moçambicana de Manica, Rodrigues Alberto, ameaçou sancionar algumas empresas nacionais e estrangeiras que se dedicam à exploração mineira na região, incluindo a suspensão das actividades. 

"Vamos ser implacáveis para essas empresas: se não estão preparadas, vamos mandar fechar. Estes recursos não podem ser uma maldição", referiu o governador, num comício realizado em Mavonde, aldeia do interior leste, junto à fronteira com o Zimbabwe.

As punições podem levar mesmo à retirada de licenças, referiu.

Rodrigues Alberto considerou haver um contraste muito grande entre a intensidade da exploração de ouro e a pobreza que caracteriza a região.

A declaração de Rodrigues Alberto foi feita depois de a população se queixar de expropriação de campos agrícolas, poluição dos rios, degradação de estradas e falta de cumprimento de promessas de construção de escolas e centros de saúde pelas mineradoras.

Durante uma visita feita a várias mineradoras na região, foi verificado que a contribuição para o desenvolvimento das comunidades "era ínfima ou inexistente".

O governante disse que vários rios estão poluídos com produtos tóxicos da actividade mineira - por exemplo, mercúrio, usado na lavagem do ouro - colocando em perigo a criação de gado e a agricultura, que são bases de subsistência da população.

"Que o negócio seja feito respeitando as comunidades locais, desenvolvendo-as e, acima de tudo, respeitando os valores mais elementares da conservação do meio ambiente", referiu Rodrigues Alberto.

O distrito de Manica, fértil em recursos minerais, enfrenta uma forte actividade de extracção de ouro e bauxite por empresas nacionais e estrangeiras, a par de uma intensa actividade de garimpo, que envolve crianças.

Geralmente os garimpeiros vendem o ouro às empresas mineiras, com licenças de exportação, uma medida apoiada pelo governo, para evitar o contrabando do minério.

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