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O CAPCIOSO RELATÓRIO BACHELET

| Editoria Política | 12/08/2019

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Mais repetido que uma tele-série turca, o Relatório Bachelet sobre a Venezuela repete, de A a Z, as afirmações do governo norte-americano. Ou seja: as desventuras do povo venezuelano devem-se a um governo que viola os seus direitos humanos, priva-o de alimentação e saúde e o empurra para o êxodo.

Por: Manuel Cabieses Donoso

 Para ser uma alta comissária da Nações Unidas, a ex-presidente da Republica do Chile, militante do Partido Socialista, ex-presa política e filha de um general constitucionalista, que morreu vítima de tortura, o Relatório Bachelet carece de contexto histórico, utiliza informação tendenciosa e serve uma política que se orienta para estrangular o processo de mudança social na Venezuela.

 

E não é porque nesse país não se violem os direitos humanos. Os protagonistas da sua história contemporânea encontram-se no limite das suas capacidades de canalizar o turbilhão que o país vive. Só o diálogo, para o qual o governo chama, de forma permanente, pode salvar a Venezuela de uma guerra civil, atiçada pelo império ou uma agressão da Colômbia, onde nove bases norte-americanas estão prontas para apoiar o fratricídio. O Relatório Bachelet faz uma omissão flagrante das causas da crise venezuelana. Converte-se, assim, numa ferramenta a mais na campanha internacional destinada a derrotar o governo legítimo da Venezuela. Uma campanha que leva anos sem conseguir alcançar o seu objectivo.

A história não conhece outra ditadura tão particular como a da Venezuela. A oposição conta com mais de uma dezena de partidos legais, possui numerosos meios de comunicação, escritos e audiovisuais, controla a Assembleia Nacional, convoca manifestações públicas quando tem vontade, recebe grandes quantias de financiamento estrangeiro e goza do direito constitucional, que não exerce, de revogar o mandato presidencial mediante um plebiscito. Os dirigentes mais radicais da oposição proclamam, através da cadeia CNN e demais meios internacionais, a necessidade de derrubar a ditadura por qualquer meio, inclusive uma invasão dos marines. Como se fosse pouco, a oposição conta, há seis meses, com um presidente fantoche, reconhecido como tal por cinquenta governos, ainda que não mande nem no quarteirão de sua casa.

O governo do presidente Maduro não pode ser acusado de permanecer impassível diante do atropelo dos direitos humanos que cometem alguns órgãos policiais. Quase quatrocentos funcionários das Forças de Acções Especiais (FAES) estão a ser processados por este delito. O governo, ainda assim, foi o primeiro a reagir diante da morte do ex-capitão de corveta, Rafael Acosta, o caso de tortura mais explorado recentemente. Os autores do homicídio foram detidos, um tenente e um sargento da Guarda Nacional Bolivariana. Não há crime mais detestável que a sevícia que os agentes do Estado cometem contra homens e mulheres indefesos. Os chilenos, sabemos disso, porque sofremos torturas monstruosas durante a ditadura. Contudo, muitos patriotas são vítimas de excessos policiais e raramente são castigados.

Confio que o governo bolivariano persistirá nos seus esforços para conter os excessos repressivos dos agentes policiais

O Relatório Bachelet é uma forma manhosa de tirar a responsabilidade das Nações Unidas do drama que os EUA criaram na Venezuela. Pouco ou nada se fez na organização mundial para impedir o objectivo norte-americano de apoderar-se, a qualquer custo, do petróleo e de outras riquezas da Venezuela. Enfrentando a sua decadência, o império desfere golpes mortais para assegurar o seu acesso às fontes de energia. Iraque, Síria, Líbia, Afeganistão e agora o bloqueio e a ameaça de bombardeamento ao Irão, constituem o modelo do que espera a Venezuela, o seu povo e forças armadas, se vacilarem na defesa da Pátria.

O Relatório Bachelet faz tábua rasa da desapropriação de biliões de dólares que a Venezuela sofre por causa do bloqueio financeiro que a impede de comprar alimentos e remédios de que o seu povo precisa. Milhões de venezuelanos emigram, em busca de melhores condições de vida. Pertencem à onda migratória que sacode o mundo, como efeito dos atropelos do império às soberanias das nações. Na América Central, os emigrantes golpeiam as portas herméticas dos EUA e empurram o governo democrático do México a reprimir os camponeses migrantes das Honduras, Nicarágua, El Salvador e Guatemala. No Mediterrâneo, as desesperadas tentativas dos migrantes africanos de cruzar o oceano, rumo à Europa, deixam milhares de mortes, entre eles mais de 3 mil crianças.

O Relatório Bachetlet contribui para o propósito imperial de vencer, pela fome, uma nação que optou pela sua independência, tal como ontem o tentou o Chile, do presidente Salvador Allende. Não é a primeira vez que Bachelet se envolve em nebulosas manipulações. O seu segundo governo, em 2017, promoveu a criação do Grupo de Lima para secundar a agressão yanque à Venezuela. No mesmo ano, adoptou a Operação Furacão, uma montagem dos serviços de inteligência policial para acusar de terrorismo os líderes do povo Mapuche e defender os interesses das empresas florestais e eléctricas que se vêem acossadas pela tenaz resistência Mapuche.

Agora, a sua aposta é maior. Mas, tal como as anteriores, esta jogada também terminará em fracasso.

 

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