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O PESADELO DEMOGRÁFICO QUE ASSOMBRA A EUROPA

| Editoria Sociedade | 12/08/2019

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Os banhistas renunciaram às praias outrora muito frequentadas da ilha de Djerba, na Tunísia. Todas as semanas, dezenas de africanos naufragados na perigosa travessia do Mediterrâneo, pejam as areias brancas afagadas pelas ondas aparentemente inofensivas desta estação balnear, famosa nas cartas turísticas da região.

É o drama da emigração africana, que foge às duras condições de vida, com o sonho do eldorado europeu. O aumento da curva ascendente da demografia africana junta-se à pobreza que se acentua com as alterações climáticas em todo o continente. Projecta-se o caos. E um pesadelo persistente começa a assombrar a Europa.

Por Roberto Sandoval

Os 4,2 mil milhões de africanos, em 2100, poderão submergir a Europa? Esta interrogação provocante é o subtítulo de um livro do célebre demógrafo e geopolítico francês Yves Marie Lalan, professor do prestigiado Instituto de Estudos Políticos da Universidade de Porte Dauphine, em Paris, e da Escola Superior de Guerra, e que faz parte das actas de um colóquio sobre interpretações geopolíticas e previsões demográficas das Nações Unidas.

Se a África não conseguir desenvolver o seu crescimento económico de forma perene, os fluxos migratórios, cujos sinais começamos a observar, poderão atingir proporções catastróficas, do ponto de vista sanitário e alterar o panorama securitário regional, com vantagens para o terrorismo islâmico radical, que desenvolve, cada dia mais, o “arco de instabilidade” que vai da Mauritânia à Somália.

Nas estantes da literatura distópica, que alimenta os ideólogos da nova direita popular contra a imigração, o livro de Jean Raspail (Prémio da Academia Francesa) faz figura de bíblia na Europa, América e Austrália. Nas suas páginas de ficção escatológica, o autor narra a destruição da civilização ocidental sob a vaga de uma imigração massiva oriunda dos países do Sul. O título do livro, Camp des Saints (O Campo dos Santos), remete-nos para o Apocalipse (9:1 a 22:21), onde os santos clamam por vingança, vencidos por Satanás; mas, numa reviravolta divina, este acaba amarrado pelos anjos e as boas almas.

O grande talento de Jean Raspail foi captar, de forma magistral, os fantasmas milenários da Europa, que vive uma crise profunda de natalidade, face a África, com grande taxa de fecundidade. Os velhos avatares dos hunos de Átila e Tamerlão, que regressam quase mil anos depois. A teoria da conspiração e de uma possível substituição de populações à escala continental.

Noutro registo, temos os vários romances do célebre escritor francês Michel Houllebeck e, em especial, o seu livro intitulado “Submissão”, em que aponta a chegada de um presidente muçulmano ao palácio de Eliseu.

Mas, entre um pessimismo que vê tudo negro, e um optimismo idiota, convém traçar a realidade da demografia africana e suas consequências num futuro sem fantasias.

PORMENORES DOS PERIGOS DO AUMENTO DEMOGRÁFICO

Quando focamos a nossa lente para a problemática do Lago Tchad, obtemos uma visão de pormenor. Em 2017, a população dos quatro países que povoam as margens deste grande lago – que, aliás, está a secar, em virtude do aquecimento planetário – era estimado em 246 milhões, pelas Nações Unidas (75% de nigerianos, 10% de camaroneses, 8% de nigerinos e 6% de tchadianos). Nesta região, a taxa de fertilidade é das mais elevadas em África, com 5,5 de crianças por mulher. No decorrer de uma nova geração, esta população vai duplicar.

Com o aumento, sem precedentes, de uma população jovem, coloca-se a questão quente: 7 pessoas, em cada 10, têm idades inferiores a 25 anos e que, por sua vez, cerca de 80% dependem materialmente de adultos activos, por falta de qualquer perspectiva de emprego.

Para o demógrafo senegalês Mabingue Ngon, director regional do Fundo das Nações Unidas para a População da África do Oeste e Central, “esta juventude poderia representar uma grande prosperidade económica, mas somente se houver investimentos adequados, para que ela desenvolva o seu potencial”.

Com os jovens a ultrapassarem largamente o número de adultos activos, as famílias e os governos não terão capacidade para investir em cada criança.

A industrialização do continente africano e, em particular, da região subsahariana – apesar de numerosas proclamações de intenções em sentido contrário – recebe pouca atenção dos grandes centros de desenvolvimento e de fundos de investidores internacionais. Em grande parte, a economia do continente africano continua tributária da agricultura de exportação e da indústria extractiva.

De todos os continentes, é o que não conheceu os primeiros patamares de uma real industrialização, cinquenta anos após o período de independência.

O sector manufactureiro africano, em 2014, não ultrapassa 1,6%, contra 44,6 nas regiões da Ásia e do Pacífico. De todos os países africanos, somente a África do Sul se pode considerar um país industrializado.

Seguindo o modelo de transição agrícola, a industrialização pode ser comparada a um vagão de um comboio, cuja locomotiva é uma agricultura próspera, capaz de libertar recursos, nomeadamente matéria-prima, o capital – divisas, o mercado e mão-de-obra acessível, que as indústrias têm necessidade.

Todos os anos, mais de 12 milhões de jovens africanos procuram empregos que não existem na área agrícola ou no sector industrial inexistente. Os mais capazes e aptos emigram para países europeus, onde procuram novas oportunidades, em mercados mais competitivos, fazendo perder a África um potencial de grande riqueza.

A África é, já, o segundo continente mais populoso do mundo, embora a sua população seja distribuída de modo bastante desigual – fraca densidade nas florestas equatoriais e zonas desérticas inabitadas – terá dentro de trinta anos as maiores concentrações urbanos do mundo, mais de 20 cidades serão gigantescas áreas metropolitanas, capazes de fazer empalidecer as grandes cidades do mundo.

Mas, em vez de se constituírem como centros de desenvolvimento, com estruturas urbanas e industriais, elas vão acumular excessos demográficos, que poderão descontrolar as instituições e criar situações de herança infrahumana.

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