Publicidade

Publicidade

Publicidade

África 21 OnlineÁfrica 21 Online

Registre-se na nossa newsletter e mantenha-se informado.
África 21 no Facebook

África 21 Online

Pesquisa

Siga o portal África 21

Feed RSS Twitter Facebook

Edição Impressa

Edição do Mês

Destaques da edição de Agosto de 2019

ÁFRICA

EXPLOSÃO DEMOGRÁFICA EM ÁFRICA, UMA BOMBA AO RETARDADOR

ÁFRICA

O PARADIGMA PARTICULAR DA DEMOGRAFIA VERSUS DESENVOLVIMENTO

ANGOLA

EXPLOSÃO DEMOGRÁFICA UMA BOMBA DE EFEITO RETARDADO

EUROPA

O PESADELO DEMOGRÁFICO QUE ASSOMBRA A EUROPA

MOÇAMBIQUE

POR ALGUNS DÓLARES MAIS

MUNDO

MUDANÇAS CLIMÁTICAS PODEM ENGENDRAR “APARTHEID GLOBAL”

VENEZUELA

O CAPCIOSO RELATÓRIO BACHELET

ÁFRICA

RUMO A UMA ÁFRICA INTEGRADA E PRÓSPERA

Rádio

Publicidade

Política

RDC: Félix Tshisekedi - A arte do compromisso à africana

| Editoria Política | 19/08/2019

-A / +A

Imprimir

-A / +A

Presidente desde Janeiro, Félix Tshisekedi pena em impor a sua autoridade, após um ciclo eleitoral complicado, marcado pela derrota do candidato do ex-presidente Joseph Kabila à chefia do Estado e a vitória esmagadora da antiga coligação presidencial, nas eleições legislativas. Enquanto Martin Fayulu e os seus apoiantes do movimento Lutuka continuam a exigir o «respeito do veredicto das urnas» e a presidência, alegadamente «roubada» pelo clã Kabila, para instalar no poder um Tshisekedi sem experiência nem envergadura, o novo Presidente tem assumido uma postura apaziguadora, quer em relação à FCC (Frente Comum pelo Congo) de Kabila, quer aos antigos tenores da oposição ou, ainda, no seio do seu próprio partido, a UDPS, fundado pelo seu pai, Étienne Tshisekedi.

Por Carol K.

UMA MUDANÇA DE ESTILO em vez da ruptura radical com o «regime Kabila», supostamente exigida pela maioria dos congoleses? O método Tshisekedi suscita muitas críticas, mas a poderosa Conferência Episcopal Congolesa, que afirmava deter provas de que Fayulu venceu as eleições, acaba de reconhecer, em Roma, que «de um mal (Tshisekedi na presidência) pode surgir o bem».

As negociações entre o Cash de Tshisekedi o FCC de Kabila, maioritário no Parlamento, para formar um governo de coligação foram, e são, laboriosas: foram precisos quatro meses para se chegar a um consenso sobre a atribuição do cargo de primeiro-ministro a Sylvestre Ilunga Ilunkamba, um economista de 78 anos, que foi conselheiro de Mobutu e ministro em vários governos sucessivos, e a batalha pelos postos que Tshisekedi reclama como essenciais para o seu projecto – Economia e Administração Interna – prova que o Presidente pretende ser outra coisa do que um mero tapa-rabo do «terceiro mandato de Kabila», como é descrito pela oposição congolesa e a imprensa internacional.

A libertação dos presos políticos, o regresso ao país de figuras gradas da política congolesa, como Jean-Pierre Bemba e Moise Katumbi, o licenciamento de novas rádios e televisões privadas, o enterro triunfal dos restos mortais de Étienne Tshisekedi (falecido em Bruxelas, há mais de dois anos), em Kinshasa, são medidas que contribuíram para o desanuviamento das tensões políticas. E o novo Presidente, que deu prioridade aos programas sociais, no seu plano de grandes obras (avaliado em 450 milhões de dólares), tem viajado por todo o país, para afirmar a sua fidelidade ao lema paterno «junto do povo, sempre».

Em busca de aliados regionais

Outra das suas prioridades é a restauração da paz, nomeadamente no Leste da RDC, o maior fracasso do seu antecessor, mas também das missões estrangeiras e da ONU, presentes na RDC desde 1999. E neste campo, também, Tshisekedi marca a diferença em relação ao secreto e arrogante Kabila, estendendo a mão aos vizinhos da RDC que estiveram envolvidos, em trincheiras opostas, nas guerras que ensanguentam a RDC e a região dos Grandes Lagos, durante mais de duas décadas. O seu objectivo declarado – formar uma coligação militar para erradicar os inúmeros grupos armados e milícias que, além de semearem o terror no Kivu e no Ituri, utilizam a região para lançar operações antigovernamentais nos países limítrofes – é uma das prioridades da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos (CIRGL), que nunca chegou a produzir efeitos concretos. Mas, por ocasião das comemorações do 25º aniversário do genocídio rwandês, Paul Kagamé reconheceu que, desde o início do ano, as autoridades congolesas têm feito progressos notórios no controlo dos grupos transfronteiriços que fazem passar pelo Kivu combatentes e armas destinadas a desestabilizar o Rwanda.

A pacificação do Leste da RDC não é apenas um imperativo para Kinshasa, por motivos humanitários (para por termo aos massacres, violações e combater a epidemia de Ébola que ceifou já 1400 vidas) e económicos: qualificada de «escândalo geológico» pelas suas riquezas mineiras, nomeadamente ouro e coltão, exploradas e exportadas ilegalmente para fora da RDC por traficantes associados aos grupos armados. É, também, necessária para o desenvolvimento de todo o continente, porque a instabilidade crónica constitui um ferrolho, até agora intransponível, para o estabelecimento de ligações rodoviárias e ferroviárias seguras entre o Atlântico e o Índico, que desencravariam a África Central.

É a tarefa que Tshisekedi empreendeu, com o apoio dos seus homólogos angolano, João Lourenço e rwandês, Paul Kagamé. Recentemente reunidos em Kinshasa, os três presidentes emitiram um comunicado em que sublinhavam a importância de envolver outros líderes da sub-região “para acabar uma vez por todas com o fenómeno da violência dos grupos armados”.

A RDC, no papel de estabilizador regional, depois de ter sido durante duas décadas o campo de batalha de ambições alheias, pode parecer incongruente, mas representa uma ambição legítima por parte do país mais povoado e potencialmente mais rico de toda a África Central, com fronteiras comuns com outros nove Estados.

Corresponde também a uma profunda alteração das relações entre antigos aliados e adversários da RDC e o aparecimento de novas ameaças como a infiltração de extremistas muçulmanos, provenientes da República Centro-Africana e do Sahel, entre os grupos armados que pululam na região, entre os e com fronteiras com outros nove Estados.

O ambicioso presidente rwandês, Paul Kagamé, sente que todo o apoio dos seus «amigos» ocidentais e da África Ocidental não o protegerá das ameaças junto das suas fronteiras se não contar com a colaboração efectiva e imediata dos vizinhos. Ora, as relações entre Kagamé e o presidente burundês, Pierre Nkurunziza, são execráveis, e as que mantém com o ugandês Museveni degradam-se a olho nu, desde há dois anos. Kigali acusa Museveni de permitir que Kampala se transforme em santuário para os opositores ao regime de Kagamé, e de deixar que as FDLR (Forças Democráticas de Libertação do Rwanda), originariamente constituídas por antigos «genocidas» hutus treinem, no Uganda, novos combatentes recrutados nos campos de refugiados rwandeses neste país.

O ministro das Relações Exteriores angolano, Manuel Augusto, escalou por duas vezes Kampala, no quadro dos esforços do Presidente João Lourenço para obter a participação activa do presidente ugandês na coligação militar para pacificar o Leste da RDC, em troca da erradicação das ADF (Aliança das Forças Democráticas) ugandesas, particularmente activas no Ituri, onde exploram minas de ouro que servem para financiar as suas acções subversivas contra o regime de Kampala. A África do Sul, que não pertence a CIRGL, não pode deixar de encorajar a nova política estrangeira de Tshisekedi, dados os fortes interesses de empresas sul-africanas na RDC. Uma nova geopolítica de que Tshisekedi, presidente mal eleito e aceite com reticências, espera tirar proveito para triunfar sobre todos os seus opositores internos nas eleições presidenciais de 2023. Desminar o terreno à sua volta, para ganhar a confiança dos seus concidadãos, é o seu grande objectivo e a paciência e o perdão das ofensas as suas armas predilectas.

O «compromisso à belga», em versão africana, começa a ganhar adeptos. Pela calada, os governos europeus retomam o caminho de Kinshasa e o intransigente Fayulu aparece cada vez mais isolado, enquanto os seus ex-aliados Bemba e Katumbi e a Igreja Católica aceitam dialogar com Tshisekedi. Para o bem do Congo e dos congoleses, obviamente.

Imprimir

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Siga o portal África 21

Feed RSS Twitter Facebook
África 21 Online

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade