Publicidade

Publicidade

Publicidade

África 21 OnlineÁfrica 21 Online

Registre-se na nossa newsletter e mantenha-se informado.
África 21 no Facebook

África 21 Online

Pesquisa

Siga o portal África 21

Feed RSS Twitter Facebook

Edição Impressa

Edição do Mês

Destaques da edição de Agosto de 2019

ÁFRICA

EXPLOSÃO DEMOGRÁFICA EM ÁFRICA, UMA BOMBA AO RETARDADOR

ÁFRICA

O PARADIGMA PARTICULAR DA DEMOGRAFIA VERSUS DESENVOLVIMENTO

ANGOLA

EXPLOSÃO DEMOGRÁFICA UMA BOMBA DE EFEITO RETARDADO

EUROPA

O PESADELO DEMOGRÁFICO QUE ASSOMBRA A EUROPA

MOÇAMBIQUE

POR ALGUNS DÓLARES MAIS

MUNDO

MUDANÇAS CLIMÁTICAS PODEM ENGENDRAR “APARTHEID GLOBAL”

VENEZUELA

O CAPCIOSO RELATÓRIO BACHELET

ÁFRICA

RUMO A UMA ÁFRICA INTEGRADA E PRÓSPERA

Rádio

Publicidade

Política

Nada de novo na frente ocidental

| Editoria Política | 19/08/2019

-A / +A

Imprimir

-A / +A

O título do famoso romance do alemão Erich Maria Remarque, publicado em 1929, assenta como uma luva à última cimeira dos 20 países mais desenvolvidos do mundo, aliás G-20, mas também às «novas» caras que irão representar a «velha» Europa nos próximos cinco anos.

Por Luigi Leone

AS DUAS MAIORES POTÊNCIAS económicas do mal chamado «ocidente», Estados Unidos e União Europeia, continuam a divergir sobre quase todos os grandes temas que interessam ao futuro do planeta, mantendo uma unidade de fachada e sorrisos forçados como se viu na cimeira de Osaka.

Na cidade japonesa, os 20 puseram-se de acordo sobre uma declaração comum defendendo o princípio do comércio livre e a reforma da Organização Mundial de Comércio (OMC). Já o referente aos compromissos do Acordo de Paris sobre o clima só foi negociado a 19, dada a recusa intransigente dos Estados Unidos.

«O pior foi evitado», comentou o presidente francês, Emmanuel Macron. O pior teria sido a reedição do que acontecera um ano antes, após a cimeira do G7, que se realizou no Canadá. Encurralado pelos «aliados», o norte-americano Donald Trump tinha assinado a declaração conjunta, mas logo após ter embarcado no avião presidencial, deu o dito por não dito e rasgou o acordo, entre insultos ao anfitrião canadiano Jean-Pierre Trudeau. Em Osaka, foi menos agressivo, mas sem deixar de manifestar, por palavras e gestos, o profundo desprezo que lhe inspiram o direito internacional e as opiniões dos seus parceiros. Puxou para o seu lado, na foto de família, o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, que cobriu de elogios, apesar de estar indiciado como responsável pelo assassinato de Jamal Kassoghi e destacou, entre os resultados da sua viagem ao Japão, os acordos bilaterais (nomeadamente com a China, para uma nova trégua na guerra comercial em curso e um recuo na ofensiva contra Huawei, o gigante chinês das telecomunicações) e encontros à margem do plenário, com o russo Vladimir Putin, o indiano Narendra Modi ou o turco Recep Erdogan. Com todos esses dirigentes, Trump alega ter as melhores relações pessoais e, para salientar que é dele que os outros dependem, foi de Osaka para Seul e da capital da Coreia do Sul para a fronteira com a Coreia do Norte, para pavonear-se ao lado do seu «amigo» Kim Jung-un e ser o primeiro presidente norte-americano a pisar o solo do país que tem toda a Ásia e, em particular, o Japão, sob a mira das suas armas atómicas.

Para manter os Estados Unidos na posição de maior potência mundial, Trump estima que não deve deixar dúvidas acerca de quem é o dono do «Ocidente», humilhando, sempre que pode, aqueles dirigentes que o desprezam e a imprensa internacional que o descreve com um palhaço ou um psicopata.

A União Europeia, com mais de 500 milhões de habitantes e mais de 22 % do PIB mundial, é um sério obstáculo a essa estratégia «trumpiana», porque é difícil torcer o braço de um gigante sem cabeça nem número de telefone (como ironizou em 1970 o diplomata Henry Kissinger, conselheiro de todos os presidentes republicanos dos Estados Unidos) porque é a única «potência emergente» que seria capaz, se for essa a sua vontade politica, interpor-se no duelo entre os EUA e a China para a hegemonia mundial.

Mas esta vontade política não existe e, quando surge uma veleidade, por parte dos dirigentes da União, de se opor ao unilateralismo de Trump, como no caso das sanções contra o Irão, Cuba ou Venezuela, ou do acordo de Paris sobre a redução das emissões de gás com efeito de estufa, o inquilino da Casa Branca não pára de gozar com a incapacidade dos governos europeus de obter o apoio das suas próprias empresas ou instituições bancárias, enquanto do outro lado do Atlântico impera a disciplina e a obediência em defesa dos interesses americanos, mesmo por parte de gigantes como a Google, Facebook ou Amazon.

E não se vislumbra o que poderá mudar nas relações euro-atlânticas, dado o currículo das personalidades escolhidas para ocupar os postos chaves da UE após as eleições do novo Parlamento europeu. A nova presidente da Comissão (que deve ainda obter o aval dos eurodeputados), a conservadora alemã Úrsula von der Leyen, que estudou, durante quatro anos, na elitista universidade de Stanford, depois de uma passagem pela London School of Economics, tem advogado o reforço da OTAN em matéria de segurança e defesa, na qualidade de ministra alemã da Defesa, convicção que partilha com o futuro Alto Representante da Política Externa europeia, posto inaugurado em 1999, pelo seu compatriota e correligionário Javier Solana, que fora anteriormente secretário-geral da OTAN. Quanto a Christine Lagarde, indigitada para dirigir o Banco Europeu, a ex-ministra das Finanças de Nicolas Sarkozy e actual presidente do FMI, não só estudou como fez nos Estados Unidos a maior parte do seu percurso profissional (num dos maiores gabinetes de advogados de negócios) e a sua iniciação na geoestratégia político-militar no «Center for Strategic and International Studies», de 1995 a 2002, onde presidiu, com Zbigniew Brzezinski, o grupo de trabalho «Indústrias de Defesa Estados Unidos-Polónia».

O liberal belga Charles Michel, apontado para a Presidência do Conselho Europeu, não deverá contrariar a tendência: como o seu antecessor, o polaco Donald Tusk, recebeu o cargo depois da derrota sofrida pela coligação que dirige nas eleições legislativas belgas.

Que pensam os eleitores europeus destes «arranjos em família», penosamente negociados em Bruxelas? A sua opinião não foi tida em conta. Os ecologistas, que foram o grupo que registou o maior crescimento em toda a União, não obtiveram nenhum cargo de topo e a extrema-direita foi «traída» pelo húngaro Victor Orban, que preferiu manter-se alinhado com a direita clássica do PPE, liderada pela Alemanha, em vez de se juntar aos nacionalistas e soberanistas.

Sem perspectiva de mudança das relações de força no campo «ocidental», o resto do mundo vai ter de navegar à vista e fazer números de equilibrismos para defender os seus interesses e evitar de ser esmagado no choque entre as duas únicas potências com vocação hegemónica: os Estados Unidos e a China. A corrida aos armamentos e as guerras comerciais têm o futuro assegurado.

Imprimir

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Siga o portal África 21

Feed RSS Twitter Facebook
África 21 Online

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade