Publicidade

Publicidade

Publicidade

África 21 OnlineÁfrica 21 Online

Registre-se na nossa newsletter e mantenha-se informado.
África 21 no Facebook

África 21 Online

Pesquisa

Siga o portal África 21

Feed RSS Twitter Facebook

Edição Impressa

Edição do Mês

Destaques da edição de Junho de 2019

ANGOLA

Situação Económica de Angola

ANGOLA

Informação e Percepção da Economia Angolana

ANGOLA

Recordar o passado para encontrar soluções

ÁFRICA

FATALIDADES E ESPERANÇAS DA ECONOMIA AFRICANA

AFEGANISTÃO

LISTA NEGRA DOS SOLDADOS DO PROFETA

ANGOLA

OS DESAFIOS PARA AS ELEIÇÕES DE 2022

ÁFRICA

ADAPTAR OS EXÉRCITOS AFRICANOS AOS NOVOS INIMIGOS

ANGOLA

MPLA - O CONGRESSO DO REJUVENESCIMENTO

Rádio

Publicidade

Intervenções

Peter Custer: Europa muda radicalmente com relação a Síria e Iraque

| Editoria Intervenções | 16/09/2014

-A / +A

Imprimir

-A / +A

Seria esta uma dessas escassas ocasiões em que os responsáveis políticos da Europa fazem autocrítica para corrigir um erro gigantesco? Ou é uma fria volta radical guiada por puro interesse?

Em 15 de agosto, os ministros de Relações Exteriores da União Europeia (UE) decidiram, em Bruxelas, que seus países terão liberdade para fornecer armas aos rebeldes curdos que combatem os extremistas sunitas do Estado Islâmico (EI) no norte do Iraque.

Inclusive Alemanha, que sempre se negou a armar os combatentes em “zonas de conflito”, está disposta a fornecer veículos blindados e outros equipamentos aos curdos que lutam contra o avanço do EI.

A decisão dos chanceleres europeus talvez surpreenda porque, em abril de 2013, a UE tinha levantado uma proibição às importações de petróleo sírio.

O levantamento do boicote pretendia facilitar o fluxo de petróleo do noroeste de Síria, onde a insurgência sunita tinha um forte ponto de apoio senão o controle total sobre as jazidas petrolíferas da região.

O EI não era a única organização radical sunita que disputava o controle do petróleo sírio, porém não há duvida de que a decisão da UE ajudou a consolidar seu controle sobre os recursos da Síria e a se preparar para avançar nas zonas com poços de petróleo do norte do Iraque.

O resultado da recente reunião em Bruxelas parece revocar a desastrosa decisão anterior. Vale a pena descrever brevemente a medida em que o EI controla a extração e produção de petróleo na Síria e no Iraque.

As jazidas petrolíferas da Síria se concentram em Deir-ez-Zor, uma província fronteiriça com o Iraque. Ainda que a produção do óleo sírio seja muito limitada em comparação com as reservas mundiais, o controle sobre seus poços, além de sua refinaria, é crucial para o financiamento dos combates do EI.

As reservas do vizinho Iraque não se concentram em uma só região geográfica, como ocorre na Síria. A maior parte de seus poços se encontra no sul, a grande distância dos combates do EI no norte.

Há informações de que só a sétima parte do petróleo do Iraque se encontra nas zonas controladas pelo EI por um lado, e os combatentes curdos do outro. Não obstante, os últimos informes indicam que os extremistas sunitas controlam pelo menos sete grandes poços petroleiros no Iraque.

O EI obtém enormes lucros com o contrabando e a venda de petróleo. Essa força armada, apoiada pelo petróleo acumulado em duas guerras civis, é o que provoca calafrios no mundo ocidental.

A decisão tomada pela UE em abril de 2013 parece ter contribuído para o êxito atual do EI e a situação criada é historicamente nova. Nunca antes uma força rebelde de uma guerra civil no Sul em desenvolvimento fundo suas perspectivas de combate no controle do petróleo.

É certo que na maioria das guerras civis africanas nos últimos trinta anos foi fundamental o acesso às matérias primas, como sucedeu em Angola, República Democrática do Congo, Libéria, Serra Leoa e Sudão. Também é certo que as exportações de petróleo financiam os combates, por exemplo, em Angola e Sudão.

Não obstante, nesses casos, o Estado manteve o controle sobre a riqueza petrolíferas. Em Angola, o direitista movimento UNITA dependeu do contrabando de diamantes em bruto para financiar a guerra, enquanto que as jazidas petrolíferas estavam a grande distância de seus combates.

No Sudão, o petróleo se encontra no sul, na região disputada pelo movimento rebelde. Porém o governo de Omar Al Bashir realizou uma política inumana de despovoamento através de bombardeios aéreos, massacrando os residentes e obrigando os sobreviventes a fugir, o que privou a insurgência tanto de gente como de petróleo.

Portanto, não há antecedente para as guerras civis financiadas pelo petróleo travadas pelos rebeldes sunitas na Síria e no Iraque.

Os chanceleres europeus, ao deixar de ser partidários de facto do EI e se converter em seus rivais, seguem o exemplo de Estados Unidos, depois de seus recentes bombardeios contra as posições do grupo extremista no norte do Iraque.

A intervenção militar de Washington não carece de interesse próprio, ainda que se fundamente publicamente na perseguição implacável ao EI contra as minorias. O vínculo entre o petróleo e as armas figura em primeiro lugar para o Pentágono, o Departamento de Defesa estadunidenses.

Pouco depois de o presidente Barack Obama ter anunciado que as forças de ocupação dos Estados Unidos se retirariam do Iraque em 2011, Washington concordou com a venda de aviões de combate F-16 e outros armamentos a Bagdá por um valor de 12 bilhões de dólares. Pelo menos quatro das cinco principais empresas militares estadunidenses são beneficiárias das compras iraquianas.

Casualmente, na época em que se concretizou o acordo, a extração do petróleo iraquiano voltava a seus níveis de antanho e superava os três milhões de barris diários em 2012. Na medida em que cresciam os ingressos do Estado iraquiano procedente do petróleo, as empresas de armas dos Estados Unidos e da Rússia competiam pelos pedidos.

E existe uma sólida confiança de que o nexo entre o petróleo e as armas se sustentará. Segunda as eufóricas projeções da Agência Internacional de Energia, o organismo integrado pelos 29 países ocidentais consumidores de petróleo, Iraque é a chave para o futuro incremento da produção mundial do petróleo.

Os responsáveis políticos do Ocidente adotam a causa dos xiitas muçulmanos, cristãos e azedeis que sofrem perseguição nas zonas do Iraque controladas pelo EI. E não há dúvida de que a força extremista sunita se rege por uma ideologia dos salafistas radicais que discrimina rigorosamente contra as minorias religiosas, sejam muçulmanas ou não.

Porém, quando no passado os estados ocidentais defenderam sistematicamente os direitos das minorias religiosas no Oriente Médio? Ao que parece, a ideia surgiu como uma ocorrência tardia depois da ilegal invasão estadunidense do Iraque.

Será que a determinação ocidental de proteger o povo iezidis do norte do Iraque seduz os árabes muçulmanos e cristãos em Israel e os xiitas muçulmanos na Arábia Saudita e Bahrein para nomear apenas alguns dos grupos maltratados pelos aliados do Ocidente?

Em todo caso, é hora de que se questione as mudanças políticas de Bruxelas.

*IPS, Leiden, Holanda para Diálogos do Sul – editado por Phil Harris / traduzido do inglês para o espanhol por Álvaro Queiruga

Peter Custer

[Peter Custer é investigador académico sobre o Islão e a tolerância religiosa com trabalho de campo no sul da Ásia. Também é um teórico sobre o comércio armamentista e a extração de matérias primas no contexto dos conflitos no Sul em desenvolvimento. É autor de Questioning Globalized Militarism - Questionando o militarismo globalizado.]

Imprimir

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Siga o portal África 21

Feed RSS Twitter Facebook
África 21 Online

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade