Publicidade

Publicidade

Publicidade

África 21 OnlineÁfrica 21 Online

Registre-se na nossa newsletter e mantenha-se informado.
África 21 no Facebook

África 21 Online

Pesquisa

Siga o portal África 21

Feed RSS Twitter Facebook

Edição Impressa

Edição do Mês

Destaques da edição de Agosto de 2019

ÁFRICA

EXPLOSÃO DEMOGRÁFICA EM ÁFRICA, UMA BOMBA AO RETARDADOR

ÁFRICA

O PARADIGMA PARTICULAR DA DEMOGRAFIA VERSUS DESENVOLVIMENTO

ANGOLA

EXPLOSÃO DEMOGRÁFICA UMA BOMBA DE EFEITO RETARDADO

EUROPA

O PESADELO DEMOGRÁFICO QUE ASSOMBRA A EUROPA

MOÇAMBIQUE

POR ALGUNS DÓLARES MAIS

MUNDO

MUDANÇAS CLIMÁTICAS PODEM ENGENDRAR “APARTHEID GLOBAL”

VENEZUELA

O CAPCIOSO RELATÓRIO BACHELET

ÁFRICA

RUMO A UMA ÁFRICA INTEGRADA E PRÓSPERA

Estudos

WWF - Relatório Planeta Vivo 2014 - Sumário Executivo

| Editoria Estudos | 30/09/2014

-A / +A

Imprimir

-A / +A

WWF - Relatório Planeta Vivo 2014 - Sumário Executivo 

Actualmente precisamos de 1,5 planetas Terra para responder à pressão que colocamos sobre a Natureza
WWF

INTRODUÇÃO

A biodiversidade está a diminuir drasticamente enquanto que a nossa procura e pressão sobre os recursos naturais está a aumentar e são, actualmente, insustentáveis.

As populações de várias espécies animais diminuíram 52 por cento, em todo o mundo, desde 1970. Actualmente precisamos de 1,5 planetas Terra para responder à pressão que colocamos sobre a Natureza. Isto significa que estamos a arruinar o nosso capital natural, tornando mais difícil sustentar as necessidades das gerações futuras.

O efeito duplo do crescimento da população humana e da elevada pegada ecológica per capita irá multiplicar a pressão que estamos a colocar sobre os recursos naturais do Planeta.

Países com mais alto nível de desenvolvimento apresentam pegadas ecológicas mais elevadas. O grande desafio é conseguir manter o desenvolvimento com pegadas ecológicas globalmente sustentáveis.

Podemos já ter cruzado os "limites planetários" que podem levar a mudanças ambientais abruptas e irreversíveis. O bem-estar humano depende dos recursos naturais, como a água, a terra cultivável, o pescado, a madeira; e outros serviços dos ecossistemas, como a polinização, o ciclo dos nutrientes ou o controlo da erosão.

Enquanto as populações mais desfavorecidas continuam a ser as mais vulneráveis , a interligação dos temas da segurança alimentar, água e energia afecta-nos a todos.

A perspectiva da WWF é encontrar soluções para que o Planeta se mantenha vivo - protegendo o capital natural, melhorando a produção e consumindo os recursos de forma mais sensata, canalizando correctamente os apoios financeiros e promovendo a governação mais equitativa desses recursos.

Alterar o nosso rumo e encontrar caminhos alternativos não será fácil. Mas pode ser feito.

ESPÉCIES E ESPAÇOS, PESSOAS E LUGARES - As nossas sociedades e economias dependem de um planeta saudável

O desenvolvimento sustentável tem um lugar proeminente na agenda internacional há mais de um quarto de século. As pessoas falam com sinceridade das dimensões ambientais, sociais e económicas do desenvolvimento. No entanto, continuamos a construir a componente económica a um custo considerável para o ambiente. Corremos o risco de pôr em causa os ganhos económicos e sociais ao não termos em conta a nossa dependência dos sistemas ecológicos. Sustentabilidade social e económica só é possível através de um planeta saudável.

Os ecossistemas sustentam as sociedades que criam as economias. Não funciona ao contrário. No entanto, embora os seres humanos sejam um produto do mundo natural, tornaram-se também a força dominante que molda os sistemas ecológicos e biofísicos. Ao fazermos isto, estamos não só a ameaçar a nossa saúde, prosperidade e bem-estar, mas o nosso próprio futuro. O Relatório Planeta Vivo 2014 revela os efeitos das pressões que estamos a colocar no planeta. Este relatório explora as implicações para a sociedade do sobre-uso dos recursos naturais. Sublinha também a importância das escolhas que fazemos e dos passos que damos para garantir que este planeta vivo continue a suster as gerações actuais e vindouras.

UM PLANETA VIVO

Restam apenas cerca de 880 gorilas da montanha que permanecem em estado selvagem - cerca de 200 deles no Parque Nacional do Virunga, na República Democrática do Congo (RDC). Embora permaneçam criticamente em perigo, são a única espécie de macacos de grandes dimensões cujos números estão a aumentar, graças a intensos esforços de conservação.

Os gorilas das montanhas estão entre as 218 espécies de mamíferos encontradas no Virunga, juntamente com 706 espécies de aves, 109 espécies de répteis, 78 espécies de anfíbios e mais de 2,000 espécies de plantas. Mas as concessões petrolíferas que foram permitidas em 85 por cento do parque, colocam o futuro desta espécie em causa, a longo prazo. A exploração de petróleo pode levar à degradação do habitat da espécie colocando em risco o seu estatuto de protecção e tornando-a mais vulnerável.

Globalmente, a perda e degradação dos habitats, a caça ilegal e as alterações climáticas são as principais ameaças para a biodiversidade no mundo. Estas têm contribuído para um declínio de 52 por cento no Índice do Planeta Vivo desde 1970 - por outras palavras, o número de mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes com os quais compartilhamos o planeta desceu para metade.

O ÍNDICE PLANETA VIVO - O número de populações de espécies vertebradas caiu para metade ao longo dos últimos 40 anos

O estado da biodiversidade no mundo parece pior do que nunca. O Índice Planeta Vivo (LPI na sigla inglesa), que mede as tendências em milhares de populações de espécies de vertebrados, mostra um declínio de 52 por cento entre 1970 e 2010. Por outras palavras, o número de mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes em todo o mundo tem, em média, cerca de metade dos quantitativos que apresentava há 40 anos. A biodiversidade está em declínio tanto nas regiões temperadas como nas tropicais, mas este decréscimo é maior nas regiões tropicais. As 6.569 populações de 1.606 espécies das regiões temperadas diminuíram 36 por cento entre 1970 e 2010. O LPI tropical apresenta uma redução de 3.811 populações de 1.638 espécies no mesmo período, ou seja, 56 por cento. A América Latina mostra o declínio mais dramático - uma queda de 83 por cento. A perda e degradação dos habitats e a exploração através da caça ilegal ou em excesso e da sobre-pesca, são as causas deste declínio. As alterações climáticas são a próxima grande ameaça comum aos habitats das espécies, e é provável que coloque ainda mais pressão sobre as populações no futuro.

LPI TERRESTRE

As espécies terrestres diminuíram 39 por cento entre 1970 e 2010, uma tendência que não mostra sinais de abrandamento. A perda de habitat que tem na sua origem as mudanças de uso da terra - especialmente a conversão para agricultura, desenvolvimento urbano e produção de energia - continua a ser uma grande ameaça, agravado pela caça ilegal.

LPI ÁGUA DOCE

O LPI para as populações de espécies de água doce mostra uma diminuição média de 76 por cento. As principais ameaças às espécies de água doce são a perda e fragmentação de habitat, a poluição e as espécies invasoras. Alterações aos níveis da água e conectividade do sistema de água doce - por exemplo, através de irrigação e barragens hidroeléctricas - têm um grande impacto sobre estes tipos de habitat.

LPI MARINHO

As populações das espécies marinhas diminuíram 39 por cento entre 1970 e 2010. No período de 1970 até meados da década de 80 assistiu-se a uma diminuição mais acentuada, após ocorreu maior estabilidade; recentemente registou-se um novo período de declínio. As maiores diminuições verificaram-se nos trópicos e no Oceano Antárctico - espécies em declínio incluem tartarugas marinhas, muitos tubarões, e grandes aves marinhas migratórias como o albatroz errante.

A PEGADA ECOLÓGICA - Estamos a usar mais do que a Terra pode fornecer

Durante mais de 40 anos, a exigência da humanidade relativamente à natureza ultrapassou o que o nosso planeta pode repor. Precisaríamos de uma capacidade de regeneração de 1,5 planetas Terra para fornecer os serviços ecológicos que são usados actualmente. “Ultrapassar os limites” é fácil porque podemos cortar as árvores muito mais rápido do que elas crescem, apanhar maiores quantidades de pescado do que aquelas como que os oceanos se reabastecem, ou emitir mais carbono para a atmosfera do que as florestas e os oceanos podem absorver. As consequências são a diminuição das reservas de recursos e os resíduos que se acumulam com uma taxa mais rápida do que aquela com que podem ser absorvidos ou reciclados, tal como acontece com a concentração crescente de carbono na atmosfera.

A Pegada Ecológica soma-se à procura de bens e serviços ecológicos na competição por espaço, incluindo a área biologicamente produtiva (ou biocapacidade) necessária para culturas, pastagens, áreas urbanizadas, áreas de pesca e de produção florestal. Também inclui a área de floresta necessária para absorver as emissões de dióxido de carbono complementares que não podem ser absorvidas pelos oceanos. Ambas, biocapacidade e Pegada Ecológica são expressas numa unidade comum chamada de hectare global (gha).

O carbono gerado através da queima de combustíveis fósseis tem sido o componente dominante da Pegada Ecológica da humanidade, há mais de meio século, e continua a ter uma tendência ascendente. Em 1961, o carbono constituía 36 por cento da nossa Pegada total; em 2010 apresentava um peso de 53 por cento na nossa pegada.

Os avanços tecnológicos, as matérias-primas agrícolas e a irrigação impulsionaram os rendimentos médios por hectare de área produtiva, especialmente para áreas de cultivo, aumentando a biocapacidade total do planeta em 9,9-12 mil milhões de hectares globais (gha) entre 1961 e 2010. No entanto, durante o mesmo período, a população humana mundial aumentou de 3,1 mil milhões para quase 7 mil milhões, reduzindo a biocapacidade disponível per capita em 3,2-1,7 gha. Enquanto isso, a Pegada Ecológica aumentou 2,5-2,7 gha per capita. Assim, apesar do aumento da biocapacidade global, há menos margem de manobra para responder a estes desafios. Com projecções de população mundial em cerca de 9,6 mil milhões de habitantes em 2050 e 11 mil milhões até 2100, a biocapacidade disponível para cada um de nós vai reduzir-se ainda mais - e será cada vez mais difícil manter a biocapacidade face à degradação dos solos, à escassez de água doce e ao aumento dos custos de energia.

Em 2010, a Pegada Ecológica global foi de 18,1 mil milhões de gha, ou 2,6 gha per capita. A Biocapacidade total da Terra era de 12 mil milhões de gha, ou 1,7 gha per capita.

PEGADA POR PAÍS

O tamanho e a composição da Pegada Ecológica per capita de uma nação são determinados pelos bens e serviços utilizados por uma pessoa com consumo médio nesse país, bem como a eficiência com que os recursos, incluindo os combustíveis fósseis, são utilizados no fornecimento destes bens e serviços. Sem surpresa, a maioria dos 25 países com o maior número per capita de Pegada Ecológica são nações de alto rendimento; sendo na maioria deles, o carbono o maior componente da Pegada.

As contribuições para a superação ecológica mundial variam entre as nações. Por exemplo, se todas as pessoas do planeta tivessem a pegada de um residente médio do Qatar, precisaríamos de 4,8 planetas. Se vivêssemos de acordo com os padrões de um habitante típico dos EUA, precisaríamos de 3,9 planetas. No caso de um habitante típico da Eslováquia ou da Coreia do Sul os valores seriam de 2 ou 2,5 planetas respectivamente, enquanto que um habitante típico da África do Sul ou Argentina precisaria de 1,4 ou 1,5 planetas, respectivamente.

A nível nacional, a pegada de carbono representa mais da metade da Pegada Ecológica em um quarto dos países avaliados.

NECESSIDADES LOCAIS, PRESSÕES GLOBAIS

Nos mercados semanais em Vitshumbi, as pessoas compram legumes frescos e peixe fresco do Lago Eduardo. O lago era o centro das actividades de exploração de petróleo realizada pela empresa britânica Soco International PLC. A empresa concordou em parar a operação que tinha no Parque Nacional do Virunga no início deste ano após uma campanha internacional liderada pela WWF.

Poucos países são mais ricos em biocapacidade e recursos naturais do que a Republica Democrática do Congo. No entanto, os seus habitantes têm uma das menores pegadas ecológicas do planeta, e o país está colado ao fundo do Índice de Desenvolvimento Humano ajustado à desigualdade da ONU.

A extracção de petróleo no Virunga, para ajudar a alimentar os estilos de vida insustentáveis dos países de rendimentos mais elevados, pode trazer lucros de curto prazo para alguns. Mas é pouco provável que traga desenvolvimento real. No Delta do Níger, os indicadores de pobreza e desigualdade têm piorado desde a descoberta do petróleo. A longo prazo, a única maneira do povo congolês suprir as suas necessidades e melhorando as suas perspectivas é através de uma gestão sustentável e uso inteligente do capital natural do país.

EXIGÊNCIAS DESIGUAIS, CONSEQUÊNCIAS DESIGUAIS - Países de baixo rendimento têm uma menor pegada, mas sofrem as maiores perdas dos ecossistemas

A maioria dos países ricos têm mantido Pegadas per capita maiores do que a quantidade de biocapacidade disponível por pessoa no planeta há mais de meio século, em grande parte dependendo da biocapacidade de outros países para suportar os seus estilos de vida. As pessoas dos países de médios e baixos rendimentos têm tido apenas um pequeno aumento das suas pegadas per capita durante o mesmo período de tempo.

Comparando as tendências de LPI em países com diferentes níveis médios de rendimentos mostra grandes diferenças. Enquanto os países de altos rendimentos parecem mostrar um aumento (10 por cento) em biodiversidade, os países de rendimento médio mostram um decréscimo (18 por cento), e os países de baixo rendimento mostram uma dramática e marcada diminuição (58 por cento). No entanto, estes factos escondem uma perda de biodiversidade em grande escala antes de 1970 na Europa, na América do Norte e na Austrália. Também pode reflectir a forma como os países mais ricos importam os recursos - efectivamente transferindo a perda de biodiversidade e seus impactos para os países mais pobres.

As tendências nos países de baixo rendimento continuam a ser catastróficas, tanto para a biodiversidade como para as pessoas.

O CAMINHO PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL - Nenhum país terá ainda atingido um alto desenvolvimento humano com uma Pegada globalmente sustentável - mas alguns estão a trabalhar na direcção certa

Para um país alcançar o desenvolvimento sustentável a nível global, deve ter uma pegada ecológica per capita menor do que a biocapacidade per capita disponível no planeta, mantendo um padrão de vida decente. O primeiro significa uma Pegada per capita inferior a 1,7 gha - o máximo que poderia ser replicado em todo o mundo, sem resultar em excedente mundial. O último pode ser definido como uma pontuação de 0,71 ou acima do Índice da ONU desigualdade-ajustada do Desenvolvimento Humano (IDHAD). Actualmente, nenhum país cumpre ambos os critérios.

No entanto, alguns países estão a trabalhar na direcção certa. O caminho do progresso varia de país para país. Alguns países têm aumentado significativamente o seu desenvolvimento humano, com um aumento relativamente baixo de Pegada, enquanto outros reduziram a sua pegada mantendo altos níveis de desenvolvimento.

O desenvolvimento humano elevado em países de alto rendimento foi conseguido à custa de uma grande pegada ecológica. Dissociar e inverter essa relação é um desafio global fundamental.

LIMITES PLANETÁRIOS - DEFININDO O ESPAÇO SEGURO PARA A VIDA NA TERRA

Informações e indicadores complementares podem aprofundar e melhorar a compreensão acerca do Planeta Terra. Contribuem também para focar a atenção em questões globais ou em regiões, abordando temas ou espécies específicas dessas regiões. Os seres humanos têm beneficiado enormemente de condições ambientais previsíveis e estáveis nos últimos 10.000 anos - o período geológico conhecido como Holoceno, permitiu a evolução de comunidades humanas estabelecidas que se transformaram nas sociedades modernas actuais. Mas o mundo entrou num novo período - o "Antropoceno" – um período no qual as actividades humanas são os maiores factores de mudança à escala planetária. Dado o ritmo e a escala de mudança, já não podemos excluir a possibilidade de atingirmos pontos críticos de ruptura que poderão mudar de forma abrupta e irreversível as condições de vida na Terra

O quadro de limites planetários identifica os processos ambientais que regulam a estabilidade do planeta. Para cada um são definidos, com base no melhor conhecimento científico disponível, os limites de segurança. Para além destes limites, podemos entrar numa zona perigosa na qual as mudanças negativas bruscas são mais susceptíveis de ocorrerem.

Enquanto pontos de inversão exactos são impossíveis de determinar com algum grau de certeza, três fronteiras planetárias parecem já ter sido transgredidas: a perda de biodiversidade, as alterações climáticas e o ciclo do azoto, com impactos já visíveis sobre o bem-estar da saúde humana e as nossas necessidades em alimento, água e energia.

O conceito de limites planetários sugere que a existência do mundo que nós conhecemos e do qual lucrámos ao longo do Holoceno depende agora das nossas acções como guardiões planetários.

FAÍSCAS

Gerar energia nem sempre tem que danificar o meio ambiente. Este soldador (ver relatório) está a trabalhar num projecto de energia hidroeléctrica numa comunidade em Mutwanga, RDC, que depende da água do Parque Nacional do Virunga. O projecto, criado pela Wildlife Authority congolesa, fornecerá electricidade para 25.000 pessoas. Também vai fornecer energia a escolas, um hospital e um orfanato, e criará empregos e oportunidades de negócios. Simultaneamente, os moradores mais próximos terão um maior incentivo para cuidar das florestas e pântanos do parque, e que garantem o abastecimento de água às populações. Ao contrário de muitos empreendimentos hidroeléctricos descabidos e mal planeados um pouco por todo o mundo, este projecto terá impactos mínimos sobre os ecossistemas. Em todo o mundo, projectos como este mostram que o desenvolvimento e a conservação podem andar de mãos dadas, e que proteger o capital natural pode conduzir a um verdadeiro progresso social e económico.

PORQUE NOS DEVEMOS PREOCUPAR - As mudanças ambientais afectam-nos a todos

Para muitos, o planeta Terra e a impressionante teia de vida à qual pertencemos são dignos de protecção para nosso próprio bem. Um sentimento de admiração e um profundo respeito pela natureza está enraizada em muitas culturas e religiões. As pessoas relacionam-se instintivamente com o provérbio: Nós não herdamos a terra dos nossos antepassados , pedimo-la emprestada aos nossos filhos. No entanto, não nos temos apresentado como bons guardiões do nosso único planeta. A forma de atender às nossas necessidades actuais está a comprometer a capacidade das gerações futuras em suprir as suas - o oposto do desenvolvimento sustentável.

O bem-estar e prosperidade da Humanidade - na verdade, a nossa própria existência – depende de ecossistemas saudáveis e dos serviços que estes fornecem, desde a água potável até um tipo de clima habitável, à alimentação, aos combustíveis, à fibra e solos férteis. Tem havido progresso nos últimos anos na quantificação do valor económico do capital natural e dos dividendos que daí provém. Estes tipos de valoração contribuem para criar um argumento económico para a conservação da natureza e uma forma de vida sustentável -embora qualquer valoração dos serviços dos ecossistemas seja uma "estimativa bruta por baixo do infinito", já que sem eles não pode haver Vida na Terra.

ALIMENTOS, ÁGUA E ENERGIA - As nossas necessidades estão ligadas à saúde da biosfera

Estando previsto que a população humana atinja 9 mil milhões de habitantes em 2050, o desafio de proporcionar alimento, água e energia a todos estas pessoas é uma perspectiva assustadora. Hoje, quase mil milhões de pessoas sofrem de fome, 768 milhões vivem sem água potável e 1,4 mil milhões não têm acesso a uma fonte de electricidade confiável. As alterações climáticas e o esgotamento dos ecossistemas e dos recursos naturais vão agravar ainda mais a situação. Enquanto os mais desfavorecidos continuam a ser os mais vulneráveis no mundo, os temas da segurança alimentar, água e energia afectam-nos a todos.

Segurança alimentar, água, energia e a “saúde” dos ecossistemas estão intimamente ligados. Essa interdependência significa que os esforços para garantir uma das vertentes pode facilmente desestabilizar as outras vertentes - isto é, aumentar a produtividade agrícola, por exemplo, pode levar ao aumento de procura de água e de matérias-primas para energia,, com impacto directo na biodiversidade e nos serviços do ecossistema.

A forma como suprimos as nossas necessidades afecta a saúde dos ecossistemas e a saúde dos ecossistemas afecta a nossa capacidade de assegurar essas necessidades. Isto é igualmente relevante para as comunidades rurais mais pobres - que muitas vezes dependem directamente da natureza para a sua subsistência - como para grandes cidades do mundo, que são cada vez mais vulneráveis a ameaças como as cheias ou a poluição, que podem resultar da degradação ambiental.

Proteger a natureza e usar os seus recursos de forma responsável são pré-requisitos para o desenvolvimento e para o bem-estar humano, assim como para a construção de comunidades mais resilientes e saudáveis.

Hoje quase mil milhões de pessoas sofrem de fome, 768 milhões vivem sem abastecimento ou acesso a fontes de água potável, e 1,4 milhões não têm fornecimento de energia eléctrica fiável.

Comunidades saudáveis são a base do nosso bem-estar físico, mental e social. E a base das comunidades saudáveis é um ambiente saudável.

SOLUÇÕES PARA UM PLANETA - Podem ser usadas melhores soluções e existem soluções práticas

A “PERSPECTIVA UM PLANETA” da WWF destaca-se em melhores escolhas para a gestão, uso e partilha dos recursos naturais, respeitando os limites do planeta, de modo a garantir a segurança alimentar, água e energia para todos.

Preservar o capital natural - Restaurar os ecossistemas danificados, travar a perda de habitats prioritários, expandir significativamente as áreas protegidas.

Produzir melhor - Reduzir as matérias-primas e resíduos, gerir os recursos de forma sustentável, aumentar a produção de energia renovável.

Consumir mais sabiamente - Através de estilos de vida com baixa Pegada, uso de energia sustentável e padrões de consumo alimentar mais saudáveis.

Redireccionar os fluxos financeiros - Valor natural, contabilizar os custos ambientais e sociais, recompensar e suportar a conservação, gestão sustentável dos recursos e inovação.

Governar de forma mais justa os recursos - Partilhar recursos disponíveis, fazer escolhas justas e ecologicamente informadas, medir o sucesso além do PIB.

SALTO PARA O FUTURO

A Republica Democrática do Congo tem uma das mais jovens populações e com mais rápido crescimento em todo o mundo. Mas que tipo de futuro está reservado para estas crianças, a partir da vila piscatória de Vitshumbi na margem sul do Lago Eduardo? O Parque Nacional do Virunga é a sua herança - e oferece um enorme potencial. Um estudo recente encomendado pela WWF sugere que, numa situação estável em que o parque esteja devidamente protegido, poderá gerar um valor económico de mais de mil milhões de US $ por ano. O desenvolvimento responsável de indústrias como o turismo dentro do parque poderiam dar emprego a 45.000 pessoas.

MAIS À FRENTE - Os mesmos indicadores que mostram onde temos errado podem apontar-nos um caminho melhor

Não há nada inevitável sobre o declínio contínuo do LPI ou o crescimento da nossa superação ecológica. A soma de milhões de decisões, feita com pouca ou nenhuma consideração sobre a importância em proteger o mundo natural: a má governação local, nacional e internacional; as políticas de visão míope sobre o crescimento económico e os interesses estreitos; os modelos de negócios que incidem sobre os lucros a curto prazo e que não consideram as externalidades e os custos de longo prazo; as formas ineficientes, obsoletas e desnecessariamente destrutivas de geração e uso de energia, de captura de pescado, produção de alimentos, transporte de bens e pessoas; as estratégias desesperadas para ganhar a vida; o consumo excessivo que faz apenas alguns mais felizes ou mais saudáveis.

Em cada caso, há uma escolha melhor. Alterando o nosso percurso e encontrando novos caminhos alternativos não será fácil. Mas é possível. Na conferência Rio + 20, em 2012, os governos do mundo afirmaram o seu compromisso sobre um "futuro economicamente, socialmente e ambientalmente sustentável para o nosso planeta e para as gerações presentes e futuras". Esta é a "Nossa Visão Comum", o lugar para onde queremos ir. Este pode ser visto no quadro do desenvolvimento sustentável global – um território actualmente desocupado, onde todos possam desfrutar de um alto nível de desenvolvimento humano com uma Pegada Ecológica que está dentro de biocapacidade global. Isto é essencialmente o mesmo espaço previsto na Oxfam Doughnut - o "espaço seguro, apenas operacional" que fica dentro dos limites planetários, assegurando que todos conseguem um nível aceitável de saúde, bem-estar e oportunidades.

A Perspectiva Um Planeta da WWF dá uma ideia de como podemos alcançá-la, através de uma série de acções práticas: é preciso desviar o investimento para longe das causas dos problemas ambientais e dirigi-lo para as soluções; fazer escolhas justas, de longo alcance e ecologicamente conscientes sobre a forma como gerimos os recursos que partilhamos; para preservar o nosso restante capital natural, proteger e restaurar os ecossistemas e habitats importantes; para produzir melhor e consumir com mais sabedoria.

Sabemos onde queremos estar. Sabemos como chegar lá. Agora é preciso começar a caminhar.

WWF - 2014

Imprimir

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Siga o portal África 21

Feed RSS Twitter Facebook
África 21 Online

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade