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Mohamed Yioussouf Adamgy: «Quem conhece bem o Islão não parte para fazer a jihad na Síria»

| Editoria | 24/11/2014

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O Islão é mal conhecido em muitos países e está geralmente associado na opinião pública às noções de guerra, radicalismo e terrorismo. Os cerca de 50.000 muçulmanos que vivem em Portugal, oriundos maioritariamente da Guiné-Bissau e de Moçambique, repudiam esta violência e também a «manipulação caluniosa» do Alcorão.

Entrevista a Mohamed Yioussouf Adamgy, diretor da revista islâmica Al-Furqán
(DR)

Nunca se falou tanto do Islão na imprensa lusófona. Como muçulmano e como intelectual, como avalia esta mediatização?

Mohamed Y. Adamgy - Se se fala tanto na imprensa lusófona é porque se fala na imprensa internacional que, por sua vez, transmite, duma forma ou de outra, o que a CNN noticia. E quando se fala do Islão, fala-se só e sempre ligado à guerra, ao radicalismo e ao terrorismo. Deixa transparecer uma manipulação caluniosa. E a calúnia é como o carvão: quando não queima, suja; e os caluniados são como os frutos; se estão mordidos é porque devem ser bons. É certo que hoje já há jornalistas no campo da guerra que revelam notícias a respeito, mas se forem contra o que a CNN diz, estarão sujeitos a serem removidos da zona e, porventura, até do trabalho… como já tivemos notícia disso, ultimamente, com dois ou três jornalistas ocidentais em Gaza… Os meios de comunicação converteram-se «inadvertidamente» em aliados dos extremistas muçulmanos. Dominique de Villepin, ex-primeiro-ministro de França, disse recentemente que «L'Etat islamique est l'enfant monstrueux de l'arrogance de la politique occidentale» («O Estado Islâmico é a criança monstruosa da arrogância da política ocidental»). Apesar da muito real violência que existe em algumas zonas do mundo islâmico, há que recordar que a história do Islão não foi mais violenta que a de outras religiões. O uso da religião para justificar o ódio e a violência dando-lhes uma aparência de santidade que não têm, é um recurso utilizado por grupos cujo objetivo não é, em caso algum, honrar a Fé. Rancores pessoais, interesses políticos e económicos, estão no fundo dessas atrocidades que em nada representam os muçulmanos em geral. O confronto entre muçulmanos e cristãos não faz parte da nossa ética e deve ser rejeitado pelos verdadeiros crentes. O «ódio cego» não é islâmico, é um pecado mortal. A violência não é religiosa; é criminosa. «...Quem matar uma pessoa, sem que esta tenha cometido homicídio ou semeado a corrupção na terra, será considerado como se tivesse assassinado toda a humanidade; quem a salvar, será reputado como se tivesse salvado toda a humanidade...» (Alcorão, 5:32.)

Como reage a comunidade islâmica, em Portugal e no seu país de origem, Moçambique?

M.Y.A - A maioria da comunidade islâmica (e mesmo os não-muçulmanos) quer em Portugal quer em Moçambique (e em todo mundo) condena estas atrocidades e este Estado islâmico que nada tem a ver com o Islão. Por outro lado, essa maioria pressente que há uma manipulação caluniosa dos Estados Unidos e, por inércia, do Ocidente contra o Médio Oriente e o Islão. Porque em nome de uma «democracia totalitarista» se invade e se bombardeia nações soberanas como a Síria, Líbia, Iraque, que foram arrasadas e as suas economias devastadas.

A radicalização de jovens, de origem muçulmana ou recém-convertidos, que partem para fazer a jiade na Síria ou no Iraque, suscita muita curiosidade e alguma inquietação. Quer comentar?

M.Y.A - Quem conhece bem o Islão, certamente não parte para fazer a jiade na Síria ou no Iraque… Nunca um conflito no Médio Oriente reuniu tanto interesse e intervenção de vários países, economias, culturas e religiões... E se deixo religião para último é propositado, pois apesar de ser este o discurso de inúmeros ocidentais que aderiram ao Estado Islâmico (e são, pelos vistos, os seus dirigentes no terreno), na sua génese poderão estar distúrbios psicológicos... Tendo seguido as notícias, posso deduzir que são indivíduos que por um motivo ou outro se sentiram marginalizados pela sociedade e que em vez de assumirem os seus insucessos ou incapacidades optaram por culpar toda uma cultura ocidental, facto esse aproveitado pelos angariadores de mercenários ocidentais na Bélgica, França, Holanda, Inglaterra... Não sendo uma forma de desculpabilizar os atos destes indivíduos, não iria acreditar o quão inseguros são todos eles... Mas esta é apenas a vertente humana (ou a falta dela) da questão... Poder-se-á vislumbrar o que está verdadeiramente por detrás de tudo isto e sei que não é a religião. Nenhuma religião manda massacrar inocentes. O que acontece é que a sociedade humana sofre as consequências da desinformação. A verdade é deformada por interesses económicos, pelos detentores do poder no mundo. A comunicação social internacional preocupou-se em difundir (com pouco material de apoio) que as ações do dito «Estado Islâmico» são bárbaras, que assassinam pessoas, que raptam mulheres e que, sobretudo, que impõem a lei islâmica às populações que conquistam. A História na Península Ibérica prova que, na permanência (de sete séculos) dos islâmicos no Andaluz, nunca houve imposição da lei islâmica às populações, pois todas as religiões coexistiram… E se a comunicação social for sincera reconheceria que estes atos de terror e barbárie não são muito piores do que as ações dos israelitas em Gaza, ou os ataques com drones que, sistematicamente, ordena o Presidente dos Estados Unidos contra o Paquistão, que deixam um trágico saldo de mortes de civis (crianças, mulheres e idosos) e que são apresentados como um mero «dano colateral», inevitável para manter a «civilização» e a «democracia». Assistimos a uma monumental maquinaria mediática que caracteriza o mal definido «fundamentalismo islâmico» como uma nova praga bíblica. Noam Chomsky, ao analisar as estratégias de manipulação propagandística, disse que uma das mais utilizadas consiste em criar um problema, uma determinada situação para causar certa reação no público, a fim de que seja este a pedir a tomada das medidas que o mandante deseja fazer aceitar. Por exemplo, deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, para que o público reclame a adoção de leis de segurança e políticas liberticidas. Com isto queremos dizer que uma grande parte da nossa visão da sociedade global é condicionada por mentiras preparadas por grandes poderes. A manipulação mediática tem um papel decisivo nisto.

Os muçulmanos são pouco numerosos em Portugal e pertencem aos vários ramos do Islão. Como se relacionam entre eles?

M.Y.A. - Segundo a Comunidade Islâmica de Lisboa, os muçulmanos são cerca de 50.000 em Portugal. A maioria é originária da Guiné-Bissau e Moçambique. Neste momento, devido à crise e à falta de emprego, esse número, provavelmente, terá baixado para cerca de 40.000… A maioria é sunita. Há uma minoria xiita: a Comunidade Ismaelita com o seu templo em Lisboa e a Comunidade Içna Achari com o seu lugar de culto em Almada. Todos relacionam-se entre eles.

Que tipo de relações existe com as outras religiões e, em particular, com a Igreja católica? Há um verdadeiro diálogo ou uma ignorância mutua?

M.Y.A. - Os muçulmanos de Portugal vieram, na sua maioria, depois do 25 de Abril de 1974, das antigas colónias portuguesas, nomeadamente de Moçambique e Guiné-Bissau e, ao longo dos anos, convivem e têm relações de amizade, fraternidade e solidariedade, vivendo em paz com os seus irmãos de fé cristã e outras, pois os ensinamentos do Alcorão e a tolerância da sua religião assim o orientam. De relembrar aqui, por exemplo, o encontro com o Dalai Lama na Mesquita de Lisboa, que reuniu budistas, muçulmanos, judeus, cristãos, hindus e bahha’is, e cuja notícia foi registada, na sua íntegra, na Revista Islâmica Portuguesa Al Furqán. Tivemos visitas à Mesquita de Lisboa dos Presidentes da República Portuguesa, o Sr. Dr. Mário Soares, o Sr. Dr. Jorge Sampaio e o Sr. Dr. Cavaco Silva e dos primeiros-ministros Sócrates e Passos Coelho. E tem havido eventos culturais com participação de várias religiões. De registar, aqui, que esta coexistência teve um significado muito positivo, sendo um dos valores morais mais nobres que podem ser aplicados à comunicação, ao diálogo e ao facto de trabalhar com outros para alcançarmos a paz e a prosperidade mútua. Depois de reconhecermos a existência de diferenças entre nós, torna-se necessário respeitá-las e este saber está ligado ao pluralismo. É a noção de coexistência que o Islão concebe. O Alcorão refere-se-lhe de diversas formas, muitas delas mais claras e precisas que o conceito moderno de «coexistência». Por exemplo Deus diz: «Ó humanidade! Nós vos criamos de macho e fêmea e vos dividimos em tribos e nações, para que se conheçam uns aos outros.» (Alcorão, 49:13). Quando Deus diz «conhecer uns aos outros» está a referir-se a toda a humanidade, implicando a troca de saberes e aprendizagens e toda uma série de interações positivas. O Islão promove o conceito de nos ajudarmos uns aos outros e de cooperarmos naquilo que é benéfico. Independentemente da outra parte concordar ou não connosco naquilo que é essencial, o que realmente interessa é a nossa cooperação para a concretização de algo legítimo, algo que esteja em concordância com os ditames da virtude e que não seja um pecado, injustiça ou transgressão. Estes são valores que levam ao melhoramento da humanidade.

Têm observado indícios de radicalização, de maior intolerância?

M.Y.A. - Aqui, em Portugal, felizmente temos poucos indícios de radicalização e de maior intolerância da parte dos muçulmanos como dos não-muçulmanos. A maioria dos muçulmanos são portugueses, originários das ex-colónias e a nova geração já nasceu cá; por conseguinte, estão integrados. Agora na Europa estão a crescer os partidos extremistas e xenófobos. É inquietante. A emigração é complexa e delicada. A televisão entra em casa das pessoas, quotidianamente, falando do Islão só e sempre ligado à guerra, ao radicalismo e ao terrorismo. Já há sinais de islamofobia, sobretudo na internet. Os que atiçam a islamofobia e o confronto de culturas, que reclamam mais bombardeios e mais guerra antiterrorista, são na realidade os padrinhos dos jiadistas que dizem combater. Espero que se encontre imaginação e eficácia para contrariar estas tendências, pois, caso contrário, as tensões poderão vir a agravar-se nos próximos anos com afirmações identitárias cada vez mais extremistas por parte dos imigrantes e da população local.

Têm feito um grande esforço de divulgação do Islão. Acha que a maioria das pessoas, incluindo as que se dizem muçulmanas, está mal informada?

M.Y.A. - Há, sim, muçulmanos e não-muçulmanos mal informados sobre o Islão. Em Portugal, através da Al-Furqán tenho, ao longo dos últimos 34 anos, publicado várias obras tratando das questões que mais preocupam os muçulmanos e, sobretudo, os não-muçulmanos. Foram estes que formularam mais perguntas sobre Alá, «deus dos muçulmanos», ablação do clitóris, apedrejamento, apóstata, homossexualidade, direitos humanos, poligamia, véu, tolerância, terrorismo, jiade, etc… Mas a única coisa que deve ficar realmente clara é que o Islão é uma forma de vida. Para os crentes, o Islão (submissão voluntária à Vontade de Deus Único) não é algo distinto da vida, mas sim o facto de estarmos vivos. O Islão é o que já existe. E nós dedicamos a nossa vida inteira a descobrir o que aquilo significa. O Islão é o que permite que nos instalemos verdadeira e corretamente no mundo. Nós não pensamos que Deus pertença à esfera privada, mas sim à esfera do funcionamento das coisas. A vida espiritual dos muçulmanos não é uma viagem até à quarta dimensão, mas sim esse fascínio permanente ao qual estão sujeitos aqueles que, um dia, perceberam que a realidade não era plana e que poderíamos embrenharmo-nos nela para vivê-la mais intensamente. Na atual conjuntura sente-se uma necessidade de conhecimento do Islão, para melhor apreender os verdadeiros contornos da sua Doutrina puramente monoteísta. Num mundo sobrecarregado de imagens, ler e refletir é, com certeza, amadurecer em sabedoria.

Diz que em matéria de direitos humanos um dos valores fundamentais do Islão é a justiça. Acha que uma ordem mundial, política e socialmente injusta, contribui para a emergência do chamado «islão político» e a sua radicalização?

M.Y.A. - No clima de desespero em que vivem grandes massas de muçulmanos – e mais ainda da sua juventude – a saída violenta pode aparecer sempre como uma tentação. Nesse complexo campo de cultivo, então, fundam as suas raízes os movimentos radicais, e a morte não tarda em ganhar: estamos assim no campo da ação armada, na estratégia terrorista. Mas perante isso, pergunta-se: quem beneficia com este fundamentalismo violento? É realmente esse um caminho de libertação para as empobrecidas e prostradas massas muçulmanas? O economista egípcio Samir Amin diz que «Imperialismo e fundamentalismo cultural caminham juntos» e que «o fundamentalismo étnico e o religioso são instrumentos perfeitos para propiciar e dirigir o sistema político». Alias, os Estados Unidos apoiaram o fundamentalismo islâmico, como mostram os casos da Arábia Saudita e do Paquistão. Marcelo Colussi, um escritor, psicólogo e politólogo de origem argentino disse também que «as massas dos países muçulmanos encontram-se num beco sem saída» e que «a arrogância e desprezo dos monarcas e ditadores no mundo islâmico e árabe adicionam mais combustível ao ódio e cólera das massas». Situar o fundamentalismo nesta dimensão sociopolítica permite entendê-lo como um fenómeno que resulta do enorme vazio criado nestas sociedades pela falta de propostas alternativas e da manipulação das populações apelando a um fanatismo fácil de exacerbar. E permite vislumbrar as respostas às perguntas seguintes: a quem beneficia este fundamentalismo? É realmente um caminho de libertação para as grandes massas? É a religião, o ópio dos povos, como dizia Marx? Todas as religiões podem comportar rasgos fundamentalistas. No Ocidente, por exemplo, o cristianismo conheceu momentos de fanatismo e intolerância incríveis e se bem que isso não suceda na atualidade, a ortodoxia levada a extremos delirantes persiste. Proibir o uso do preservativo porque supostamente isso é um «atentado à vida» como preconiza o Vaticano, no meio da pandemia de VIH que temos atualmente, não é por acaso um fundamentalismo irresponsável? O alegado «selvagismo» fundamentalista, em todo o caso, não é património islâmico como as médias nos afirmam quotidianamente. Além disso, o fundamentalismo não é só religioso. Qualquer ideia, princípio ou valor em que se defende o ultraje, sem considerações nem mediações, pode terminar sendo uma posição absolutamente fundamentalista, fanática. Bombardear a população civil não combatente para demostrar «quem manda», tal como fez o governo dos Estados Unidos em inumeráveis ocasiões (duas bombas atómicas no Japão, milhares de toneladas de napalm e agente laranja no Vietname, mais um longo, interminável etecetera durante o século XX e o que se passa no século XXI) em nome da defesa da «liberdade» e «democracia» não é uma forma extrema de sangrento fundamentalismo?

Há agora em Portugal mais pessoas que estudam a língua árabe. Acha que pode contribuir para o reconhecimento do Islão como parte da identidade histórica portuguesa? 

M.Y.A. - A curiosidade pelo Islão cresceu com a Guerra do Golfo (1990) e após os atentados de 11 de Setembro de 2001. A criação pela Al-Furqán, em 1997, da Feira do Livro Islâmico nas instalações da Mesquita de Lisboa, feira essa que se repete todos os anos durante a última semana do mês do Ramadão, foi, para muitos, a primeira oportunidade de entrar na Mesquita de Lisboa. As pessoas pensavam que se tratava de um lugar proibido e a feira do livro veio quebrar este tabu. A Mesquita de Lisboa recebe, anualmente, visitas de alunos e professores de escolas de todo o país. Há aulas de árabe, gratuitas, ministradas pelo Imame da Mesquita, Sheik David Munir. Muitos não-muçulmanos frequentam essas aulas para aprenderem a língua árabe, uns para apreenderem melhor a temática islâmica e outros para poderem ir trabalhar para os países árabes. Por outro lado, há já historiadores e arqueólogos portugueses que se dedicam a estudar, investigar e divulgar os vestígios árabes e islâmicos em Portugal.

Quer terminar esta entrevista com alguma indicação especial?

M.Y.A. - Gostava de destacar o seguinte, que li algures na Net, e que acho interessante para reflexão: nem os islâmicos têm o direito de ir bombardear Nova Iorque, nem os EUA de os irem bombardear no território deles porque em geral esse tipo de ações resulta numa guerra que envolve sempre terceiros, ou os civis dos próprios países, ou os países ao lado. A única forma de podermos viver em paz neste Planeta é respeitarmos os outros. Quando não os respeitamos, estamo-nos a sujeitar a que eles também não nos respeitem. As pessoas confundem Árabes e Muçulmanos e culpam o Islão por certos comportamentos de alguns deles. Finalmente, penso que se a guerra continua a avançar nada nem ninguém impedirá que eu e muitos outros continuemos unidos às pessoas de boa vontade, gritando do silêncio da oração, do nascer do sol até ao ocaso, pausa para a Paz! Uma pausa interminável a favor da paz!

 

(*)Mahomed Yiossuf Mohamed Adamgy nasceu na  Ilha de Moçambique em 1951, fez os estudos secundários em Nampula e reside em Portugal desde 1977. É um dos fundadores e diretor da Al Furqán (O Critério do Bem e do Mal), uma Organização Islâmica Portuguesa, fundada em 1981, para a Defesa, Divulgação e Edição de Estudos Islâmicos em Portugal. A revista bimensal «Al-Furqán» é uma das poucas publicações portuguesas que se dedica à exegese e reflexão sobre o Alcorão, mas também à refutação de muitas interpretações erradas e preconceitos existentes entre muçulmanos e não muçulmanos.

Mohamed Adamgy Foi Secretário (1985-87) da direção da Comunidade Islâmica de Lisboa, fundada em 1968 por um familiar, Suleiman Valy Mamede (falecido em 1995 e conhecido entre os muçulmanos lusos como o «pai da grande mesquita» inaugurada em 1985), e empenhou-se no desenvolvimento das atividades culturais da CIL e na abertura do diálogo inter-religioso mediante a organização de colóquios e a criação da Feira do Livro Islâmico, que se realiza anualmente durante o Ramadão. Muçulmano sunita, considera-se independente quer do ponto de vista teológico quer em relação à CIL, atualmente presidida pelo Sheik David Munir. De nacionalidade portuguesa (como 70% dos muçulmanos residentes em Portugal), considera que o Islão faz parte do universalismo cultural lusófono.

Nicole Guardiola

 

 

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